6 de abril de 2024


DO GOLPE DE 2022 AOS ENVELOPES

O dia da tão aguardada licitação do Maracanã - para administrá-lo por vinte anos - tinha chegado: 27 de outubro de 2022. Com o palco armado pelo governador flamenguista Claudio Castro para a vitória do “Consórcio Fla-Flu”, o Vasco, com o “Consórcio Maracanã para Todos”, entrava na briga. Mas cometeu um erro: anunciou UM DIA antes, e não UM MINUTO antes do prazo de entrega dos envelopes. Em 24 horas, agentes do sistema identificaram ser ela – inclusiva, em parceria com WTorre e Legends - muito melhor que a dos coirmãos da zona sul. Foi então que o conselheiro do TCE-RJ e flamenguista Marcio Pacheco embargou o processo. Para ele e outros do órgão, certos itens do edital, subitamente, se tornavam inadmissíveis.

Graças a esta intervenção, Flamengo e Fluminense continuaram administrando-o por mais um ano e meio – até hoje (abril de 2024) – com lucros evidentes – como desde 2019. Os envelopes contendo as propostas técnicas dos três concorrentes já foram entregues ao Governo do Rio e estão sendo avaliadas desde o último dia 5 de março.

Não existe prazo para o início da terceira e última fase da licitação.

Com a Odebrecht e a Lagardère bem longe do Maracanã, os governadores flamenguistas William Witzel e Claudio Castro – rubro-negro ao ponto de estar em Guayaquil, no Equador, para ver a final da Copa Libertadores – renovaram nove concessões provisórias seguidas para a dupla Fla-Flu, através de um Termo de Permissão de Uso (TPU) precário e sob alegação fajuta: “urgência”.

A falta de chamamento público para a renovação dessas gestões provisórias passou a ser questionada pelo Vasco. Assim, em 7 de novembro de 2023, ela foi realizada, como farsa: vetava empresas internacionais; além da necessidade de apresentação de atestado de capacidade em gestão de operação e manutenção de estádios de futebol com ao menos 30 mil lugares e em ginásios para no mínimo cinco mil pessoas.  

O Vasco não os tem. Os rivais também não, porém, se dizem “donos” do Maracanã e do Maracanãzinho – bens públicos... Até a Arena 360, a outra concorrente nesta licitação (provisória), solicitou explicações a Claudio Castro: “Afronta o caráter competitivo e a isonomia da concorrência no Brasil”. 

Sem concorrência, o Fla-Flu pagou R$ 234 mil\mês de outorga, obtendo o TPU até dezembro de 2024 (ou até a licitação definitiva).

A não participação do Vasco foi destacada pelos rivais em uma nota oficial cínica e repleta de passagens bizarras.

Como esta:

“O Estado do Rio, de forma cautelosa e preocupado com um patrimônio turístico [mentira; bajulação], não pode permitir que se torne (sic) um espaço destinado, prioritariamente, a shows [mentira], impondo o deslocamento de partidas para outros estádios [mentira], para que o gestor possa lucrar com outros eventos [mentira]”.

POLÍTICOS

Antes da eleição para o governo do Rio, em 2022, cartolas do Flamengo se encontraram com os principais candidatos – os flamenguistas Claudio Castro e Marcello Freixo, o atual presidente da EMBRATUR – para negociar o futuro do Maracanã. Ao seja: quando Castro saiu-se vitorioso nas urnas, as cartas estavam marcadas em relação à licitação.

Nesta época, Freixo foi entrevistado por um veículo de mídia flamenguista. Sobre a licitação – em outubro de 2022 – ele disse: “Parece que um ou dois clubes farão a gestão”. Descartou resgatá-lo para o Estado, tornando-o público outra vez, gerido pela SUDERJ e livre das ações discriminatórias.

Sete anos antes, em 2016, em sua campanha à prefeitura, Freixo tinha se reunido com o então presidente Bandeira de Mello, para debater o mesmo assunto: a ocupação do Maracanã.

Sobre o conselheiro que travou a licitação em 2022, Marcio Pacheco, ele foi escolhido para o TCE-RJ graças à articulação de Claudio Castro, na disputa com o vascaíno Rosenberg Reis. Castro era o chefe de gabinete de Pacheco, na ALERJ, enquanto Pacheco, ex-deputado estadual, era o líder do governo do flamenguista Wilson Witzel - o cassado que deu início às concessões provisórias.

Pacheco enfrenta processos no Tribunal de Justiça-RJ por suposto peculato, organização criminosa e lavagem de dinheiro que teriam ocorrido em seu gabinete quando era deputado.

Em abril de 2023, a conselheira do TCE-RJ e flamenguista Mariana Willeman pediu vista - para estudar o caso (como se já não tivesse tido tempo de sobra) e solicitou a manutenção da tutela provisória que suspendeu a licitação de outubro de 2022, seguida pelos outros conselheiros.

Negou mais um pedido do Vasco sobre a gestão provisória.

De imparcial Mariana Willeman nada tem: é esposa do ex-vice-presidente Jurídico do Flamengo na gestão Bandeira de Mello, Flavio Willeman (hoje, subprocurador do Estado). O relator Cristiano Lacerda Ghuerren defendeu a não renovação do TPU, mas foi voto vencido.

Parecia que o TCE-RJ estava se esforçando para atrasar o processo, pois, assim, o TPU continuaria sendo renovado em favor dos de sempre. O Flamengo, inclusive, já tinha vendido pacotes de ingressos para os seus jogos no estádio até o fim da temporada – mesmo com o Maracanã sob a concessão precária, cuja validade poderia acabar antes desse prazo.

Certo dia, o TCE-RJ desistiu de criar impedimentos e aceitou a proposta de licitação de Castro, mantendo para 7 de dezembro de 2023 a data limite para a candidatura dos três concorrentes. Em clima de festa, o diretor jurídico do Flamengo, Antônio Panza, e o vice-presidente geral, Rodrigo Dunshee, estiveram presentes no plenário do tribunal.

Na última hora, o desembargador e flamenguista André Emilio Ribeiro Von Melentovytch - associado do Fla, tinha se dclarado, em 2017, suspeito para julgar assuntos do seu clube de coração – indeferiu um mandado de segurança solicitando mais um adiamento do processo licitatório.

Além da fidelidade dos candidatos a governador, o Flamengo mantém relações excepcionais com o outro concorrente na licitação: a Arena 360 - gestora do Estádio Mané Garrincha, em Brasília – uma sociedade anônima fechada cujo maior acionista é o Banco Regional de Brasília (BRB) - dos cinco bancos público nas mãos de unidades federativas -, por coincidência... patrocinador do clube da Gávea.

POLÍCIA FEDERAL

O flamenguista Claudio Castro pode ser outro governador do Rio de Janeiro a conhecer o xilindró. Na última quinzena de 2023, ele teve os sigilos bancário, fiscal e telefônico quebrados pela Polícia Federal, como parte da Operação Sétimo Mandamento, que apura DESVIOS E FRAUDE EM LICITAÇÕES EM CONTRATOS SOCIAIS ENTRE 2017 E 2020, CORRUPÇÃO ATIVA E PASSIVA, LAVAGEM DE DINHEIRO E PECULATO. 

O irmão dele teve a casa visitada: busca e apreensão. 

Os delatores são Marcus Azevedo da Silva, segundo o qual Castro recebeu propina em contratos da prefeitura, como vereador, em 2017. Já Bruno Campos Selem, ex-Servlog, tinha contrato com a Fundação Leão XIII, e disse ao Ministério Público-RJ que, num encontro, em 2019, Castro, então vice-governador de Witzel, teria recebido R$ 100 mil em espécie de Flavio Chadud, o dono da Servlog, em um shopping center na zona oeste – o encontro está registrado por câmeras de segurança.

RUAS ESTREITAS

Os gestores ignoravam itens do TPU para afastar o Vasco do Maracanã. Ao mesmo tempo, São Januário era interditado por longos três meses. Motivo: o preconceito social do juiz de plantão do Juizado dos Torcedores, Marcelo Rubioli, reverberado em outras instâncias. Rubioli: o estádio tem problemas com “disparos de armas de fogo e trafico de drogas na favela próxima, além de torcedores se embriagando em ruas estreitas”.

Ou seja: o Flamengo e Claudio Castro boicotavam o Vasco no Maracanã – só joga apelando à Justiça – enquanto a desembargadora e flamenguista Renata Cotta mantinha o veto a torcedores em São Januário – o time voltaria a jogar lá, mas com o estádio vazio -, inclusive a mulheres, crianças e deficientes físicos. Segundo ela, questão bom senso.


ASSASSINATOS NO NINHO: NINGUÉM PRESO

O filme “O Ninho – futebol e tragédia”, do diretor Pedro Asbeg, em cartaz no NETFLIX, conta a história do assassinato de dez adolescentes no centro de treinamento do Flamengo, em 2019. Quase cinco anos depois, ninguém está preso. Um bom documentário, apesar de certos exageros retóricos em relação ao rival, talvez para contrabalançar ou justificar as críticas. 

 *     *    *

+ Uma semana antes deu problema em um ar condicionado e um técnico foi lá consertar

+ 8\2 às 4h30 o fogo começa

+ BENEDITO FERREIRA (segurança): batiam nas paredes. Ele salvou três

+ DEZ MORTOS (entre 14 e 17 anos)

+ primeiro depoimento do presidente RODOLFO LANDIM: vinte segundos

+ Guarda Municipal, Corpo de Bombeiros e Polícia Civil descobrem irregularidades

+ sem alvará de funcionamento, nem certificados

+ na planta, consta um estacionamento no local

+ prefeitura determinou a interdição em 2017 e já aplicou 31 multas

- CT não tinha aval de três órgãos

+ REINALDO BELOTTI (CEO): Acidente trágico. Não foi por falta de cuidados...

+ a polícia, na 42ª DP - "BENEDITO FERREIRA, você estava dormindo no horário do acontecido?"

+ “Flamengo não barganha com a vida dos meninos!”, debocham os cartolas

+ valor fixo para todas as famílias, chega-se a preparar o documento, tudo certo

+ CÍNTIA GUEDES (defensora pública): “O Flamengo estava disposto, mas trocou de escritório” 

+ RODOLFO LANDIM: “O que a gente não pode é pagar um valor estratosférico que iria afetar tremendamente... 

+ nova reunião no MP-RJ para definir valores

+ RODOLFO LANDIM não vai

+ Foi mais triste do que o enterro do meu filho - MARÍLIA BARROS (mãe de Arthur Vinícius)

+ O vice jurídico, RODRIGO DUNSHEE, aparece sem proposta

+ o advogado flamenguista abre a boca: Daqui a 15 minutos eu tenho outra reunião...

+ CRISTIANO ESMÉRIO (pai de Christian): soco na mesa.

+ mães choram

+ a negociação coletiva é cancelada 

+ AMARO COELHO (perito criminal): Falha no interior do ar condicionado do quarto seis. Super aquecimento, curto circuito no rolamento do motor, atinge a mobília, ganha o ar e ocorre a tragédia

+ VICTOR SATIRO (perito criminal): Desleixo na utilização dos conectores, ligação direta

+ gambiarra

+ e-mails descobertos pelo UOL mostram que dirigentes sabiam de tudo

+ clube alertado pela CDI, firma que repara a parte elétrica

+ sequência de e-mails internos para MARCELO HELMAN, gerente do Ninho do Urubu

+ terreno comprado em 1985

+ obras do CT avançaram na gestão de BANDEIRA DE MELLO (FOTO)

+ sacos de dinheiro

+ inaugurado com pompa

+ um ano depois, na ALERJ: CPI – parentes e cartolas 

+ jogo de empurra entre BANDEIRA DE MELLO e RODOLFO LANDIM

+ RODRIGO DUNSHEE: Eu, como Rodrigo... não me sinto responsável

+ BANDEIRA DE MELLO: É bastante crível que o presidente não soubesse

+ os contêineres, antes de serem alojamento eram academia de musculação

+ arapuca

+ uma só porta de saída e janelas gradeadas

+ CÍNTIA GUEDES quis saber quem instalou as grades e não obteve resposta

+ portas de correr de material que quando esquenta breca

+ sem saída de emergência

+ sem sinalização

+ paredes de painel duplo de aço com preenchimento de poliuretano, um material que libera monóxido de carbono

+ gás

+ aço conduz energia térmica

+ assinatura de BANDEIRA DE MELLO tomando ciência da interdição consta em documentos dos Bombeiros, da prefeitura e do MP-RJ

+ BENEDITO FERREIRA: demitido

+ quase todos os 16 sobreviventes dispensados

+ a torcida se solidariza com as famílias

+ depois, o clube passa a ideia de que se gastar muito deixa de investir e uma parte da torcida passa a ver as famílias como aproveitadoras

+ 2019: Flamengo torrou mais de R$ 250 milhões

+ maioria aceitou acordos ruins

+ Eles foram vencidos pelo cansaço

+ Oito pessoas estão respondendo na Justiça por dez homicídios culposos e três crimes de lesão corporal 


 VASCAÍNOS HERDARAM O PRECONCEITO CONTRA AS TORCIDAS DOS 'TIMES DE FÁBRICA'

Nas primeiras décadas do século XX, o foot-ball era coisa de bacana – o pioneiro é o Fluminense, de 1902 –, e os clubes fundados na zona sul (exceção ao América F.C.), pelos filhos da elite que emergia na recém-proclamada República, logo se organizaram para monopolizar o esporte. Os seus torcedores – brancos e de bons modos; a fina flor – se assustavam com os adeptos dos “times de fábrica”, vistos como desordeiros. A maioria desses times não resistiu à profissionalização (anos 30). A má fama das plateias rompeu o tempo, transfigurada para as torcidas dos “times de subúrbio” – eram várias; hoje, são os vascaínos.

O primeiro encontro entre players e torcedores dos “times da elite” e dos “times de fábrica”, no Bangu x Fluminense, pelo Campeonato Carioca de 1906, foi tão impactante que a recém-criada Liga Metropolitana de Foot-Ball (LMF) seria dissolvida para que surgisse no seu lugar a Associação Metropolitana de Sports Atléticos (LMSA). Regulamento: “A directoria da Liga resolveu, por unanimidade de votos, que não sejam registrados, como amadores, as PESSOAS DE CÔR. (...)” - 22 de maio de 1907.

Dos sete mil habitantes de Bangu, 1.417 batiam ponto na Companhia Progresso Industrial do Brasil. O Paiz: “torcem fervorosamente pelo time da casa”.

Em 1918, Bangu, Carioca F.C., Andarahy e Mavilis eram os “times de fábrica” (ou “operários”) com as torcidas mais vibrantes da cidade. Os jornais – não havia rádio, TV, e internet nem em delírio – as classificavam como “indisciplinados e agressivos batalhões”. Correio na Manhã: “O foot-bal ontem, no Andarahy, acabou em pao”. Às vezes, os fãs do Mavilis agrediam até os juízes. “Brigaram com torcedores do Confiança e do Engenho de Dentro”, contou O Imparcial.

Sobre as condições de mobilidade urbana, João do Rio explicou: “A gente de Botafogo tem só de se dar com a gente de Botafogo [Laranjeiras\Flamengo] e a gente do subúrbio com a gente do subúrbio. As estações de trem da Central do Brasil têm contexto amplo, constatou Olavo Bilac, em A Notícia: “Cada uma tem o seu teatro, o seu parque, o seu cinematógrafo e o seu club”.

A expressão “torcida organizada” nem existia, mas, entre 1917 e 1922, com o Vasco nas segunda e terceira divisões, o time era seguido pelo Grupo do lasca o pau. O português José Paradantas era o líder. O jornalista Álvaro do Nascimento conta, no Jornal dos Sports: “(...) com sol ou chuva, nos campos suburbanos, constituíam a policia de choque a dar garantia e segurança a ‘nossas’ representações (time e torcida)”.

Há noticias sobre a rivalidade entre torcedores do Vasco e do Vila Isabel na segunda divisão: o pau cantou em 1923, com direito a tiros. Os periódicos registravam brigas, como esta: um torcedor do América e outro do Fluminense tomavam caldo de cana, na Praça XI, quando um esfaqueou o outro.

Na revista teatral É da fuzarca, um exemplo do preconceito: “Futebol é um esporte que provoca sururu/ Eu sou lá da zona norte e torcida do Bangu”.

Antes do Flamengo 1x2 Vasco, na Rua Paysandu, em 1928, o Diário Carioca produziu um editorial, no qual escancarava o seu preconceito contra os players e a torcida vascaína, acusando-os de arruaceiros e que a força policial deveria proteger os rubro-negros:

 “(...) Quanto às desordens, que os adeptos do Vasco anunciaram, podemos asseverar aos nossos leitores que elas não se realizarão, por duas razões: a repressão severa, e porque conhecemos os jogadores do clube local, e sabemos de que espécie de gente se compõe o seu corpo de associados, que tem a educação suficiente para não se imiscuir com a torcida anonyma e apaixonada, como é a do Vasco da Gama”. 

Na década de 1930, a imagem do torcedor de clubes da zona norte como violentos é reforçada, e que os estádios da região eram perigosos - construída nos jornais e pelos torcedores dos clubes da zona sul, que, mesmo tendo estádios semelhantes (exceção do Flu e do Vasco), os chamavam de “galinheiros”.

Mario Filho: “Quem entrava em Figueira de Melo tinha de sair pelo corredor, os torcedores do São Cristóvão brandindo bengalas e pedaços de pau (...) os brancos dos outros clubes recebiam cachações na geral, na arquibancada, e no corredor de saída corria até o risco de levar uma navalhada”.

Em 1932, no Olaria x Flamengo, na Rua Bariri, um cartola flamenguista reclamou: “Pedi ao nosso diretor que mandasse guarnecer nosso arqueiro, pois os assistentes lhe arremessavam tudo: pedras, cascas de laranja, garrafas”. Mario Filho: “O time precisava levar seus torcedores, pois não tinha os locais. Cruzavam a cidade em caravana”. 

A elite sentia – e continua sentindo – pela torcida do Vasco – com sua base no subúrbio –  a raiva secular pelos pobres.  

Diário Carioca: “Botafogo e Vasco jogariam na Rua Figueira de Melo quando nos aspirantes (...) a torcida do Vasco (sempre a mesma), não se conformou ante uma decisão do árbitro, Sr. Bolivar Castro, do Fluminense, invadiu o campo e o agrediu (...) como só ela sabe fazer”.

Em 1947, em Teixeira de Castro, no Bonsucesso x Fluminense, a torcida local ficou tão irritada com as lambanças do juiz Alberto da Gama Malcher que perdeu o bom senso: um desvairado acertou um soco nele, que desmaiou e foi levado a um hospital para recompor o malar esquerdo.  

ATUALIZAÇÃO

A visão preconceituosa, manipuladora, em relação à torcida do Vasco atravessou as décadas e chega aos dias de hoje, estando presente na licitação do Maracanã.

Quem não é da zona sul não brinca no parquinho...

Os vascaínos foram os maiores prejudicados com a demolição do velho Maracanã, a construção e privatização da nova “arena”, em 2013, a as licitações – partes de um único projeto macabro: a destruição dos espaços públicos, com a exclusão das classes populares.


FOTO - Revista Careta, 1933.

28 de março de 2024

MARACANÃ: FALTA ÁGUA E SOBRA MENTIRA

Com vários dias de atraso, Flamengo e Fluminense – os gestores provisórios do Maracanã – responderam com mentiras a notificação da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) sobre o tratamento dispensado ao público no jogo Nova Iguaçu 1x0 Vasco, dia 17\3. Pretendia saber se a entrada de garrafas plásticas de água tinha sido liberada e se havia distribuição grátis do produto dentro do estádio.

A FERJ também foi notificada, por ter marcado o jogo para 16h, com a sensação térmica de 62,3º, sendo que as outras partidas da semifinal do Campeonato Carioca ocorreram às 21h (dois Fla-Flus) e 18h30 (Vasco 0x0 Nova Iguaçu). Não houve resposta.

A verdade é que o acesso ao Maracanã com garrafas plásticas de água foi negado em todas as entradas por seguranças contratados pelos coirmãos Fla-Flu e pela PM do governador flamenguista Claudio Castro.

No lado de dentro do estádio, o estoque de copinhos d’água (vendidos a seis reais...) em muitos bares acabou no intervalo para o segundo tempo. Com o risco de insolação fustigando 60 mil torcedores, para muitos a solução era comprar refrigerante ou cerveja.

Filas enormes se formaram diante dos bebedouros e mesmo estes deixaram de funcionar nos setores Norte e Sul: estranhamente, a fonte secou! Vascaínos viam-se obrigados a beber a água sem tratamento adequado nas torneiras dos banheiros.

Ao negar acesso a pessoas com garrafas plásticas d’água, Flamengo e Fluminense deixaram de cumprir a portaria 35, baixada pelo ex-ministro da Justiça, Flavio Dino, e prorrogada por Ricardo Lewandowsky, segundo a qual, além de obrigatória a distribuição (grátis) de água em grandes eventos em que o sol racha o coco, a entrada de garrafas de uso pessoal é livre. 

A portaria foi baixada após a morte de Ana Clara Benevides, de 23 anos, no show da norte-americana Taylor Swift, no Engenhão, devido a uma parada cardíaca por exaustão térmica. 

26 de março de 2024


 

COMO UM POLVO, FLA CONTROLA O SISTEMA


Em nome dos interesses do Flamengo se articula uma rede de facilitadores. 
Como um polvo, seus tentáculos repletos de ventosas abraçam a SUDERJ, a FERJ, a CBF – e suas comissões de arbitragem  o Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ), o Governo do Rio, o Tribunal de Justiça, a ALERJ, o TJD, policiais do BEPE, firmas de marketing esportivo, emissoras de TV etc.

Graças ao Governo federal, o clube dos ricos da zona sul carioca há várias décadas abarrota o cofre com o patrocínio de companhias estatais: Petrobras (LUBRAX) e Caixa Econômica Federal. Hoje, a dinheirama pública vem do Banco de Brasília.

Antes de avançar sobre o Maracanã, usurpando-o de parte da população, o Flamengo fez o dever de casa: loteou a SUDERJ. A ação teve início em 1992, quando Marcio Braga tornou-se presidente da autarquia. Depois, outros cartolas do rival passaram a ocupar o cargo, como Walter Oaquim, Edmundo Santos Silva, Patrícia Amorim e Michel Assef.

Assim como hoje – maltrato aos vascaínos no Maracanã pela dupla Fla-Flu -, os flamenguistas da SUDERJ criaram problemas: Eurico Miranda chegou a registrar queixa na 18ª DP, sobre o desconto de uma taxa. A torcida sofria: em 1993, contra o Botafogo (43.639 pagantes), o acesso teve de ser liberado para evitar confusão e mais de dez mil entraram de graça. Muitos foram embora, pois não havia ingressos e nem bilheteiros. Contra o Fluminense, o quadro móvel foi reduzido, a geral fechou e centenas de vascaínos não puderam entrar.

O fundo do poço o Maracanã conheceu na gestão de Marcio Braga. Na final do Brasileirão de 1992, três torcedores morreram ao cair da arquibancada nas cadeiras. Motivo: as grades de alumínio para contenção tinham os parafusos corroídos pela oxidação e faltavam porcas.

Dispostos a afastar o Vasco, em 2010 os prepostos do Flamengo na SUDERJ aprovam uma portaria que reduz o valor do aluguel para os clubes que mais utilizam o Maracanã – argumento sem lógica, porque os gastos são absolutamente iguais. 

O pulo garantiu a Flamengo e Fluminense - sem estádios adequados, tinham de jogar mais vezes no Maracanã - vantagens financeiras. 

Forçando, de maneira absurda, o Vasco a "carregar o ônus" de ter São Januário.

JUDICIÁRIO

Em 2022, relatório do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) mostrou intensa movimentação de desembargadores em favor do Flamengo em questões judiciais e comerciais. Penhoras evitadas – enquanto rivais eram penalizados – e pareceres obscuros utilizados em fechamentos de negócios. Vários – inclusive o contrato de gestão do Maracanã – foram encontrados, segundo o insuspeito O Globo, no computador do desembargador Campos Vianna: este, atuaria em casos do clube e de seus rivais.

Existe convívio social entre juízes de futebol, desembargadores, promotores, delegados e dirigentes de certos clubes.

POLÍCIA

Um relato:

Antes da eliminação no Campeonato Carioca de 2023, em março, na derrota para o Flamengo, a torcida do Vasco, do lado externo do Maracanã, é atacada por terroristas da Polícia Militar comandada pelo governador flamenguista Claudio Castro. Um carro com PMs na caçamba, bem armados, de pé e usando tocas ninja para se manterem anônimos, passa devagar na Rua Eurico Rabello forçando a passagem. 

Grande concentração de vascaínos. Clima de festa. Os policiais são vaiados e, por lazer, algumas pessoas resolvem jogar pequenos objetos na viatura. 

A reação é tipo sionistas x palestinos: bombas de gás pimenta na multidão, enquanto um covardão fardado abria fogo com balas de borracha. Vários feridos. Todos eram inocentes. O Mad Max sionista da PM foi filmado, mas continua na estrada.

TRIBUNAL DE JUSTIÇA

Em 2019, o Consórcio Maracanã 
 operado pela Odebrecht – foi intimado a se desfazer da gestão do estádio, que, assim, foi repassada ao grupo formado por Lagardère e BWA, e que não estava acordado com o Flamengo. Após muita pressão sobre o governador e ladrão Luiz Pezão (MDB), o golpe aconteceu com a venda cancelada no tapetão do Tribunal de Justiça e a gestão retomada pelo Estado – para, docilmente, repassá-lo aos coirmãos Fla-Flu em nove concessões provisórias sucessivas antes da licitação que agora acontece.

Em 2023, a torcida do Vasco atirou rojões no gramado – sem invasão  e São Januário foi interditado pela Justiça: três meses. Motivo: o preconceito social do juiz de plantão do Juizado dos Torcedores, Marcelo Rubioli, reverberado em outras instâncias. Diz Rubioli que o estádio tem problemas com “disparos de armas de fogo e trafico de drogas na favela próxima, além de torcedores se embriagando em ruas estreitas”. 

O ponto de vista bizarro foi acatado pelo desembargador Fernando Foch. O clube recorreu e obteve nova derrota para os aporofóbicos, que mantiveram os vascaínos longe graças a Carlos Santos de Oliveira e à flamenguista Renata Cotta. O jeito foi recorrer ao STF, em Brasília. Quando estava prestes a fazê-lo, o Ministério Público-RJ ofereceu um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC).

Ao mesmo tempo em que o Flamengo e o governador Claudio Castro impediam o Vasco de atuar no Maracanã – só apelando à Justiça  a desembargadora Renata Cotta vetava São Januário até para mulheres, crianças e deficientes físicos. Segundo ela por... bom senso.

OPERAÇÃO SÉTÍMO MANDAMENTO

Na última quinzena de 2023, os sigilos bancário, fiscal e telefônico do governador e flamenguista Claudio Castro foram quebrados, na Operação Sétimo Mandamento: APURA DESVIOS E FRAUDE EM LICITAÇÕES EM CONTRATOS SOCIAIS ENTRE 2017 E 2020, CORRUPÇÃO ATIVA E PASSIVA, LAVAGEM DE DINHEIRO E PECULATO. O irmão dele teve a casa visitada: busca e apreensão. Delatores: Marcus Azevedo da Silva diz que Castro recebeu propina em contratos da prefeitura, como vereador, em 2017. Já Bruno Campos Selem, ex-Servlog, tinha contrato com a Fundação Leão XIII, e disse ao MP que, num encontro, em 2019, Castro, então vice-governador, teria recebido R$ 100 mil em espécie de Flavio Chadud, o dono da Servlog, em um shopping na zona oeste – o encontro estaria registrado por câmeras de segurança.

TCE-RJ

Na véspera da licitação do Maracanã, em outubro de 2022, o Vasco surpreende ao entrar na disputa, através do “Consórcio Maracanã para Todos” - de longe, a melhor proposta. Eis que o conselheiro do TCE-RJ e flamenguista Marcio Pacheco surpreende mais ainda e trava a licitação. Subitamente, itens do edital se tornaram inadmissíveis. A conselheira do TCE e flamenguista Mariana Willeman pediu vista e solicitou a manutenção da tutela provisória para Fla-Flu, rejeitando o pedido do Vasco. Mariana é esposa do ex-vice Jurídico do Flamengo na gestão Bandeira de Mello, Flavio Willeman (hoje, subprocurador do Estado). Num certo dia ela resolveu acolher a proposta do governador e flamenguista Claudio Castro e o processo licitatório teve prosseguimento.

CBF

Por coincidência, o Flamengo é o mais favorecido pelos árbitros e a empresa que os patrocina (desde 2012) – e os bandeirinhas  em jogos da CBF é a SKY – cujo dono\presidente era Luiz Eduardo Baptista, o presidente do Conselho de Administração e ex-vice-presidente de Marketing... do Flamengo! Juízes ganhavam da SKY pela CBF. O contrato entre a SKY e a CBF foi intermediado pela Klefer, do flamenguista Kleber Leite. A mesma operadora de TV, a SKY, patrocinou o rival do Leblon, em 2011\2012 e entre 2013 e 2015.

A CBF foi presidida entre 1989 e 2012 pelo flamenguista Ricardo Teixeira, cujo padrinho (e sogro) era o tricolor João Havelange, ex-presidente da CBD (1958 a 1975) e da FIFA. Ambos são vilões em casos de corrupção.

TELEVISÃO

Acabar com a negociação coletiva lidando pessoalmente com a TV Globo – flamenguista até a medula – foi das maiores conquistas da história do rival. Para chegar lá foi necessário implodir o Clube dos Treze em 2011 e o seu fundador, Eurico Miranda. O Vasco, que recebia a maior cota – juntamente a Flamengo, Corinthians, Palmeiras e São Paulo – caiu para quinto. Hoje, nem isso.

MARKETING

Os “grandes” sempre ganharam cotas iguais no Campeonato Carioca. Até a FERJ acertar com a BRAX – e tudo muda. Em 2024, pelo segundo ano, ela ofereceu ao Flamengo uma proposta mais vantajosa pela transmissão de seus jogos. Todos concordaram, mas o Vasco – com toda a razão – sempre recusa a indecência. Neste ano, fechou com o SBT, com o SporTV e com a Cazé TV, no youtube

Sobre a BRAX – agente ativa pró-Flamengo -, tem como fundador e presidente Bruno Rodrigues (tenta normalizar o anormal), que é filho do radialista e flamenguista histórico Washington Rodrigues, da Rádio Tupi.

23 de março de 2024


BREVE HISTÓRIA DA PRIVATIZAÇÃO

DO MARACANÃ - OS VAMPIROS 


Los Angeles Memorial Coliseum e Estádio Olímpico de Roma estão entre os muitos grandes estádios do planeta administrados por governos. Assim era o Maracanã, de 1950 a 2013, ano em que os vampiros neoliberais, em favor dos coirmãos Fla-Flu e com a ajuda do ex-governador (ladrão) Sérgio Cabral Filho (PMDB), conseguiram privatizá-lo – nome de fantasia: “parceria público-privada”. O Maracanã original, o “maior do mundo”, foi demolido a partir de 2010, e, no lugar dele, surgiu uma arena de porte médio.

O sucateamento das estatais marcou a década de 1990, com políticos inescrupulosos e suas teorias de privatizações. O Maracanã entrou na mira deles. A primeira tentativa foi em 1992, na gestão do ex-governador Marcello Alencar (PSDB). Com a tragédia ocorrida na final do Brasileirão – Flamengo 2x2 Botafogo – para muitos a degradação parecia algo sem solução.

O cartola flamenguista Marcio Braga (PSDB) era o presidente da SUDERJ quando o Maracanã chegou no fundo do poço. Foi na gestão dele que a grade da arquibancada cedeu e dezenas de torcedores ficaram pendurados. Outros caíram nas cadeiras. Três mortos. Isso porque as grades de alumínio estavam sem manutenção, havia parafusos corroídos pela oxidação e faltavam porcas.

A proposta do botafoguense Alencar era derrubá-lo, para que um novo estádio e um shopping center fossem levantados e oferecidos na bandeja à iniciativa privada, seguindo os modelos de higienização\elitização em moda na Europa (na Inglaterra, para conter os hooligans).
 
Esfriou em 1997, devido ao fracasso da candidatura do Rio para sediar os Jogos Olímpicos de 2004.

Após esta primeira tentativa, os vampiros sumiram no breu, nas gestões dos ex-governadores Anthony Garotinho (PDT\PSB) e sua mulher, Rosinha Garotinho (PMDB). Já com o Cabral no poder, voltam sedentos por sangue: Flamengo, Fluminense e CBF – garantia 70% dos jogos da Seleção Brasileira no estádio - unidos pela gestão do templo.

Mas havia um problema: ao contrário da argumentação neoliberal na década de 1990, dessa vez não era possível alegar que o Maracanã devia ser privatizado por estar sucateado, após duas reformas milionárias com dinheiro público. A última, para adaptá-lo aos Jogos Pan-Americanos. 
 
Sergio Cabral esperou por dias melhores (não para o povo), e, logo, chegaram com os mega eventos: entre 2006 e 2007, a FIFA e o COB escolheram o Brasil como a sede da Copa do Mundo de 2014 e o Rio, dos Jogos Olímpicos de 2016. Não custou para ele anunciar a intenção de privatizar o estádio – após a Copa, e a criminosa demolição nem sequer era cogitada...

Em 2012, enfim, é aberta a licitação – dois anos antes do previsto e com a demolição já em andamento. O consórcio formado por Flamengo, Fluminense e CBF desponta como favorito. A hora exata, o dinheiro, a influência, a indulgente omissão da classe política e da sociedade. Pressão da mídia – a FlaPress... Na última hora seria cancelada porque Cabral, ardiloso, vetou clubes e entidades esportivas, seguindo uma recomendação jurídica.

Não demorou a que Regis Fichtner, o secretário da Casa Civil, anunciasse a abertura de um novo processo licitatório, em 2013. Mentiu o canalha: “Não queremos que seja do clube A ou B. Não faz sentido”.

Dois consórcios credenciam-se: o “Maracanã S\A”, das brasileiras IMX, Odebrecht e AEG – a preferida de Cabral e da dupla Fla-Flu, e com vitória assegurada - e o “Complexo Esportivo e Cultural do Rio”, da OAS, da holandesa Stadion Amsterdam e da francesa Lagardère Unlimited.

A oferta vitoriosa foi de R$ 5,5 milhões\ano, em 33 parcelas. Total: R$ 181,5 milhões.

O Consórcio Maracanã S\A (Odebrecht: 90%, IMX Holding S\A: 5% e AEG: 5%) ao restituir aos cofres públicos R$ 5,5 milhões\ano por 33 anos — com isenção nos dois primeiros , totaliza R$ 181,5 milhões, uma fração do R$ 1,2 bilhão gasto na construção da nova “arena”. 

A IMX Holding S/A pertencia ao empresário (ladrão) Eike Batista. Apresentou a Cabral um estudo de viabilidade da “Arena Maracanã”, segundo o qual o lucro do consórcio vitorioso poderia alcançar R$ 1,4 bilhão até 2048 – hoje, um favorecimento imoral aos coirmãos Fla-Flu.

Eike havia doado R$ 750 mil à campanha de Cabral ao governo.

Rodolfo Landim, o presidente do Flamengo, era um amigo e grande executivo nas empresas de Eike Batista. O cartola flamenguista, hoje em dia, responde na 10ª Vara Criminal por gestão fraudulenta de um endinheirado fundo de pensão.    
 
SEM INTERMEDIÁRIO

Em 2017, em meio às denúncias de corrupção da Lava Jato e aos prejuízos financeiros na “Arena Maracanã”, a Odebrecht desistiu do negócio, repassando-o ao Governo do Rio. A relação do Consórcio Maracanã S/A com o Fla-Flu era conflituosa, inclusive em relação a um empréstimo. Enquanto os coirmãos pretendiam administrá-lo sem intermediário, o governador (ladrão) Luiz Pezão (PMDB) descartou a sua reestatização através da SUDERJ.

A roubalheira na construção da “arena” e na privatização da mesma era escancarada. Cabral estava preso. Executivos da Odebrecht também, como os fiscais das contas públicas que não contestaram a licitação de 2013. O STJ determinou a prisão de cinco conselheiros do Tribunal de Contas Estadual (TCE-RJ), por propina, inclusive o presidente, Jonas Lopes – pediu dinheiro para aprovar o edital de concessão do Maracanã.

Até 2019, o TCE-RJ tinha engavetado 21 dos 22 processos de investigação. 

Com o cenário indefinido, o rival investia na chantagem: sem nós, o que será do Maracanã?... Em maio de 2018, o prefeito Marcelo Crivella (REP) autorizou o Flamengo a construir um estádio para 25 mil pessoas, na Gávea. Em setembro, o clube acertou a opção de compra de um terreno no Caju. 

O ano de 2018 começa com o Governo do Rio avaliando lançar um novo edital.

Antes disso, o inesperado aconteceu: em 2019, o Tribunal de Justiça-RJ obriga o Estado a vender o Maracanã – e que caberia ao Consórcio Maracanã S/A  operado pela Odebrecht  decidir com quem iria fechar o negócio e repassar a gestão. Optou pelo grupo formado por Lagardère – derrotada na licitação, fraudulenta, de 2013  e BWA, e que estava em desacordo ao projeto monopolista do Flamengo.

A Lagardère, francesa, nem desconfiou que contrariava o sistema de forma ostensiva.

Imediatamente começou a pressão – implacável – sobre Pezão, exercida pelo presidente Eduardo Bandeira de Mello (PSB), pela subsecretária municipal do Legado Olímpico, Patrícia Amorim (PMDB) e outros. Tudo isso com a SUDERJ loteada há décadas pelos cartolas do Flamengo e seus prepostos.

As ações, obviamente, resultaram em golpe, com a venda à Lagardère cancelada pelo Governo do Rio. Na verdade, foi a empresa francesa que desistiu, ao se deparar com os inúmeros problemas burocráticos e judiciais criados pelo rival para sabotar a transação. 

A gestão foi retomada pelo Estado em 2019 para organizar uma nova licitação (que só agora, em 2024, acontece).

O ex-governador Wilson Witzel (PSC) e o atual, Claudio Castro, fãs entusiasmados do clube dos ricos da Gávea, sistematicamente, passaram a renovar a concessão precária – semestral – aos coirmãos Fla-Flu.



GESTORES DA ARENA ESNOBAM PORTARIA

Ao negar aos vascaínos o acesso ao Maracanã com garrafas plásticas de água – sensação térmica de 62,3º - Flamengo e Fluminense, os gestores provisórios do estádio, deixaram de seguir a portaria 35, de 24\11\2023 e válida por quatro meses, pela qual, além de obrigatória a distribuição grátis de água em grandes eventos em que o sol racha o coco, a entrada de garrafas de uso pessoal é livre. A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) notificou os coirmãos e, também, a FERJ, na última quarta-feira (20\3): quer saber por que no jogo Nova Iguaçu 1x0 Vasco (17\3), 62 mil torcedores foram expostos a riscos à saúde.

Nos bares, o copinho d’agua era seis reais, com o lucro para os coirmãos da zona sul em prejuízo do Nova Iguaçu, o mandante do jogo e que, por contrato, deveria ficar com a bolada.

A portaria 35 foi baixada pelo então ministro da Justiça, Flavio Dino, logo após a morte de Ana Clara Benevides, de 23 anos, no show da estadunidense Taylor Swift, no Engenhão - passou mal com as altas temperaturas até sofrer parada cardíaca por exaustão térmica. 

A Senacon remeteu três perguntas aos gestores e aguardou a resposta deles em 48 horas – isso não aconteceu.

1) “Está sendo autorizado que os torcedores (consumidores) entrem no estádio portando garrafas de água para sua própria hidratação?"; 

2) "Estão sendo disponibilizados aos torcedores (consumidores) bebedouros ou distribuição de embalagens com água adequada para consumo, de fácil acesso a todos?"; 

3) "Qual é a razão para que o último jogo da semifinal entre os clubes Vasco da Gama e Nova Iguaçu ter ocorrido às 16h (de Brasília), sendo que as outras partidas aconteceram às 21h (dois jogos entre Flamengo e Fluminense) e 18h30 (primeira partida entre o Vasco da Gama e Nova Iguaçu)?". 

Quarta-feira (20\3) passada, o ministro da Justiça Ricardo Lewandowsky prorrogou a portaria 35 por quatro meses. Deputados estão negociando no Congresso para transformá-la em lei.