A relação promiscua entre o Banco Master, o BRB (Banco de Brasília), o Flamengo, o empresário Daniel Vorcaro e os governadores Cláudio Castro (PL-RJ) e Ibaneis Rocha (MDB-DF) começa a ser desvendada. Na última sexta-feira (22\5), a juíza Sandra Cristina Candeia de Lima, da 6ª Vara da Fazenda Pública do Distrito Federal, acolheu ação popular e suspendeu o patrocínio de R$ 42,6 milhões\ano entre o BRB e o clube (renovado em 16\5\2026) por burlar a moralidade, o princípio da impessoalidade e lesar os cofres públicos.
A sentença não é definitiva. A magistrada explicou que a vara de Fazenda é incompetente para julgar e mandou a ação ser redistribuída em uma vara cível de Brasília para avaliação do mérito. Mas proibiu o repasse de dinheiro por temer que ele pudesse desaparecer até o julgamento do processo.
Antes da renovação do patrocínio, em abril, o Flamengo conseguiu receber 50%: R$ 21,1 milhões que foram de maneira gentil e suspeita adiantados pelo BRB, enquanto o banco vivia gravíssima crise financeira. Ou seja, quando a Justiça bloqueou a sangria metade do dinheiro não estava mais nos cofres do banco.
A pressa em receber e a presteza em pagar é incomum no mundo dos negócios, especialmente quando se trata de milhões. O banco, uma sociedade de economia mista controlada pelo governo do Distrito Federal, estranhamente se recusa a mostrar publicamente o contrato de patrocínio alegando sigilo comercial.
Um oficial de Justiça esteve três vezes na Gávea, nos dia 27 e 29 de abril e 2 de maio, para notificar o Flamengo sobre a ação que corre em Brasília e não foi recebido. Enquanto isso, o presidente do clube, Luiz Eduardo Baptista (BAP), o presidente do BRB, Paulo Henrique Costa e o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB-DF) sabiam que dias ruins estavam por vir.
POLÍCIA FEDERAL
Assim aconteceu quando a Polícia Federal botou em ação a “Operação Compilance Zero”. Paulo Henrique Costa (FOTO), que avalizava os contratos com o Flamengo, está preso. O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, também. Não veem a hora de fazer a delação premiada e ir para suas mansões ou voar em seus jatinhos. Costa admite ter sido subornado para investir no Banco Master, quase quebrando o BRB para botar em ação, com Vorcaro, a maior fraude bancária da história do Brasil.
Na ponta deste iceberg de tramoias, o BRB adquiriu do Banco Master R$ 12,2 bilhões em créditos inexistentes. Quis comprar uma parte do banco, mas teve sua pretensão recusada pelo o Banco Central. Até que o Banco Master faliu de vez, sendo liquidado em novembro de 2025 pelo Banco Central, o que não impediu Vorcaro de investir R$ 134 milhões em um filme sobre o ex-presidente da República Jair Bolsonaro.
Constatou-se que 36 empresas pediram empréstimos fictícios desviando R$ 11,5 bilhões através de fundos administrados pela REAG Investimentos. Crimes: corrupção, lavagem de dinheiro, evasão de divisas, organização criminosa, emissão de títulos de crédito, gestão fraudulenta, manipulação de mercado e outros.
BLINDAGEM
O BRB repassa dinheiro ao Flamengo desde 2020 — R$ 40 milhões\ano —, inclusive para a base, o futebol feminino e outros esportes. Uma parceria tão estreita que resolveram lançar um banco digital juntos: o “Nação BRB Fla”. Quando os crimes bancários do parceiro foram descobertos, o clube deu início a uma operação de distanciamento daquele que um dia já foi o patrocinador máster na camisa dos jogadores.
Hoje nem estampa sua marca, trocando-a por “nação” e “fla” em cada ombro. Se o clube que é o principal beneficiado escondeu a marca do patrocinador (seja ele do banco físico ou online), por que o patrocinador ainda não desistiu do contrato!?
Recentemente, o Flamengo tirou seu representante do conselho gestor do Nação-BRB Fla, para abrandar a relação na tentativa de não partilhar qualquer responsabilidade pelos golpes aplicados pelo BRB e pelo Banco Master.
O Nação-BRB Fla possui cerca de três milhões de contas ativas.
Para o clube e os torcedores parece uma boa. Para o banco, uma catástrofe: é contra indicado emprestar dinheiro aos flamenguistas, por crédito pessoal ou no cartão. Em novembro de 2023, acumulava o prejuízo de R$ 433 milhões. Motivo: milhares de caloteiros pegaram empréstimos e simplesmente desistiram de pagar as parcelas.
RIO PREVIDÊNCIA
Responsável em 2025 pela licitação do Maracanã com fortíssima suspeita de fraude — AINDA NÃO INVESTIGADA PELA POLÍCIA FEDERAL — para favorecer Flamengo e Fluminense (e prejudicar o Vasco), Claudio Castro entrou na mira da “Operação Sem Refino”, da Polícia Federal. Por isso foi visitando em casa, na última semana, por agentes que investigam outro esquema bilionário de fraudes fiscais e ocultação de bens, não do Banco Master e sim da REFIT, cujo dono é o empresário Ricardo Magro, um foragido da Justiça brasileira residente em Miami, Estados Unidos.
A Rio Previdência, autarquia responsável pelas aposentadorias dos servidores do Estado do Rio de Janeiro, se envolveu com o Banco Master injetando R$ 2,6 bilhões na REAG Investimentos, mesmo depois de Claudio Castro ter sido alertado pelo TCE-RJ sobre o risco deste negócio para os idosos. Também botou dinheiro da CEDAE (R$ 200 milhões).
A relação entre o ex-governador, o Flamengo e o Banco Master está longe de se limitar a dinheiro em fundo podre. Na final da Copa Libertadores de 2025, o político — inelegível pelo TSE até 2030 — fez questão de estar presente para ver seu time de coração, tendo voado a Lima na companhia da primeira-dama em um jatinho da Prime, firma de aviação cujo dono é Vorcaro.
Castro diz que o conhece de vista, dos congressos internacionais, e nega qualquer relação com ele, apesar de o investimento bilionário da Rio Previdência no Banco Master ter sido em sua gestão no Palácio Guanabara.
Também diz que não sabia ser o banqueiro um dos donos da Prime, afinal o convite para viajar partiu do advogado Willer Tomaz, um amigo, que já trabalhou em seu gabinete. Tomaz, inclusive, chegou a ser preso em 2017 por suspeita de intermediar o repasse de propina a um procurador da República.
DEBOCHE
Vasco e Flamengo se enfrentaram em Brasília pelo Campeonato Brasileiro de 2019, com vitória flamenguista. O então governador Ibaneis Rocha resolveu debochar, em mensagem disseminada nas redes sociais: “Hoje, o Vasco mostrou ser um time que merecia ter se mantido na segunda divisão. Subiu não sei por qual motivo. E agora, nós flamenguistas de coração, vamos o fazer descer novamente para o lugar onde jamais deveria ter saído”.
Gravou um vídeo se desculpando como sempre acontece nessas horas – a obscura e contestada relação comercial entre o BRB e o rival só tornou-se realidade por iniciativa dele.
Por enquanto Ibaneis Rocha, candidato a senador, está livre de culpa por um suposto envolvimento nos crimes do BRB com o Banco Master. Para a Justiça, a conta é toda de Paulo Henrique Costa, o ex-presidente do banco brasiliense.
O ex-governador do Distrito Federal chegou a responder a inquérito e ser afastado do cargo por 60 dias, acusado de omissão dolosa na tentativa de golpe de estado de 8 de janeiro de 2023. Na época, a conta sobrou para os comandantes da Polícia Militar-DF.
DESCONHECIDO
Outro no jatinho para conferir a final da Libertadores-25 era o senador Weverton Rocha (PDT-MA), alvo de mandado de busca e apreensão na “Operação Sem Desconto”, da Polícia Federal, por envolvimento no esquema que desviou R$ 6,3 bilhões do INSS através de descontos irregulares do dinheiro recebido por aposentados e pensionistas entre 2019 a 2024.
Weverton Rocha também viajou a convite de Willer Tomaz. Como Ibaneis, Castro e outros, Rocha é flamenguista doente
e não conhece Vorcaro...






