DOSSIÊ FLAMENGO:
DNA E MUTRETAS DO CLUBE DO FAIR-PLAY (1895 - 2026)
O tema é inesgotável porque não existe clube tão favorecido pelo sistema quanto o Flamengo. A vocação para o golpe vem de berço: fundado em 17 de novembro de 1895 com as cores azul e dourado, os pioneiros mudaram a data para 15 de novembro para coincidir com o feriado da Proclamação da República. Um ano depois passou a usar as cores atuais. Nasceu como “Grupo de Regatas” e virou “Clube”. Na década de 1960 trocou até de mascote, Popeye – um marinheiro branco que se droga com verduras – foi embora e surgiu o Urubu. Certas coisas não mudam: o ódio e as sabotagens ao Vasco.
1898. AS ORIGENS
Iniciativa de pequenos comerciantes e assalariados, quase todos portugueses, o Vasco é fundado num sobrado emprestado na Rua da Saúde, 127 (hoje, Sacadura Cabral), zona portuária. Nei Lopes: “No lugar e no momento em que se gestava o melhor da cultura carioca, com sua música, sua dança, sua religiosidade. (...) moravam perto Hilário Jovino, fundador do primeiro rancho carnavalesco, célula-mãe das escolas de samba; os pais de santo João Alabá e Cipriano Abedé, a partir dos quais se estabeleceram os fundamentos dos primeiros candomblés da Bahia; Tia Perciliana, mãe de João da Baiana, um dos pais da MPB”.
Três anos antes (1895), cinco estudantes ricos, filhos da elite (aborrecidos com os remadores do C. R. Botafogo que andavam cortejando as moças do bairro) se encontraram num restaurante no Largo do Machado (Lamas), na Zona Sul, para fundar o Flamengo. Décadas depois, os dois clubes de remo iriam mudar de endereço: um para São Januário, outro - o “popular” - para a Lagoa.
1899. AS CORES
Os fundadores do Vasco homenagearam o 500º aniversário da chegada de Vasco da Gama às Índias: o preto é o mar desconhecido e bravio, a faixa branca é a rota do almirante. A Cruz de Cristo – chamada de Cruz de Malta – é a da cristandade usada pelos aventureiros. No Flamengo, as cores da bandeira são apenas elas mesmas.
1899. O PIER
No final do século XIX, às vezes os flamenguistas usavam o píer da presidência da República para lançar seus barcos na Baía de Guanabara (onde as competições aconteciam, e não na Lagoa Rodrigo de Freitas) devido à proximidade entre o Palácio do Catete e a sede do clube. Desde então, o rival se acha no direito de obter favores públicos. Do interventor Pedro Ernesto a Claudio Castro, eles foram muitos.
1902. QUERIDO
RIVAL
Até 1911, havia sócios de ambos (Flamengo e Fluminense). Em 1902, flamenguistas - inclusive o presidente - assinaram a ata de fundação do Fluminense. Em 1905 e 1906, tiveram o mesmo presidente: o inglês Henry Walter. O futebol rubro-negro nasceu na Rua Paysandu, num campo arrendado à família Guinle, tricolor, vizinho às Laranjeiras. Lá o Flu estreou. O Fluminense era cinza e branco e a assembleia que definiu a troca pelo tricolor foi no salão do C.R. Flamengo.
Os flamenguistas ajudaram a fundar o coirmão e os tricolores criaram o futebol do Flamengo, capitaneados por Borgerth, remador do Fla e jogador do Flu. Uma relação secular como é o repúdio ao Vasco, características presentes na licitação do Maracanã (2024), vencida pela dupla preferida dos ex-governadores Wilson Witzel e Claudio Castro.
1904. O PRESIDENTE NEGRO
O Flamengo, em 135 anos de existência, teve 67 presidentes e nenhum era negro. Todos ricos ou quase isso. O Vasco fez do professor Candido José de Araújo, o Candinho, o primeiro negro a exercer tal função num clube esportivo do Rio de Janeiro, 16 anos após a abolição da escravatura.
1907. O PRIMEIRO GOLPE
Os clubes da elite (Flamengo, Botafogo e Guanabara) aprovaram na Federação Brasileira das Sociedades de Remo (FBSR) uma reforma que excluía os remadores de certas classes de trabalhadores, prejudicando o Vasco. Eles não engoliam a derrota para um clube de raízes lusitanas, de pequenos comerciantes. O remo não se restringia aos atletas ricos, como no “moderno” foot-ball.
1910. AS GARAGENS
O Flamengo tinha sede e garagem dos barcos num casarão em área nobre (Praia do Flamengo, 66, onde há um moderno edifício). A sede pioneira do Vasco era um barracão na Ilha das Moças, na Praia Formosa, Gamboa, aterrada em 1907 (hoje, Cais do Porto). As do Largo da Imperatriz e da Travessa Maia demolidas na Reforma Passos (hoje, Praça Mauá). Por fim, a sede da Rua Santa Luzia, nos anos 40, sumiu com a inauguração da Avenida Presidente Vargas.
1911. OVO DA SERPENTE
Campeão Carioca, o Fluminense fica na pior quando Albert Borgerth se revolta e vai para o Flamengo. Com ele, nove jogadores se envolvem no ato de traição que resulta na criação do departamento de foot-ball do clube rubro-negro, antes dedicado à prática do remo sem jamais ter sido campeão carioca. O ricaço Borgerth – seu pai era advogado de dom Pedro II – virou médico tempos depois.
1914. O REMADOR
O sucesso do Vasco no remo incomodava (o esporte mais popular até metade dos anos 10 – os jogos eram aos sábados, para não concorrer com as regatas). Sob a alegação de que Claudionor Provenzano não era amador, a FBSR tentou exclui-lo. Não tinha a boa vida dos rivais da Zona Sul e recebia uma pequena ajuda de custo. Tudo para enfraquecer os clubes do Centro: Já tinha sido excluído em 1912 quando estava no Boqueirão do Passeio, mas dessa vez foi bem defendido. Tornou-se o melhor atleta da temporada.
1914. ALTA CLASSE
O Flamengo é o campeão carioca de futebol pela primeira vez. Dos 11 titulares, todos brancos, nove estudam Medicina, um cursa Direto e outro não estuda, mas é rico, ou não teria sido aceito no Fluminense e nem estaria no meio dos rubro-negros. O futebol refletia ordem social rígida na República Velha, sendo impossível a um pobre, ou semianalfabeto, competir (ou até conviver) com um futuro doutor.
1915. RUA PAYSANDU
Com 500 associados (todos brancos), o Flamengo inaugura seu estádio de foot-ball – arrendado aos Guinle, uma multimilionária família de tricolores – na Rua Paysandu, vizinho às Laranjeiras: tudo em casa.
1915. SANGUE BOM
O Flamengo é bicampeão carioca favorecido pela arbitragem e nos bastidores: 2x2 contra o Rio Cricket, mas ganha no tapetão, pois um adversário não estaria inscrito. Correu o boato de que o América entregaria o jogo para o Fla e teve um... gol-contra. Já o Flu batia o América por 2x1 quando W. Tulk anulou um gol rubro, o gramado foi invadido e Tulk, coagido, o validou. Mas o jogo foi remarcado para após a última rodada, quando o América - mesmo longe do título - venceu por 5x3 e trocou o campeão, que, no empate, teria sido o Flu.
1915. LEI HOUR-CONCOURS
Com a impossibilidade de serem campeões de remo, Flamengo, Botafogo e Guanabara aprovam uma das leis mais antiesportivas da história, a Lei “Hour-Concours”, que exclui da prova que decide o título carioca (yole-8) remadores com dois ou mais títulos. Só os campeões foram atingidos, em particular o tricampeão Vasco. Na cara-de-pau, o Fla pediu emprestada aos vascaínos a yole-8 bicampeã Pereira Passos, elegantemente cedida ao (futuro) rival, que ficou em 2º lugar.
1916. QUARTA DIVISÃO
O Vasco inaugurou seu departamento de futebol para disputar a 4ª divisão do Campeonato Carioca da Liga Metropolitana de Sports Atheticos (LMSA). Diferente do Flamengo, que cinco anos antes estreou diretamente na 1ª divisão da mesma LMSA, graças à intervenção do Fluminense, o dono da bola.
1919. GRADIM
No Campeonato Sul-Americano, nas Laranjeiras, só um jogador negro: Gradim, do Uruguai. Com o Vasco na 2ª divisão só havia brancos de boa família na Seleção Brasileira (três do Flamengo). A escravidão fora abolida havia três décadas e o racismo ditava normas. Em homenagem a este pioneiro, o Vasco teve o seu Gradim, campeão como jogador (1934) e treinador (1958). “Em campo eu só briguei duas vezes e sempre em jogos contra o Flamengo”, lembrou à revista Placar, em 1977.
1920. SÓ DE BINÓCULO
Jogadores e torcedores de Flamengo e Fluminense eram amigos, iam aos mesmos lugares e tinham os mesmos preconceitos. Mario Filho: “O Flamengo até poderia ter algum preto no remo ou no basquete, jamais no futebol. Os barcos ficam longe, e nas regatas nem é possível reparar a cor da pele dos remadores. No futebol, não”.
1921.
PRAIA VERMELHA
Correio da Manhã: em 1921, deputados tramaram para que o Flamengo
recebesse do Governo federal um empréstimo para a construção do seu estádio. “O
stadium da Praia Vermelha, com piscina monumental, será em breve uma esplêndida
realidade”. O jornal considerava a iniciativa de interesse nacional: “Os
poderes públicos o desoneraria (...), permitindo-lhe iniciar entre nós a
cultura física”. Deu errado porque o lugar é uma área militar e o Ministério da
Guerra os detonou.
1923.
ANALFABETO, NÃO
No primeiro Flamengo x Vasco, o clube rubro-negro se preocupa com a torcida
vascaína, os “maus modos”, e solicita reforço policial na Rua Paysandu. Placar: Vasco 3x1, proeza inaceitável
para os que se julgavam super bacanas. Por isso o Flamengo tentou reaver os
pontos no Conselho da LMDT alegando que o rival teria escalado um analfabeto
(Nicolino) – proibido pelo regulamento -, mas o placar acabou sendo mantido.
Nem o Flu era tão preconceituoso.
1923. BEABÁ DA VERGONHA
O Vasco convoca o professor de Língua Portuguesa Custódio Moura para dar aulas de caligrafia. No livro O Negro no Futebol Brasileiro, Mario Filho conta: “A papelada de inscrição tornou-se um exame de primeiras letras (...)”. Os pobres – especialmente os negros – eram quase sempre analfabetos e era a forma de mantê-los afastados. Aulas particulares não bastaram para Leitão, Paschoal, Torterolli e Mingote e eles foram matriculados numa escola na Rua da Quitanda.
1923. SANTA INQUISIÇÃO
Os clubes da elite não engoliam a campanha invicta do Vasco em sua estreia na 1ª divisão do Campeonato Carioca, com seus players negros, mulatos e brancos pobres recrutados na Liga Suburbana. Como reação, eles formaram uma comissão de sindicância na LMDT da qual fazia parte Diocesano Ferreira Gomes, do Flamengo, com a missão de provar que os jogadores vascaínos eram “profissionais”.
1923. A HORA DO POVO
O Vasco é o primeiro com jogadores (e torcida) pobres a bater os times da elite. Era titular o taxista Nelson Conceição, o estivador Nicolino, o pintor de paredes Ceci, o motorista de caminhão Bolão etc. O São Cristóvão (1926) e o Bangu (1933), que também romperam a bolha e foram campeões, não conseguiram se firmar como “grandes”.
O sucesso do Vasco foi o estopim para uma revolução no futebol brasileiro tão marcante quanto o negro Jack Johnson nocauteando o branco Tommy Burns, em 1908. Antes, o boxe era segregado. A mudança operada encontra paralelo com Jessé Owens calando o Estádio Olímpico de Berlim em 1936, repleto de nazistas.
1923. TORCIDA ARCO-ÍRIS
Contra o Flamengo, na penúltima rodada, torcedores dos “grandes” se uniram nas Laranjeiras, e o Vasco perdeu (a invencibilidade) por 3x2 (o juiz Carlito Rocha, do Botafogo, anulou um gol legal vascaíno). Confusão na arquibancada e o Flu cobra o Vasco pelos estragos. Aí os flamenguistas saíram em uma caravana de mais de cem automóveis para vandalizar símbolos da colônia portuguesa. Tacaram bombas na Cervejaria Vitória. De madrugada, um tamanco e uma coroa funerária foram deixados em frente à sede, na Rua Santa Luzia.
1923. MAUS PERDEDORES
Os vascaínos, numa grande comitiva de automóveis com morteiros, flamulas e bandeiras vão à sede do Flamengo oferecer um arranjo de flores, mas os remadores do rival fecham a sede\ garagem e os recebem arremessando pedras e telhas do telhado de um colégio vizinho.
1923. TRÊS PRECONCEITOS
Primeiro eles acharam graça. Mas o deboche virou despeito e a carreata flamenguista, longe de ser uma brincadeira inocente, é puro preconceito. A perseguição ao Vasco teve caráter mais amplo do que se divulga hoje em dia, sendo ao mesmo tempo de viés racista, elitista e xenófobo contra a “maldita” tríade preto-pobre-português.
1923. O CONTEXTO
Enquanto se põe abaixo o Morro do Castelo, símbolo da cidade atrasada, pobre e luso-africana para dar lugar ao “futuro” surge um time de foot-ball, o esporte símbolo da modernidade, com a imagem que a elite tenta sepultar. Imigrantes portugueses, em 1920, eram 172.338 (14%) na população de 1.157.873 da capital da República. Dominam o comércio de secos e molhados, exercem ofícios dos escravos etc.
1924. SEM GORJETA
Sem provar que os campeões de 1923 eram profissionais, o Flamengo e os outros “grandes” saem da LMDT para fundar a Associação Metropolitana de Esportes Atheticos (AMEA). O regulamento não veta pobres, mas inibe a presença: só vale atletas estudantes (sem trabalho) ou trabalhadores que não exerçam “profissão subalterna”: soldado, marujo, barbeiro, garçom ou qualquer uma que gera gorjeta.
1924. A CARTA HISTÓRICA
Sem convidar o campeão, a AMEA impõe ao Vasco a expulsão de 12 atletas e peso menor nas votações por não ter estádio. Os “pequenos” teriam de eliminar seus “profissionais”. Bangu e São Cristóvão aceitam; Vasco, Andaraí e outros não, ficando na antiga liga. Esta cisão inspirou o mais importante documento do futebol brasileiro, a “Carta Histórica”, remetida pelo presidente vascaíno José Augusto Prestes ao presidente da AMEA e do Fluminense, Arnaldo Guinle.
1925. DE ALUGUEL
Mesmo sem notícias nos jornais (não existia rádio), o Vasco na LMDT leva mais público do que América, Flamengo, Fluminense e Botafogo na AMEA. Então o convidam (os botafoguenses) para jogar de aluguel. Em Laranjeiras: 10% da renda – os sócios ficavam atrás do goleiro Nelson “Chofer”, um negro, ofendendo-o e atirando-lhe pedrinhas. Na Rua Paysandu, com os flamenguistas, era pior. O time só teve paz no campo do Andaraí, mas aí já era tarde.
1925. OS CHEIROSOS
Mario Filho: “Em relação ao Vasco, o flamenguista tem raiva de tudo: do torcedor, do jogador. Os atletas achavam que se sujavam jogando contra o Vasco – só em campeonato, porque não tinha jeito”.
1925. FLA-FLU: A ORIGEM RACISTA
O neologismo “Fla-Flu” surgiu em 1925 quando os jornais estamparam o caráter da Seleção Carioca dos técnicos Joaquim Guimarães, do Fla, e Chico Neto, do Flu, só com players dos seus times. Pior: o título brasileiro iria consagrar a tese elitista-racial deles, e influenciar a CBD a só convocar brancos ao Sul-Americano, em Buenos Aires, para não serem chamados de “macaquitos” como em 1923, em Montevidéu. Entre os excluídos, Nelson “Chofer” e mais dois do Vasco.
1926. OCUPAÇÃO DA LAGOA
Frustrada a tentativa de invasão da Praia Vermelha (1921), os flamenguistas ocuparam um terreno de 34.120 metros quadrados às margens da Lagoa Rodrigo de Freitas, na Gávea, e o chamam de seu (o certificado de posse viria depois). No mesmo ano, o Vasco COMPROU um terreno em São Cristóvão – bairro operário - para o seu estádio.
1926. CIMENTO BELGA
Se a prefeitura ajudou financeiramente o Flamengo a erguer a Gávea (1938), o Vasco, por conta própria, teve problemas em São Januário porque o Governo Federal vetou a importação de cimento belga, o que não fizera para o Jockey Club Brasileiro. O Brasil não o tinha em quantidade. A solução foi inovadora para a engenharia: em cada pá de cimento duas pás e meia de areia e três e meia de pedra britada, com a água reduzida ao mínimo.
1926. ENTREGOU O OURO
O São Cristóvão faturou o título carioca de forma estranha. Ao fim do campeonato, o Vasco era o líder, só que no Flamengo x São Cristóvão o time rubro-negro ganhava por 3x1 quando a marcação de um pênalti revoltou os flamenguistas, que invadiram o campo. Então o jogo foi remarcado para após a ultima rodada, até o empate daria o título ao Vasco. Placar: São Cricri 5x1.
1926. AS MENSALIDADES
A empolgação dos vascaínos era tanta que só em 1926 o clube recebeu 7.189 novos sócios entre operários, condutores e motorneiros de bonde, empregados de bares e restaurantes, pequenos comerciantes, donos de biroscas e armazéns, funcionários públicos etc. A joia para se associar ao Flamengo e as mensalidades, quatro\ cinco vezes mais caras, só estavam ao alcance dos endinheirados.
1927. SÃO JANUÁRIO
O Vasco inaugura seu estádio para 40.000 pessoas – construído com o dinheiro dos seus torcedores. O maior da América do Sul até 1930 (com a inauguração do Estádio Centenário, em Montevidéu), do Brasil até 1937 (Pacaembu) e do Rio de Janeiro até 1950 (Maracanã). Muito emocionado, o presidente do Vasco, Raul da Silva Campos, discursou: “Eis o estádio que diziam faltar para nos tornamos grandes”.
1927. BARREIRA x FAVELA DO PINTO
Quando São Januário foi inaugurado a Barreira não existia. O poder público interferiu para que surgisse, com pescadores e operários. Já ao lado do terreno invadido pelos flamenguistas (hoje, uma área nobre) em 1926 estava a Favela do Pinto, uma das maiores (nove mil habitantes) e desaparecida em 1969 num incêndio, talvez criminoso, a mando do flamenguista e ex-governador da Guanabara Carlos Lacerda, em nome do mercado imobiliário.
1927. O MAIS QUERIDO
A água mineral “Salutaris” promoveu um concurso para eleger “O Mais Querido do Brasil”, cuja taça era oferecida pelo Jornal do Brasil. O Flamengo ganhou bem ao seu estilo: roubado. Dias após o encerramento da contagem, milhares de cupons com votos para o Vasco foram descobertos no poço do elevador do prédio do jornal, que, caso fossem contabilizados, reverteriam o placar. Imenso capital simbólico... Os flamenguistas até hoje se enchem de orgulho desse episódio.
A Noite, em 1925: “Vasco x Fluminense. O grande stadium da Rua Guanabara (...). A torcida do Vasco, incontestavelmente a maior que o Rio possui, não deixa um único lugar desocupado”.
1928. SOCORRO...
Antes do Flamengo 1x2 Vasco, na Rua Paysandu, o Diário Carioca publica um editorial repleto de preconceito contra os vascaínos, os acusando de arruaceiros e que a força policial deve proteger os rubro-negros: “(...) Quanto às desordens que os adeptos do Vasco anunciaram, podemos asseverar que elas não se realizarão, por duas razões: a repressão severa, e porque conhecemos os jogadores do clube local e sabemos de que espécie de gente se compõe o seu corpo de associados, que tem a educação suficiente para não se imiscuir com a torcida anonyma e apaixonada, como é a do Vasco da Gama”.
1929. JUIZ DÁ O FORA
Amistoso Flamengo x Vasco, na Rua Paysandu, acabou em confusão entre os players quando o time vascaíno faz 4x1. O juiz Diogo Rangel, associado do rival (era assim), desistiu e foi embora.
1930. O MAIS POPULAR
O Vasco, sim, era o “mais querido” e foi assim até a década de 1950. Além de deter os maiores públicos nos anos 40\50, faturava concursos de popularidade, os maiores, como o de uma marca de cigarros para apontar o jogador mais popular do Brasil. Com mais de seis milhões de maços nas urnas, Russinho, do Vasco, foi eleito com 2.900.649 votos. Como prêmio, um carro conversível da Chrysler, episódio citado pelo vascaíno Noel Rosa na música “Quem dá mais”.
1930. O ARREGO
No Vasco 2x1 pelo Campeonato Carioca, em São Januário, o Flamengo discorda da marcação de um pênalti por Rubens Porto Carrero, do São Cristóvão (os clubes cediam os juízes) aos 17 do segundo tempo e vai embora. Desiste! - Nunca mais uma vergonha dessas aconteceu. A penalidade foi cobrada sem goleiro.
1931. O SAPECA
O Vasco goleou o Flamengo por 7x0 (a maior do clássico). O rival armou uma confusão e Fausto foi expulso. Nos dias seguintes os jornais tentaram diminuir o vexame: “Não foi a goleada que mereceu comentários, mas as cenas de pugilato entre Fausto e Penha”, ou “Monótono”... O Jornal do Brasil foi o único a dar o destaque merecido.
1932.
OS FORASTEIROS
No Olaria x Flamengo, na Rua Bariri, um cartola
flamenguista: “Pedi ao nosso diretor que mandasse guarnecer nosso arqueiro,
pois lhe arremessavam pedras, cascas de laranja, garrafas”. Mario Filho: “O
time precisava levar seus torcedores, pois não tinha os locais. Cruzavam a
cidade em caravana”. A elite, na Zona Sul, sentia (e ainda
sente) pela torcida do Vasco – com sua base suburbana – a raiva
secular pelos pobres (potencializada na xenofobia). João do Rio: “A gente de
Botafogo tem só de se dar com a gente de Botafogo [Laranjeiras\ Flamengo] e a
gente do subúrbio com a gente do subúrbio”.
1933. O LANTERNA
A temporada teve dois campeonatos: o da LCF com os clubes recém-profissionalizados (Vasco, Fluminense, América, Bangu e Bonsucesso) e o da AMEA (Botafogo, Flamengo etc.), dos amadores e o único reconhecido pela CBD. Em plena disputa, o Fla trocou de lado ficando em último lugar, mas ainda assim não caiu para a 2ª divisão.
1933. COR DA PELE
Com o profissionalismo implantado e após 38 anos de fundação e 22 da criação do seu departamento de futebol, o Flamengo, enfim, tem um jogador negro titular do seu time: o ponta-esquerda Jarbas.
1933. O INTERVENTOR GENTIL
Pedro Ernesto, o prefeito do Distrito Federal (1931-1936) nomeado por Getúlio Vargas, ofereceu ao Flamengo vantagens como o aforamento do terreno invadido em 1926, na Lagoa, e a liberação de empréstimos a juros baixos para a construção, no mesmo local, do Estádio da Gávea, que seria inaugurado em 1938 (Fla 0x2 Vasco).
1934. DUPLA CISÃO
Em uma briga no remo, o
Flamengo tem apoio do Fluminense, que não pratica, mas é filiado à Federação
Brasileira das Sociedades de Remo (FBSR), a gestora dos esportes aquáticos. Então o Vasco deixa a FBSR para fundar a Liga
Carioca de Remo (LCR) e também rompe com a Liga Carioca de Futebol (LCF) junto
a Bangu e São Cristóvão (que em 1924 ficaram com os “grandes”) para fundar, com o
Botafogo, a Federação Metropolitana de Desportos (FMD), profissional e a única reconhecida
pela CBD. A pacificação nas regatas só ocorreu em 1938, com a criação da Liga de Remo do Rio de Janeiro e da Liga de
Natação do Rio de Janeiro, responsável pelos outros esportes aquáticos.
1935. VASCO x AMÉRICA
Até a pacificação em 1937, foram dois Campeonatos
Cariocas: Flamengo e Fluminense na LCF; América, Botafogo e Vasco na FMD, que
tinha os jogos de mais apelo. Segundo Mario Filho e Bastos Padilha – o
presidente que iniciou o processo de popularização do Flamengo (1933\ 1937) -
as torcidas de Vasco e América eram as maiores em meados da década de 1930. Por
isso Padilha endossava a importância de manter boa relação com Arnaldo Guinle
para um hegemônico “projeto Fla-Flu”.
1935. MORRO DA VIÚVA (1)
No Natal de 1935, o prefeito Pedro Ernesto articulou para que o Flu repassasse ao Fla o terreno do Morro da Viúva para a construção de um ginásio. O Distrito Federal ainda concedeu empréstimo, a juros baixos. Grato por tanta gentileza, Bastos Padilha ofereceu a Getúlio Vargas o título de “presidente do honra” do Flamengo. Antes de tudo, o terreno pertencia ao Ministério da Guerra, cedido ao Fluminense nos anos 10 para a prática de esportes náuticos.
1936. NASCE A FLAPRESS
No contexto da cisão no futebol carioca, Flamengo e Fluminense tinham claro o valor da imprensa na formação da opinião pública. O jornalismo esportivo na capital da República era o Rio Sportivo (1926), o Mundo Sportivo (1931) e o Jornal dos Sports (1931) — impresso em cor de rosa. Então o flamenguista Mario Filho o compra, com a ajuda de Roberto Marinho, flamenguista de O Globo – o investidor majoritário -, de Arnaldo Guinle, o presidente do Flu e de Bastos Padilha, o presidente do Fla, e revoluciona a linguagem do futebol tornando-a popular.
1936. QUESTÃO DE IMAGEM
Iniciam as ações de marketing do Jornal dos Sports, nas quais é comum forjar a relação entre Brasil e Flamengo. Em 1936, o clube promove o primeiro concurso anual de fotografia, “Uma vez Flamengo, sempre... tudo pelo Brasil”. Roberto Marinho disputa, mas o clique vencedor é o de Hans Peter Lange: dois peões na construção do Estádio da Gávea – o “novo” perfil sugerido às futuras gerações de flamenguistas. Esta sinergia entre clube e nação viria se repetir nos anos 70.
1937. TRÊS PRETOS
Na campanha para exorcizar seu próprio passado, o Flamengo contratou três ex-craques do Vasco pretos: Leônidas (até 1942, quando se transferiu para o São Paulo), Fausto e Domingos da Guia. O primeiro deles virou um grande ídolo nacional a partir de 1938.
1937. RICO VIRA POBRE
Para o sonho de grandeza de Padilha, Guinle, Marinho e Mario Filho dar certo é fundamental manter o Vasco em plano secundário. Por isso a FLAPRESS, especialmente nas décadas de 1930 e 1940, tinha por missão primordial afastá-lo das causas populares relacionando-o só aos portugueses, enquanto o Flamengo, com seu DNA de exclusão, passa a ser identificado como o verdadeiro clube popular.
1938. DUELO DE TORCIDAS (1)
O Jornal dos Sports, com apoio da Rádio Continental - o rádio ainda era novidade - começa a promover o “Duelo de Torcidas” nos Fla-Flus (o neologismo vira produto de marketing nas mãos de Mario Filho). Divulgação maciça, inédita, na briga pelas melhores rendas com o Vasco. No primeiro “duelo”, protesto contra a CBD: os cartolas de ambos se vestiam com ternos brancos para demostrar união.
1940. RIVALIDADE
Mario Filho, no Jornal dos Sports: “Por que não se tenta apagar o ressentimento entre as torcidas de Vasco e Flamengo?” Iniciou no Torneio Municipal [os times não atuavam em seus estádios]. No Fla x São Cristóvão, em São Januário, os associados aplaudiram o time cadete. Mas, quando o Vasco foi à Gávea encarar o Fluminense, os associados vaiaram os Camisas Negras. “Desde então, os torcedores do Vasco se veem obrigados a vaiar o Flamengo e vice-versa”.
1942. CHARANGA DA FLAPRESS
Não há registro na FLAPRESS sobre a Charanga do Flamengo no dia seguinte ao Fla-Flu nas Laranjeiras no qual teria feito sua “estreia”, ou nos anos seguintes. Jayme de Carvalho, o fundador, ia aos jogos com a faixa “Avante Flamengo” já nos anos 30 e banda outras possuíam (inclusive a do Vasco): por que “torcida organizada”? (até o nome, “Charanga”, é posterior). Antes desse Fla-Flu, o Jornal dos Sports publicou que os vascaínos iam fundar a primeira “torcida organizada do Brasil”: a Legião da Vitória, que aparece na Revista do Vasco. Em 1943, ela promoveu uma caravana à Gávea registrada em jornal: dez ônibus saindo da Praça da Bandeira, com todos uniformizados, a Cr$ 12 (ida e volta + ingresso).
Nos anos 30, grupos se reuniam em estádios, sem serem vistos como “organizadas”. Em 1934, A Noite noticiou que torcedores do Vasco fretaram um trem até a capital paulista. Em 1939, a “Caravana da Torcida Vascaína” inaugurou este conceito, ao viajar para São Paulo, Belo Horizonte, Juiz de Fora, Petrópolis.
Geraldo Romualdo da Silva, lendário repórter do Jornal dos Sports, tem outra visão: “O primeiro líder de torcida do futebol carioca foi José Pederneiras, em 1917, com o Vasco na segunda divisão. O ambiente era hostil nos campos do subúrbio, sem o frescor da Zona Sul, por isso os vascaínos criaram a Turma do Lasca o Pau. Ao menos, é o primeiro grupo a ir com bandeiras, torcer e brigar em defesa do seu clube”.
1943. A TRAGÉDIA
Em Figueira de Melo, num São Cristóvão x Flamengo, a maior tragédia do futebol carioca: a arquibancada (de madeira) cedeu onde estava a faixa “Avante Flamengo” (não há menção à “Charanga do Flamengo” nos jornais) causando a morte de oito pessoas e 224 feridos.
1944. CHAMA O GUARDA
O Vasco conquistou o Torneio Municipal ao empatar em 2x2 com o Flamengo, em Laranjeiras. No caso de triunfo do rival, o campeão teria sido o América (aliado do rival). Acabou em pancadaria.
1944. 11 SENTADOS
O Flamengo perdia de 4x2 para o Botafogo quando seus jogadores – orientados pelos cartolas - sentaram em campo, a 14 minutos do fim. Situação tão vergonhosa que nunca mais se repetiu no mundo.
1944. APOIO IMORAL
Ao vencer o Vasco por 1x0 num gol irregular aos 42 minutos do segundo tempo, confirmado por Guilherme Gomes, o Flamengo levou o título carioca. Luís Mendes, no livro Sete mil horas de futebol: “(...) mostra claramente Valido apoiando-se em Rafagnelli... Essa foto sempre foi muito escondida, principalmente por companheiros da chamada imprensa rubro-negra. Mas eu a tenho”. Ary Barroso, extasiado na Rádio Tupi, lamentou que o gol não tivesse sido com a mão.
O Vasco perdeu o título, mas foi campeão de público e renda (como nos anos seguintes, menos 46). Dulce Rosalina, à revista Placar: “Eu era garota e estava nas cadeiras, com a bandeira do Vasco. Ai, o que aconteceu? O pau comeu (...)”.
1945. PONTA DIREITA
Com a queda do Estado Novo e a redemocratização, flamenguistas ilustres – Ary Barroso, Bastos Padilha, Zé Lins do Rego – se filiaram à UDN – o grande partido conservador da direita. Ary Barroso foi correligionário do futuro governador da Guanabara (e golpista) Carlos Lacerda. Porém, muitos associados do Flamengo ficaram com Getúlio Vargas (PTB) devido ao seu apoio ao flamenguista Eurico Dutra, um benemérito do clube, para a presidência da República.
1945. MURO PERIGOSO
Na
preliminar de Vasco 2x1 Flamengo, em São Januário, a briga de dois torcedores causou o
desabamento de 12 metros do muro da arquibancada. A Noite: 110 feridos, três gravemente. “E os feridos querendo ficar para ver o jogo. (...) Não decidia nenhum
campeonato, mas era Vasco x Flamengo” sentenciou o Jornal dos Sports.
1945. APENAS UM HÁBITO
Na última rodada do Campeonato Carioca, o Flamengo tenta estragar a entrega de faixas, mas não impede o Vasco – entrou em campo, na Gávea, com o título – de ser o primeiro campeão invicto da era profissional. O rival abre 2x0, mas cede o empate. Então Biguá acerta Jair, isola a bola e é expulso. Inconformados, os flamenguistas invadem, resultando em conflito no campo e nas arquibancadas com o agravante de o estádio estar em obras. O jogo foi suspenso e os 19 minutos restantes disputados nas Laranjeiras.
Gazeta Esportiva: “Perto de 10.000 pessoas trocavam pancadarias,
tijoladas, cacetadas e outras coisas mais, tais como tiroteio de
morteiros, que eram arrojados de um lado para outro, contra a multidão, pela
própria multidão. (...) Nunca vimos coisa igual na vida. Cercas
arrancadas, assim como tijolos da geral, e, estes, cruzavam o ar, qual um
bombardeio, atingido homens, crianças e senhoras”.
1946. Sr. PRESIDENTE
Ao assumir a presidência da República, o general Eurico Dutra, ex-ministro de Getúlio Vargas, não custou a ajudar seu clube de coração, parcial até na comemoração do 1º de maio no primeiro ano de mandato: um amistoso Flamengo x São Paulo, em São Januário. Chegou a doar um terreno para o amado clube no Centro da cidade.
1947. PERSONAS NON GRATAS
O flamenguista Ary Barroso (ele era tricolor e virou a casaca) se indispunha com as torcidas adversárias, em especial com a do Vasco, daí ter sido barrado em São Januário. Irradiou alguns jogos sobre o telhado das casas vizinhas. Por sua vez, o escritor José Lins do Rego, futuro dirigente do clube rival, foi alvo de um panfleto: “(...), pelas colunas do Jornal dos Sports procura, quando está magoado, por as unhinhas de fora”.
1949. UMA GARRAFADA
Pelo returno do Campeonato Carioca, o Vasco bateu por 2x0 o Flamengo, na Gávea. Quando Ademir marcou o gol da virada o gramado foi invadido pelos flamenguistas. O defensor vascaíno Alfredo II levou uma garrafada na cabeça e o jogo só foi reiniciado meia hora depois.
1949. QUE BRONCA
É comum o técnico ser demitido, não o craque: Jair, o primeiro camisa 10 da Seleção, encara seu ex-time. “O Jair é vascaíno (...)”, provocam. Fla 2x0, o Vasco vira para 5x2. Aí o presidente Dario de Melo, indignado com os 15 jogos sem ganhar do maior rival, o ataca na Rádio Tupi. Ary Barroso: “Covarde!”. Queimam a camisa dele. E, logo, o vendem a preço de banana ao Palmeiras.
1950. O QUEIXADA
Antes da Copa do Mundo, o vascaíno Ademir ganhou dois
concursos: um do Laboratório Bayer — o maior em todos os tempos
—
sobre o “homem público” mais popular do Brasil, em que obteve 5.304.935 de
votos, de um total de 19.105.856, quase 1,5 milhão a mais que Getúlio Vargas,
que seria eleito presidente da República três meses depois.
O outro foi o “Concurso
Crack dos Cracks”, do refrigerante Guará, em parceria com o Jornal dos Sports.
1950. TODOS CABEM NA FLAPRESS
Armando Nogueira: “(...) Barbosa; Augusto e Juvenal; Bauer, Danilo e Bigode; Friaça, Zizinho, Ademir, Jair e Chico. Aflora, outra vez em mim, a mágoa clubística. Lanço sobre a equipe um olhar de botafoguense ressentido. Vejo, em campo, apenas quatro autênticos brasileiros: Bauer, Juvenal, Bigode e Zizinho. Os outros sete são vascaínos. Velhos e mortais inimigos da pequena, porém brava nação botafoguense. (...) É melhor mesmo que ganhe o Uruguai. Eles são gringos, vão embora amanhã. Ninguém vai encarnar em mim. (...)”.
1951. O TABU
O Flamengo passou seis anos
e 58 dias sem ganhar do Vasco (15 vitórias e cinco empate), tabu quebrado num
2x1 nas Laranjeiras pelo Torneio Municipal, com times reservas e arbitragem
contestada. O rival era freguês: 39 vitórias do Vasco, 16 empates e 27 derrotas
(virou no final dos anos 60). No jogo seguinte, sim, o Expresso perdeu de 2x1. Edmur fez o gol do
empate mal anulado por impedimento, Danilo reclamou, foi expulso e o gramado
invadido, o que só beneficiou o Flamengo que deixou o tempo passar até o apito
final.
1951. DUELO DE TORCIDAS (2)
O “duelo de torcidas” foi relançado no Fla-Flu pelo Jornal dos Sports com a inauguração do Maracanã. Outra vez, faz do clássico o mais badalado - ainda que existisse “duelo de torcida” em outros clássicos – e mais uma vez as partidas envolvendo o Vasco têm sempre menos destaque na FLAPRESS e os maiores públicos no estádio.
1952. OS COVARDÕES
O
Maracanã estava cheio e festivo no Vasco 1x0 Flamengo, mas o vírus da violência
fazia-se presente, como escreveu Mario Filho, no Jornal dos Sports: “Não
sei por que foi, mas a torcida uniformizada do Flamengo deu uma surra num
paisano. (...) Um dava-lhe de baixo para cima. Outro dava de cima para baixo,
na cabeça. Nas costas. Voltaram sacudindo as mãos e foram saudados (...)”.
1953. REGO VINGADOR
Zizinho troca o Flamengo pelo Bangu, o que
enfurece os flamenguistas. No Sul-Americano
de 1953, o craque
se depara com diretor de futebol do clube, Zé Lins do Rego, o chefe da
delegação, e este se vinga com um relatório à CBD no qual prega que o craque
nunca mais deveria vestir a camisa da Seleção Brasileira.
1953. MORRO DA VIÚVA (2)
É inaugurada a nova sede social do Flamengo nos
quatro primeiros dos 22 andares de um prédio com 148 apartamentos para alugar
na Zona Sul. Nada mal para um clube esportivo. A empreitada teve apoio do
presidente da República, Getúlio Vargas, na liberação de um empréstimo de Cr$
40 milhões da Companhia SulAmérica de Seguros, a juros baixos. O imóvel foi
vendido em 2017 por uma bolada.
1954. CONSPIRAÇÃO
Sebastião Nery, no livro Folclore Político: “Na crise que corroía o governo de Getúlio Vargas e que antecedeu ao suicídio, o flamenguista Carlos Lacerda solicitou ao general Canrobert, são-cristovense, que depusesse Vargas. ‘Não ajudo a botar tanque na rua (...) só se vier tudo quanto é moção, até do Clube de Regatas do Flamengo’”. Lacerda, para espanto dele, obteve do clube uma moção pela renúncia do presidente.
1955. UMA TREGUA
Em homenagem ao
presidente do Flamengo Gilberto Cardoso, que morreu do coração num jogo de
basquete, o impossível acontece: no Maracanã, um Combinado Vasco-Flamengo – com
a camisa do rival, sem o escudo – bate por 3x1 o Combinado Racing e
Independiente, da Argentina. Os dois já haviam unido forças em 1939, numa
excursão relâmpago a Buenos Aires e voltariam a fazê-lo, nos anos 90.
1955. CHUPA O SANGUE
A final do Campeonato Carioca de 1955 foi numa melhor-de-três entre Flamengo e América. Com substituições proibidas, no último jogo da série (nos primeiros, Fla 1x0 e América 5x1), o troglodita Tomires entrou para rachar no ponta-direita Alarcon e este sofreu uma grave lesão. Com um a mais por 75 minutos, o rival faturou o tri (4x1). De quebra, o americano Oswaldinho foi acusado de ter se vendido.
1956. CANAL 100
Surge o Canal 100, de Carlinhos Niemeyer, para exibir nos cinemas curtas-metragens de futebol antes dos filmes, em qualquer situação pró-Flamengo e anti-Vasco. Sucesso de quase três décadas. Em 1978, Niemeyer se tornou o vice de futebol do Flamengo.
1959. OS INGRESSOS
Rara derrota do Flamengo na relação com políticos era quando os deputados do Distrito Federal e, depois, da Guanabara - e não os clubes – decidiam sobre o preço dos ingressos no Maracanã. E ninguém é doido de aumentar e perder o eleitor. O impasse atravessou as gestões de Negrão de Lima e Carlos Lacerda na prefeitura, ao ponto de o presidente Juscelino Kubitschek sugerir a federalização.
1961. REAL MADRID
O jornal A Noite contrata o Real Madrid, pentacampeão europeu, para um amistoso no Maracanã: “O jogo do ano, em honra do presidente Jânio Quadros”... Contra “o time que o povo escolher”, reforça o Jornal dos Sports. O Vasco obtém 36.701 votos, contra 25.688 do Fla, 17.340 do Botafogo, 16.749 do Flu, 10.392 do Santos e 6.606 do América. O Vasco 2x2 Real Madrid, com 152.422 (122.422 pagantes), é o maior público presente da história - e o segundo público pagante, atrás de Santos 4x2 Milan, em 1963, com 132.728 – em jogos entre clubes brasileiros e estrangeiros no país.
A pioneira Dulce Rosalina, da TOV, é eleita a “Torcedora Numero Um do Brasil” em concurso realizado pela Revista do Esporte. Jaime de Carvalho, do Flamengo, perdeu no voto.
1963. ERA OUTRO PAPO
Antes os dirigentes do Flamengo tinham elegância e o presidente Fadel Fadel era um deles: “O Flamengo é o time da massa, mas o Vasco é o time do povo”. Era sócio do Vasco, assim como Antônio Soares Calçada era associado do Flamengo (inclusive, ia votar). Não tinham a soberba dos atuais, que se percebem acima de qualquer ética.
1965. ADEUS, POPEYE
Um marinheiro branco que se droga com espinafre para ganhar força era o símbolo do Flamengo desde 1943, inventado pelo cartunista argentino Lorenzo Molas (torcedor do Independiente e do Vasco no Brasil), no Jornal dos Sports. Até que Henfil, no mesmo diário e 22 anos depois resolveu lançar o Urubu, uma ave de rapina preta, mais adequada a um “clube popular”. Pegou na hora. Aproveita para trocar o do Vasco, e o Almirante vira um português de tamancos.
1966. BANGU A. C.
Na final do Campeonato Carioca, o Flamengo perdia de 3x0 do Bangu quando os jogadores protagonizam uma briga campal. Começou quando Almir agrediu Ladeira e foi expulso. Ao descer a escada para o vestiário, foi interpelado por um dirigente: “Volta e tira o Ubirajara. O Bangu não pode ser campeão!”. Aí começou o segundo tempo da briga. Por inveja estragaram o jogo, não a volta olímpica.
1967. OS MENDIGOS
A extinta “Lojas Helal”, da família do futuro presidente do Flamengo George Helal, distribuía camisas do Flamengo fora de estoque aos mendigos. Faz sentido. Pesquisas no início dos anos 70 confirmavam a força da torcida do Vasco na chamada “classe C”, os mais pobres.
1970. SÓ PRA VARIAR
Ao ser derrotado pelo Vasco por 1x0 o Flamengo deu adeus ao Campeonato Carioca em uma tarde de muita chuva e brigas – em campo e fora dele – entre as torcidas, diz a impressa.
1971. ÓPIO DO POVO
No governo Médici (1969 – 1974), o Flamengo se tornou um símbolo da ditadura militar no auge da repressão política. Consolidou-se, sem dúvida, como o mais popular do Brasil – não antes. A presença constante de Médici (gremista convertido a flamenguista) no Maracanã era o próprio elo entre o povo e o regime, enquanto a FLAPRESS fazia (e ainda faz) acreditar que não era só um time e sim a projeção de um símbolo de unidade nacional.
1971. O TORCEDOR Nº 1
O presidente flamenguista André Richer tem a ideia de promover e organizar o Torneio General Emílio Garrastazu Médici, também conhecido como “Torneio do Povo”, disputado até 1973 por Flamengo, Corinthians, Atlético-MG Internacional, Bahia e Coritiba.
1971. HIGIENIZAÇÃO
Com a Favela do Pinto derrubada, grandes prédios começam a surgir - a Selva de Pedra - com seus moradores de classe média vizinhos de um dos clubes mais bem localizados do Brasil. Ou seja: os flamenguistas, que precisavam de estádio, invadem um terreno (1926), ganham da prefeitura o aforamento (1933), com dinheiro público inauguram o estádio (1938), desfrutam do Maracanã (1950), expulsam os favelados (1969) e acolhem uma massa de novos associados (1971). No Estádio da Gávea disputou jogos até 1997. Ampliação? Nem pensar! Ainda que tenha sido o motivo da invasão, porque os bacanas de hoje desaprovam. Mas, creem os preconceituosos, em Bonsucesso pode...
1972. VÃO ME ENGOLIR
Zagalo é recebido pelo presidente Médici em
audiência especial, celebrando sua decisão de dirigir o Flamengo. Reforça a ideia
de que o rival conta com o governo. No ano seguinte Zagallo - técnico do Fla e da Seleção Brasileira ao
mesmo tempo - convocou cinco do seu time e gerou muitos protestos.
1973. ESTILO PRÓPRIO
Mensagem na sessão de cartas do Jornal dos Spots: “Atitude das mais covardes a de um grupo de torcedores rubro-negros, quando acertaram pontapés e pedradas (...) no automóvel onde se encontravam Marly Pedroso, sua filha e mais duas crianças. Até quando continuarão estas cenas de vandalismo? Sim, porque está virando rotina ao final de cada jogo em que participa o Flamengo a agressão física e moral aos torcedores adversários”.
1973. O LADO DE CADA UM
As torcidas
organizadas ganham salas no Maracanã para guardar suas bandeiras, faixas, a
bateria, papel picado, etc. Vasco e Botafogo de um lado - Flamengo e Fluminense
a 180º de distância. Durou até 1993.
1974. O DITADOR
Na final do Campeonato Carioca – Flamengo 0x0 Vasco - o ditador e flamenguista Emílio Garrastazu Medici estava na tribuna com seu radinho de pilha, enquanto o presidente do Flamengo, Hélio Mauricio, cardíaco, ouvia pelo rádio, na sede do Fluminense, em Laranjeiras, na companhia do presidente tricolor Jorge Frias, e correu ao Maracanã no apito final. Na semana seguinte, eleição na Gávea, Maurício é reeleito com o voto de um associado ilustre: Médici.
1976. CHAPA BRANCA
O Governo federal, nos tempos do general Ernesto Geisel, divulgava suas ações na TV e do rádio com uma musica de fundo: “Ó, meu Brasil\ eu gosto de você \ quero cantar ao mundo inteiro\ a alegria de ser brasileiro\ conte comigo Brasil\ acima de tudo brasileiro”. Foi plagiada e hoje, nas pesquisas de Internet, até parece invenção de flamenguista.
1977. FARINHA RUIM
Walter Clark funda um grupo de oposição com Niemeyer, Luís Carlos Barreto e outros cineastas e ricos, que, sem tempo, escolhem o dono de cartório Marcio Braga para representá-los na eleição do Flamengo: “O nível do dirigente esportivo brasileiro é muito pior do que se possa imaginar (...) Marcio Braga, que prometia ser um renovador, tornou-se um cartola oportunista como todos os outros”.
1978.
SUBORNO
Celebridade da TV, Walter Clark – o produtor executivo que inventou o “padrão Globo de qualidade” (de 1965 a 1978) – se torna o vice de futebol do Flamengo. Em 1991 publicou sua autobiografia, “Campeão de Audiência”, na qual revela que o FLAMENGO SE ENVOLVIA COM SUBORNO: “Eu cuidava da retaguarda. Foi aí que fiquei conhecendo as mumunhas da arbitragem, os acertos com os juízes, o subornos. Todo mundo jura de pé junto que não existe, que são fatos isolados, mas na verdade acontece quase às claras, para quem quiser ver”.
Relembrou histórias: “Havia um juiz que se especializava em fazer o leva-e-traz para os seus colegas. Era ele que levava os pacotes de dinheiro para molhar a mão dos arbítrios. A coisa era até gozada, tinha um clima de filme de espionagem misturado com chanchada. Outro juiz era tão cínico que dizia que o sonho dele era apitar um Flamengo e Vasco, e aos 44 minutos do segundo tempo, marcar um gol de mão, em impedimento, por ele próprio. Esse era o sonho do juiz!”.
1978. AJUDA E TANTO
Mal chega à Gávea, Walter Clark, com Marcio Braga e Michel Assef, visita seu velho amigo Roberto Marinho, o dono da TV Globo e grande benemérito do Flamengo (um dos idealizadores da FLAPRESS, em 1936, com Mario Filho, Arnaldo Guinle e Bastos Padilha). “Arrumem os anúncios que eu divulgo!”. Ele faria muito mais para potencializar o clube, puxando a brasa nos noticiários e nas transmissões de TV, de rádio e no jornal da empresa.
1979. DOIS EM UM
Embora a Guanabara e o Rio de Janeiro tenham se unido em 1975, a Federação Carioca de Futebol (FCF) e a Federação Fluminense de Futebol (FFF) continuaram separadas até 1978. Em 1976 e 1977, três do interior (Americano, Goytacaz e Volta Redonda) jogaram o Campeonato Carioca, convidados, e um acordo foi costurado para que aumentasse para seis em 78. Isto não caiu bem e gerou a exclusão de Americano, Goytacaz e Volta Redonda do campeonato de 1978 (no segundo semestre). A FFF apelou à Justiça e paralisou a competição. A pendenga acabou com a intervenção do CND, que fundiu a FCF e a FFF, fazendo surgir a Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (FERJ), obrigada – em 1978! – a organizar a competição unificada: o I Campeonato do Estado do Rio de Janeiro, com fase final em fevereiro de 1979: seis da capital e quatro do interior. Esta fase, porém, iria se transformar em campeonato à parte (“Especial”), já que o Flamengo propôs à FERJ – ignorando o CND - que o campeonato unificado ficasse para 1979. Motivo: o risco de ver o título da fase classificatória de 78 – 1x0 sobre o Vasco, gol de Rondinelli – varrido da história. O impasse termina no Conselho Arbitral de 23 de janeiro de 1979, no qual o Flamengo perde por 9x8, não aceita, provoca no grito a suspensão do mesmo e a marcação de nova reunião para o dia seguinte, quando - de forma estranha - convence o Madureira a mudar o seu voto, ganha por 9x8 e transforma a ex-fase final de 1978 num campeonato à parte em 1979.
1980. PETULÂNCIA
Roberto Dinamite vai para o Barcelona, marca alguns gols mas quatro meses depois resolve voltar. Ao saber, o presidente do Flamengo, Marcio Braga, negocia com o artilheiro que assina pré-contrato e dá entrevista sobre o prazer que será jogar com Zico. Daí Eurico Miranda, ainda um jovem dirigente, embarca para a Espanha, o convence a mudar de ideia, taca fogo no documento e voltam juntos ao Brasil.
1980. FLA-FIEL
Convocados por Marcio Braga – tinha Eurico na garganta - e com apoio da TV Globo, os flamenguistas vão ao Maracanã torcer por seu time na preliminar contra o Bangu e pelo Corinthians contra o Vasco, no jogo de fundo. Então nasce a “Fla-Fiel” (para assistir Vasco 5x2, gols de Dinamite), ponto inicial para mudanças drásticas na relação entre as torcidas que dura até hoje. Vascaínos e palmeirenses se aliaram, surgiriam outras e a violência só aumentou fora de campo.
1981. “ARAMENGÃO”
Até então sem título nacional, o Flamengo passa a ser seguidamente favorecido pelas arbitragens. Ganhou destaque José de Assis Aragão (SP), o juiz da final do Campeonato Brasileiro, Fla 3x2 Atlético-MG: Reinaldo foi caçado e injustamente expulso depois de um impedimento mal marcado. O empate era do Galo, que teve três expulsos.
1981. GALETO À VINAGRETE
O Flamengo ganha a Libertadores, mas classifica-se na primeira fase (só um brasileiro avançava) num jogo, em Brasília, contestado pela torcida do Atlético-MG pela atuação de José Roberto Wright. Dava cartões aos atleticanos e aliviava os flamenguista por faltas mais duras, até que expulsou Reinaldo sem razão – para Telê Santana, comentarista da TV Globo: “Estragou o espetáculo” -, Éder e mais três, dando o jogo por encerrado quando o Galo ficou com seis em campo.
1981. SELVAGEM, O HEROI
No jogo-extra pelo título da Libertadores contra o Cobreloa, do Chile, em Montevidéu, um jogador (Anselmo) entrou no final com a missão de acertar um soco na cara de um adversário desprevenido. O ultra covarde foi saudado como herói pelos flamenguistas.
1981. ‘MUNDIAL’ FAKE
Por décadas a TV Globo espalha que o Flamengo foi ‘campeão mundial’ em 1981 quando na realidade foi campeão intercontinental. Pressão tão intensa e duradoura que faz com que todo flamenguista – e até torcedores de outros clubes – acredite nesta fantasia. O clube também levou o negócio a sério, instalando uma estrela dourada sobre o escudo pela conquista fake, porque Mundial de Clubes da FIFA, oficialmente, começou em 2000. Qualquer “mundial” anterior é invencionice não reconhecida pela entidade máxima do futebol.
1981. O LADRILHEIRO
Na final do Campeonato Carioca, o Vasco perdia por 2x1 e quando buscava a reação um flamenguista invadiu o campo. Às vezes acontece, faz parte do espetáculo. A questão é que ele saiu do banco de reservas do rival orientado por dirigentes a esfriar o jogo.
1982. DOSE TRIPLA
Nas oitavas-de-final do Brasileirão, o Flamengo contou com o juiz Oscar Scolfaro para eliminar Sport, que teve um gol anulado por ele ao ver a bola ter saído antes e dar tiro de meta. Contra o Guarani, na semifinal, pênalti fantasma a favor (juiz: Sergio Rosa Martins). O mesmo Scolfaro, na final contra o Grêmio, em Porto Alegre, não viu Andrade tirar a bola com a mão, na linha, o gol do título para o time gaúcho.
1982. O MICROFONE
Na final da Taça Guanabara, Dudu fez o gol do título, mas acaba 0x0 porque o tricolor José Roberto Wright viu mão na bola. No jogo extra, Flamengo 1x0, o juiz usou um microfone escondido, em uma trama com a TV Globo: “Zico, por favor, vamos jogar bola!” e para Geovani: “Cala a boca, moleque, está muito folgado!”.
1983. JOGO PERIGOSO
Na final do Brasileirão, Flamengo 3x0 Santos, no Maracanã, Pita sofre pênalti claro de Marinho quando estava 1x0 e o juiz (ex-TV Globo e flamenguista declarado) Arnaldo César Coelho dá jogo perigo (sic) na grande área. Vendo o caminho livre, Marinho entra para quebrar em João Paulo. O empate era do time paulista e a vitória do rival por um gol levaria a decisão à prorrogação.
1984. GASOLINA ADITIVADA
O Flamengo voltou a ser favorecido pelo Governo federal. Com a publicidade liberada pelo CND, o Vasco fechava com a “Bandeirante Seguros”, o “Tapetes 3B Rio” enquanto o rival passou a ser patrocinado pela “Petrobras” (LUBRAX) - contrato intermediado pela Klefer, do futuro presidente Kleber Leite -, companhia estatal, por 25 anos (até 2009) inundando-o com dinheiro público. O de todos. Em 2013, outra estatal – a Caixa Econômica Federal – passou a patrociná-lo, até 2019. A atual mamata pública vem do Banco de Brasília (BRB).
1984. Dr. ROBERTO
Cinquenta anos após o surgimento da FLAPRESS (1936), o plano de Marinho, Guinle, Padilha e Mario Filho para influenciar a opinião publica em favor da dupla Fla-Flu e contra o Vasco, ainda de pé: a torcida do Flamengo, elitizada nos anos 30, vira a maior. No livro Roberto Marinho, Pedro Bial explica como lidar com o fanatismo do patrão: “Doutor Roberto perguntou a que horas começaria a transmitir o jogo do Flamengo. Você acha leitor, que alguém teve a coragem de dizer que a TV não ia exibir o jogo do Mengão? (...)”.
1985. CAI CAI
Numa partida que nada valia pelo Campeonato Carioca, com o Maracanã vazio, o Vasco goleava por 4x0 o Flamengo quando o rival apelou (após o quarto gol). Para ganhar tempo e tumultuar, cartolas e flamenguistas invadiram o campo e jogadores fingiram estar mal de saúde.
1986. PAPELETAS AMARELAS
O presidente do Flamengo, George Helal, admitiu que Cz$ 300 mil do clube foram parar na conta bancária do diretor de arbitragem da FERJ, Paulo Antunes. Segundo a revista Placar suborno para ser favorecido contra os times “pequenos”. Helal alegou ser “doping positivo” para que os juízes tivessem boas atuações nos jogos entre os times “pequenos” e Vasco, Botafogo e Fluminense. “É antiético, mas legal”, defendeu-se. O caixa-dois - descoberto em papeis amarelados - envolvia Cz$ 4 milhões e houve desdobramentos jurídicos e policiais, tudo arquivado.
1986. O BOM GARÇOM
Em tempo de “papeletas amarelas”, na final da Taça Rio (returno do Campeonato Carioca) o juiz Júlio César Cosenza ignorou um pênalti e usou tapa-olhos em lances capitais para o Vasco, que perdeu por 3x2 para o Flamengo – o empate dava o título carioca ao time vascaíno, que já tinha faturado a Taça Guanabara (turno). Até o sensato presidente Antônio Soares Calçada perdeu o controle. Teve de disputar uma melhor-de-três com o rival e acabou levando a pior.
Lopes Júnior, filho de Antônio Lopes, disse que Eurico Miranda foi informado, mas ignorou: “Tudo costurado dentro de um bar, o garçom vascaíno passou o riscado. Sabia o nome dos juízes: o árbitro tal e tal, um dos três foi escalado e não deu outra. O Vasco perdeu e depois meu pai foi cobrar o Eurico pela omissão”.
1986.
ELEIÇÃO NA CBF
Candidato à presidência da CBF, Medrado Dias,
grande benemérito do Vasco, perde para Octavio Pinto Guimarães por 13 votos a 12 (um anulado), num quórum formado
pelas 26 federações estaduais. A chapa de oposição era encabeçada por Nabi Abi Chedid (presidente da Federação Paulista
de Futebol), mas este
temia um 13x13 e o desempate era a idade. Medrado, mais velho, seria o eleito.
Aí trocou de posto com o vice, Guimarães, mas este não repassou a gestão a
Nabi.
Então, o caos se instalou no futebol
brasileiro. Os clubes do Rio
apoiaram Medrado Dias, menos Flamengo e Bangu. Marcio Braga foi o coordenador
da campanha de Nabi (ambos eram deputados federais), manchada por denúncias de
tentativas de suborno dos presidentes das federações do Acre a da Bahia. Como
se dizia, acabou em pizza.
1987. MÓDULO VERDE
O Campeonato Brasileiro é organizado pelo recém-criado Clube dos Treze com 32 times nos Módulo Verde e Módulo Amarelo, cada um com 16. Na fase final, os dois primeiros de cada um jogariam um quadrangular valendo o título. Foi a maneira de fazer a CBF e os “pequenos” (no Módulo Amarelo) aceitarem a disputa de um campeonato à parte dos “grandes” (Módulo Verde). O América-RJ, 3º lugar no Brasileirão-86, não aceitou e até hoje paga por isso.
Ate que o Flamengo (com apoio dos “grandes”) rasgou o regulamento, ignorou a CBF, transformou o Módulo Verde (com os fundadores do Clube dos Treze e três convidados) em “Brasileirão”, inventou uma final com o Internacional, ganhou e se proclamou o campeão com apoio da FLAPRESS, mesmo tendo perdido por W.O. para o Sport Recife e o Guarani, os dois primeiros do Módulo Amarelo. Para a CBF e a Justiça, o campeão é o Sport. Pelo CND, o Fla deveria ir para a Série B. Não aconteceu.
1987. LIGA BARBANTE
Na briga com a FERJ – porque o presidente Eduardo Vianna, o Caixa d’Água, era aliado político de Eurico Miranda – o Flamengo ameaça fundar a “Liga Carioca”, com o Fluminense. Marcio Braga solicita ao CND intervenção na federação porque o Campeonato Carioca teve início com a Copa do Brasil em andamento, mas a alegação estapafúrdia vai por terra. Em 1993, enfim, a liga viria a ser criada.
1989. ESPAÇOTEMPO
Na final da Taça GB, Botafogo x Flamengo, Paulinho Criciúma chuta de fora da área no gol do título, mas Luiz Carlos Felix apita o fim do jogo antes do desenrolar do lance. Meses depois, final do Campeonato Carioca: Botafogo 1x0, gol irregular de Maurício validado por Valter Senra. Como o Flamengo perdeu um título no apito? Talvez porque o bicheiro Emil Pinheiro fosse o presidente botafoguense...
1990. NO TAPETÃO
A fase decisiva do Campeonato Carioca seria um triangular (como em 1982, 1983 e 1984) no caso de três classificados. Porém, ao se constatar que não haveria três datas no calendário, devido à Copa do Mundo, a FERJ promoveu um Conselho Arbitral, no qual ficou decidido (por 12 votos – unanimidade) que o vencedor do turno enfrentaria o do returno, e se outro tivesse mais pontos seria o “bye” (só havia duas datas). Porém, a fase decisiva foi adiada para após a Copa do Mundo, no segundo semestre, voltando a ser possível o triangular – e assim foi definido por novo Conselho Arbitral – o resgate da tabela original, com 11 votos (inclusive os da dupla Fla-Flu) a um (o do Botafogo).
Na fase final o Vasco (campeão da Taça Guanabara) bate o Fluminense (campeão da Taça Rio), perde para o Botafogo (com mais pontos) e este se recusa a jogar a prorrogação ou encarar o Flu, alega ser o campeão (o Vasco também) e garante o título no STJD. Flamengo (que tinha votado pelo resgate do regulamento original), Zico e FLAPRESS fizeram campanha pela virada de mesa do Botafogo.
1990. COLLOR & ZICO
Fernando Collor – o presidente que sofreu impeachment e se encontra em prisão domiciliar – teve Zico na Secretária Nacional de Esportes. Ele produziu a “Lei Zico”, substituída pela “Lei Pelé”, de 1998, que instaurou o passe livre para os jogadores (libertação da classe). Na lei que leva o nome do ex-craque do Flamengo os clubes se mantinham donos do passe após o término dos contratos, como desde 1933.
1993. LIGA CARIOCA (1)
Frustrados com o bicampeonato vascaíno e com a boa relação entre Eurico Miranda e Eduardo Vianna, o presidente da FERJ, Flamengo e Fluminense cooptam o Botafogo e fundam a “Liga Carioca”, presidida por Francisco Horta (ex-presidente do Flu) e com apoio dos juízes rebelados Claudio Cerdeira e Claudio Garcia. Querem o Campeonato Carioca sem vínculo com a FERJ, da qual pretendiam se desfiliar – assim como em 1924 - mas recuam temendo a FIFA. A FLAPRESS abre espaços. Um político, em especial, surfa na onda de falso moralismo: o deputado estadual Sergio Cabral Filho.
A liga surgiu depois que O Globo acusou o diretor de arbitragem da FERJ, Wagner Canazaro, de corrupção. Flamengo e Fluminense atacavam Eduardo Vianna, o Caixa d’Água. A Polícia Civil abriu inquérito que não provou nada, mas o STJD suspendeu Canazaro, acusado de pedir, numa reunião com 55 juízes, que apitassem segundo “o interesse da federação”. Cerdeira e Garcia faltaram ao julgamento – mas 57 colegas deles assinaram um manifesto de apoio ao ex-diretor.
1993. QUE INDIGESTÃO
Os rivais da Zona Sul andavam acusando a FERJ de agir em favor do Vasco, daí fundarem a liga e terem ameaçado não disputar o Carioca-94. O discurso moralista da dupla Fla-Flu e de Sérgio Cabral foi desmoralizado quando veio a público uma foto do presidente do Flamengo Luiz Augusto Veloso e Wagner Canazaro se divertindo em um restaurante de Buenos Aires durante os ataques da FLAPRESS.
1994. OS SINISTROS
Dias após a morte de Dener num acidente de carro, o Vasco perdeu para o Flamengo por 2x1, em jogo de arbitragem contestada (juiz: Walter Senra). Os flamenguistas se divertiram gritando em coro no Maracanã: “Ei\ você aí\ o Dener já morreu\ só falta o Valdir!”.
1995. CBF, UMA MÃE
Quando Kleber Leite assumiu a presidência, o Flamengo devia meses de salário. Ele cita duas figuras que ajudaram a evitar a queda à Série B no Brasileirão. “Peguei o Marcelo Campos Pinto, da TV Globo e fomos à CBF falar com o Ricardo Teixeira. No dia seguinte nossa folha de pagamento estava zerada”. O rival acabou em 21º lugar (eram 24 e caíam dois).
1995. Dr. SÓCRATES
O ex-craque visita a Gávea para cobrar dívidas e Kleber Leite o convida a uma reunião com o técnico Vanderlei Luxemburgo e a cúpula do futebol flamenguista. Sócrates relatou o episódio em sua coluna na revista Carta Capital: “Um senhor era o encarregado da CBF de formular tabelas – ao menos a da Copa do Brasil daquele ano (...). Qual data mais interessante (...) , quais os adversários (...). Discutiu-se qual time poderia atrapalhar seus rivais – especialmente o Vasco da Gama. Tudo o que se definia era anotado pelo senhor”.
1995. PODER... PÚBLICO
A prefeitura do Rio de Janeiro, nos tempos de César Maia, ajudou com um milhão de dólares para que o Flamengo repatriasse Romário, do Barcelona, da Espanha. O prefeito também articulou pessoalmente para que a Umbro, o Barra Shopping, a Brahma, a Multiplan e o Banco Real ajudassem com uma vaquinha milionária. “A minha pessoa física é botafoguense, mas a jurídica é Flamengo”, explicou.
1996. DE OLHO NO MARACA
A
iniciativa privada avançou sobre o Maracanã quando o governador Marcello
Alencar lançou edital de “terceirização” por 30 anos.
Queria
derrubá-lo para a construção de um novo estádio e de um shopping Center, só com cadeiras e na geral uma pista de
atletismo. Em janeiro de 1997, um consórcio de cinco empresas ligado ao
Flamengo era o único interessado, e segundo o Jornal do Brasil a SUDERJ iria receber R$ 500 mil\ ano. O
assunto esfriou com o fracasso da candidatura carioca aos Jogos Olímpicos de
2004.
1996. SUDERJ LOTEADA
O Flamengo a ocupou com cartolas (Marcio Braga, Walter Oaquim etc.) ou prepostos (Raul Raposo, Eduardo Paes). Então ficou mais barato o aluguel do Maracanã para quem joga mais vezes lá, o que foge à lógica, pois os gastos são iguais. O Vasco engole... Paes (2007 - 2008), um vassalo do rival, foi sucedido por Marcia Lins: “O Maracanã dá lucro”, constatou, mas sua fala não reverberou porque os privatistas (Fla-Flu) apregoavam o contrário.
1996. SUL-AMERICANO
A CONMEBOL reconhece o Vasco como o primeiro campeão sul-americano de clubes (1948). Só não é por unanimidade porque o Flamengo (representado por Michel Assef) votou contra. A oficialização, ratificada pela FIFA, elevou o clube ao status de primeiro time do mundo campeão continental. Obteve, inclusive, o direito e disputou a Supercopa dos Campeões da Libertadores a partir de em 1997.
1997. PAU DE GALINHEIRO
Raul Raposo, o presidente da SUDERJ, repassou a exploração das placas do Maracanã à Traffic, de J. Hawilla e Kleber Leite, o presidente do Flamengo (1995 – 1998), numa licitação fajuta. A Justiça suspendeu e Raposo virou réu. A Traffic (depois a Klefer) firmava bons contratos com a CBF, presidida pelo grande benemérito do Flamengo Ricardo Teixeira. Em 1999, as placas no Carioca-99 quase foram repassadas à Klefer, mas a negociação também foi travada.
1997. LIGA CARIOCA (2)
A “Liga Carioca” é ressuscitada contra o Vasco por Kleber Leite (Fla), Álvaro Barcellos (Flu) e José Rolim (Bota), presidida por Francisco Horta (Flu-Fla). Eles entram em transe quando Eurico Miranda consegue adiar jogos do Campeonato Carioca, porque a equipe vascaína tinha quatro em Seleções Brasileiras. Por anos sonharam derrubar Eduardo Vianna da presidência da FERJ, mas só conseguiram com sua morte, em 2006. Rubens Lopes assumiu em 2007 e até hoje é o presidente. Para se eternizar, aliou-se aos herdeiros dos racistas da AMEA.
1998. É CARNAVAL
A Unidos da Tijuca fez um desfile sensacional em homenagem ao Centenário do Vasco e foi rebaixada: covardia, sem dúvida com flamenguistas envolvidos. Tanto que voltou em 1999 à elite para ser quatro vezes campeã e três vezes vice-campeã com praticamente os mesmos carnavalescos e passistas. Em 1995, a Estácio homenageou o Flamengo e não passou por isso ao ficar em 5º.
1998. CENTENÁRIO
O Flamengo, que no Centenário (1995) nada ganhou (“Centenada”), de tudo fez para impedir o sucesso do Vasco no seu Centenário – como na festa do Momo – mas não impediu os títulos da Libertadores e do Campeonato Carioca. Neste, havia no regulamento uma cláusula pela qual jogos podiam ser remarcados se não houvesse 72 horas entre eles. A turma da “Liga Carioca” se revoltou e deu no pé quando Eurico Miranda fez uso dela. Isso mesmo! Arregaram feio. No Fla-Flu deu-se um vergonhoso e inédito duplo W.O. e Botafogo e Flamengo perderam para o Vasco da mesma forma. Não houve punição.
1998. CORRENTE PRA TRÁS
Os flamenguistas inventam a “Fla-Madrid” para secar o Vasco na Copa Intercontinental (“Mundial” de clubes) contra o Real Madrid. Fazer chacota com os vascaínos é bacana para a FLAPRESS. Ótimo para a Polícia Militar. Mas quando o Santo André bateu o Flamengo na Copa do Brasil (2004) e vascaínos agendaram missa de ação de graças na Igreja de Santo André, em São Cristóvão, o BEPE proibiu alegando incitação à violência. Depois surgiu a Fla-Manchester e outras.
1999. MARKETING DE GUERRA
No intervalo de Flamengo 3x4 Grêmio, no Maracanã, o rival apresentou seu novo contratado, o lutador de vale-tudo Vitor Belfort. Daí que outro lutador com a camisa do Vasco saiu correndo em direção à torcida. Na encenação, Belfort iria expulsá-lo na porrada, mas a polícia e os flamenguistas não faziam ideia que aquela ação bizarra – numa época em que as torcida organizadas se matavam nas ruas – era encenação. Da geral, passaram a atirar objetos e um deles abriu a cabeça de um cinegrafista. No dia seguinte, o presidente Edmundo Santos Silva pediu desculpas ao Vasco e seus torcedores.
2000. SHOPPING CENTER
Autorizado pelo flamenguista e governador Anthony Garotinho, o Flamengo – em parceria com a Multiplan - pretendia construir um shopping na Gávea, mas a 8ª Câmara do Tribunal de Justiça-RJ, em ação da Associação Comercial do Leblon e Adjacências, decidiu por unanimidade proibir, destacando que o clube só pode utilizar o local para atividades esportivas de interesse da comunidade. A Multiplan, que em 1995 repassou milhões na contratação de Romário, ficou de mãos abanando.
2000. FLAPRESS: A VANGUARDA
Na final do Brasileirão-2000 entre Vasco e São Caetano, em São Januário, depois que a grade que separa o campo da arquibancada cai a TV Globo elogia o socorro (sem mortes, ninguém gravemente ferido). Uma hora depois, o jogo prestes a recomeçar com a anuência da Policia Militar e do Corpo de Bombeiros, a emissora ataca violentamente sua continuação. Na marra é cancelado (com a intervenção do governador Garotinho, que dá a ordem ao vivo na TV, em rede nacional). Começa a pressão para dar o título ao São Caetano. Acabou sendo remarcado para 2001, no Maracanã (Vasco 3x1), quando os jogadores atuaram com a marca do STB em suas camisas.
A final do Brasileirão-92, Flamengo x Botafogo, foi trágica: o gradil da arquibancada cedeu na torcida rubro-negra – que era o mandante e Marcio Braga o presidente da SUDERJ -, três pessoas morreram e vários se feriram gravemente, sem apelos da TV Globo por seu cancelamento e muito menos por punição ao rival.
2000. ‘O LINCHAMENTO DO VASCO’
Eliakim Araújo - “A Globo coloca no ar meia verdade: (...) O que ele
disse uma hora antes, quando pregou o socorro prioritário às vítimas, é
omitido. A imprensa não está conseguindo separar o ódio ao dirigente do ódio ao
clube. Eurico foi transformado no grande vilão (...) até o paulista Michel
Temer, presidente da Câmara dos Deputados [golpista, em 2016], quer tirar sua
casquinha”.
2001. GELADEIRA
Pelas oitavas-de-final da Copa do Brasil, o Flamengo perdeu para o Juventude por 2x1, no Maracanã. No livro “Cartão Vermelho”, o ex-juiz Edilson Pereira de Carvalho relatou ter sido ameaçado pelo presidente da COBRAF, o corrupto Armando Marques: “Você é árbitro um rabudo. Fique sabendo que se a equipe do Flamengo não se classificasse para a próxima fase, você ia ficar na geladeira muito tempo”.
2001.
DOENÇA MISTERIOSA
O Vasco começou a perder a final do
Campeonato Carioca quando o juiz Ubiraci Damásio, o escalado, estranhamente
passou mal minutos antes do jogo cedendo lugar ao perigosíssimo Leo Feldman. Ou
seja: no momento sublime da carreira, o saudável Damásio ficou na pior... Pênalti em Cássio num lance duvidoso, um mais claro
sobre o vascaíno Euller (até o tricolor José Roberto Wright, comentarista da TV Globo, achou) ignorado. Etc. O
Flamengo ganhou por 3x1 e levou o título por um gol – e com a ajuda
providencial de Feldman.
2002. SEM PIRUETA
O Flamengo ganhou dinheiro do Governo federal nos tempos de Fernando Henrique Cardoso para comprar equipamentos de ginastica, mas o material ficou retido na Alfândega porque o clube não tinha a certidão negativa de débito com o INSS. Então Confederação Brasileira de Ginástica levou. Nada grave, afinal o poder público sempre ajuda o rival em qualquer esporte.
2003. ALGEMADO NA RIO BRANCO
A FLAPRESS produz incontáveis reportagens sobre Eurico Miranda acusando-o de ser desonesto, foi investigado por CPIs e nada comprometedor achado contra ele. Mas Edmundo Santos Silva, recém-saído da presidência do Flamengo, foi preso em seu escritório na Avenida Rio Branco e andou algemado sob os apupos dos populares até a viatura da Polícia Civil. Não é o único ex-presidente do Fla enrolado com a lei.
2003. NOTICIÁRIO POLICIAL
A tentativa de relacionar Eurico Miranda e o Vasco a crimes é tão repugnante que a torcida ameaça os jornalistas que fazem a cobertura do clube. Estendem uma faixa ameaçadora e atiram morteiros contra eles, em São Januário. Alguns repórteres são impedidos pela diretoria de ingressar no clube e defende a “liberdade de imprensa”. No fim das contas o sentimento anti-Vasco prevaleceu.
2003. A MANCHETE DO ÓDIO
O Vasco foi campeão carioca ao bater o Fluminense por 2x0, com um dos gols num inédito cruzamento de letra de Leo Lima. Venceu o melhor, o da maior torcida. Uma festa. No dia seguinte, a manchete porca de O Globo: “Vasco campeão na final da vergonha”. O fundador de O Globo, Roberto Marinho, foi um dos mentores da FLAPRESS (1936) com Mario Filho (Fla), Arnaldo Guinle (Flu) e Bastos Padilha (Fla).
2004. QUASE AMOR
Num surto de simpatia que jamais aconteceu em favor do Vasco, o prefeito César Maia doa R$ 2,5 milhões ao Flamengo para usar na construção de um centro de treinamento, o Ninho do Urubu.
2004. PEGA!
Na semana da final do Campeonato Carioca, o técnico Geninho surge na TV Globo gritando com os jogadores: “Pega! Pega!” - significa marcar em cima. Repercute na FLAPRESS, que inicia a pressão na arbitragem para agir com rigor contra os violentos de São Januário. Não deu outra: é a bola rolar e Coutinho ser expulso. Quem ganha? Adivinha.
Chico Anísio: “(...) Fernando Calazans e Maurício Prado, dois cronistas do Flamengo que recebem um salário do jornal "O Globo", incitando o árbitro contra os defensores do Vasco, colocando as coisas de modo que à primeira falta sobre o Felipe fosse dado um cartão amarelo e, posteriormente, o vermelho. (...) O Flamengo venceu, o Vasco teve um jogador expulso (por causa do Felipe), mas os dois cronistas rubro-negros do "Globo", são, para mim, figuras espúrias porque apesar de não serem mais crianças, ainda não aprenderam a ter um bom comportamento de adulto. O que eles fizeram foi coisa de meninos sem responsabilidade; se eles não são isso, já sei o que são: pífios. Quanto à transmissão do Galvão Bueno, ele poderia ser mais honesto e vestir uma camisa do Flamengo. Ary Barroso fazia isso e era genial. É melhor ser francamente torcedor de um time do que ser do tipo desses”.
2004. AQUELA MÃOZINHA
A Justiça impede o Flamengo de renovar com a Petrobras enquanto não apresentar a Certidão Negativa de Débito (CND) com o INSS. Para quitar R$ 1,8 milhão Marcio Braga ganhou da CBF, presidida pelo flamenguista e sócio benemérito Ricardo Teixeira, R$ 2 milhões. Na véspera, o cartola havia dito que o clube estava à beira da insolvência. Em 2009, o patrocínio seria rompido de vez, por dívidas com a União.
2004. NO APITO
Vascaínos protestam contra o grande benemérito do Flamengo Ricardo Teixeira, presidente da CBF - “Teixeira, todos já sabem: na dúvida contra o Vasco” e “Teixeira, chega de perseguição: arbitragem limpa”.
2005. DE NORTE A SUL
No Flamengo 1x0 Vasco, Leonardo Gaciba (futuro: TV Globo) ignora pênalti em Romário. Desde a final do Brasileirão-2000, quando o time vascaíno atuou com o patrocínio do SBT (enfurecendo a TV Globo, a transmissora exclusiva) que passou a ser o mais prejudicado pelas arbitragens no Brasil, para a satisfação do presidente da CBF, o corrupto Ricardo Teixeira.
2005. OS MESQUINHOS
O time juvenil do Vasco de basquete é campeão ao derrotar o Flamengo três vezes seguidas. Na entrega das medalhas, na Gávea, apagaram a luz do ginásio. Episódio assim acontece – a falta de esportividade (ao menos contra o Vasco) – e reflete a mesquinhez do rival em todas as categorias, a qualquer tempo e em qualquer esporte.
2005. MALABARISMO
Entre 2003 e 2006, Rodolfo Landim era o presidente da Petrobras Distribuidora\LUBRAX, o maior patrocinador do Flamengo, que não tinha a Certidão Negativa de Débito (CND) com o INSS e outras, o que inviabiliza o patrocínio com estatais. Landim disse ter feito “malabarismos” para liberar a grana: “Até ameaçado de prisão fui, mas no fim deu tudo certo”... O time estava no Z-4 e com o dinheiro (dez meses e meio quitados) conseguiu reagir no Brasileirão e acabou em 15º lugar – com a ajuda de alguns árbitros também.
2006. MAIS DO MESMO
No Vasco 2x1 Flamengo, pelo Brasileirão-05, Valdiran leva uma banda na grande área e Edilson Soares da Silva o pune com o amarelo por simulação. No fim, o técnico vascaíno Renato Gaúcho parte para cima dele e recebe um jato de gás pimenta de um PM. Na mesma competição, pelo returno (Vasco 1x0), Abedi também sofreu um pênalti que Wilson Seneme não levou a sério.
2007. CARA-DE-PAU
No Vasco 1x1 Flamengo, Marcelo de Lima Henrique tem a extrema cara de pau de não marcar dois pênaltis a favor do Vasco, em Juan e Wagner Diniz. No segundo, ele errou a mira e deu falta e não a penalidade máxima. Já no Fla 2x1 Vasco pelo Brasileirão, o rival se valeu da luxuosa contribuição do juiz (paranaense) Evandro Roman.
2007. NA MARRA
A final do Campeonato Carioca em dois Flamengo x Botafogo. No primeiro, o Botafogo abre 2x0, mas tem dois expulsos e sofre um gol de pênalti irregular, cedendo o empate. No segundo, 2x2, Djalma Beltrami anula um gol de Dodô no “ultimo lance” por impedimento e o expulsa. Nos pênaltis, o Fla leva o título. O rival já tinha sido favorecido por Marcelo de Lima Henrique na semifinal, contra o Madureira. Beltrami e o bandeirinha Hilton Moutinho depois se desculparam.
2007.
O BABA OVO
César Maia, decisivo na contratação de Romário em
1995, que deu dinheiro para obras na Gávea e outros agrados, volta a atacar: outra
vez prefeito, ele decreta o “tombamento da torcida do Flamengo como patrimônio cultural do Rio de
Janeiro”. Assim, garante a chancela da prefeitura para ações de captação de
recursos, e ganha de presente uma camisa 12, das mãos de Marcio Braga.
2007. ADEUS ANO VELHO
Zico foi craque e é do bem, mas daí para o “Jogo das Estrelas” dele ser no Maracanã e não mais o CFZ é outro papo. Sendo o maior ídolo do Flamengo, o evento, em dezembro, tornou-se a festa de fim de ano do rival e de encerramento informal da temporada carioca – num espaço público (ao menos até 2013) onde deveria ter prevalecido a isonomia entre os clubes.
2008. MISTER MAGOO
Gutemberg de Paula Fonseca não repara a falta grotesca de Fabio Luciano no primeiro gol do rival, que bate o Vasco por 2x1. Esse mesmo juiz voltaria a prejudicar o time vascaíno em outras ocasiões.
2008. XORORÔ
Na final da Taça Guanabara (turno), Flamengo 2x1 Botafogo, Marcelo de Lima Henrique expulsou dois botafoguenses e errou tanto que os jogadores e cartolas alvinegros choraram de raiva. Aí a FLAPRESS inventou o “xororô’”. No primeiro jogo da final do Campeonato Carioca, o repeteco: gol de Zé Roberto mal anulado. Caso ganhasse a Taça GB, o Botafogo teria sido o campeão por vencer os dois turnos.
2008. CBF DA MAMATA
Governador do Rio, Sérgio Cabral anuncia que o Maracanã irá ser
privatizado após as “reforma” para a Copa de 2014. Ninguém imaginava sua
demolição. O Flamengo, o Fluminense e a CBF do flamenguista Ricardo Teixeira
confabulam, com este anunciando 70% dos jogos da Seleção Brasileira no estádio.
Simplesmente excluem o Vasco. Eduardo Paes, presidente da SUDERJ, gosta –
vascaínos fajutos.
2008. IRMÃOS SIAMESES
Quando Roberto Dinamite bateu Eurico Miranda na eleição para a presidência do Vasco, imaginou que herdaria a 1º vice-presidência do Clube dos Treze. Que engano! O Flamengo de Marcio Braga articulou nos bastidores. Na eleição, Roberto Horcades, o presidente do Fluminense, venceu: 14 a cinco. Nunca mais o Vasco teve seu prestígio restaurado no futebol brasileiro.
2008. GOL-CONTRA
No primeiro rebaixamento do Vasco à Série B, na última rodada do Brasileirão era preciso ganhar do Vitória e torcer por uma combinação. No Atlético-PR 5x3 Flamengo, a vitória do rival ajudava, e um empate daria a ele uma vaga na Libertadores... Melhor não! O primeiro gol paranaense foi numa cabeçada forte e colocada de Toró (cria do Flu). Gol-contra. Na véspera, o muro da Gávea tinha sido pichado com uma ameaça (“Se ganhar morre”) aos jogadores e a Marcio Braga.
Esta não foi a única vez que um resultado do Fla causou dano ao Vasco. O contrário não existe. Dezesseis anos antes do gol-contra de Toró, em 1992, o rival precisava de uma vitória vascaína contra o São Paulo para chegar à final e foi 3x0, em São Januário, mesmo com o time já fora da disputa e a torcida clamando para entregar o jogo.
2009. NINGUÉM É TROUXA
Quando soube que a entrega do Maracanã a clubes na parceria público-privada (PPP) poderia ser questionada na Justiça, o governador (ladrão) Sérgio Cabral se faz de justo ao desistir do pool Fla-Flu-CBF. Motivo alegado: mantê-lo neutro e acessível a todos os clubes (VASCO). Mandou constar no edital de 2012 para enganar os trouxas: é proibida a participação de clubes. Porque o Consórcio Maracanã S\A, ao ganhar a licitação fraudulenta (em 2013), teve como seu primeiro ato repassar a gestão (e o lucro) à dupla Fla-Flu.
2009. VAI MORRER GENTE
A vitória por 2x1 sobre o Grêmio dá ao Flamengo o título brasileiro, mas o segundo gol é irregular: Ronaldo Angelim estava impedido e Heber Roberto Lopes aceitou. O presidente da Comissão de Arbitragem da FERJ, Jorge Rabelo (defensor da Liga Carioca), disse ao O Povo: “Estava um pouco adiantado no gol. Mas se o árbitro decide anular, diante de 80 mil rubro-negros, o que vai acontecer? Vai morrer gente!”. Como o empate poderia dar o título ao Inter, arquirrival do Grêmio, Adriano foi flagrado pedindo aos adversários para irem com calma.
2009. DOIS LADOS DA MOEDA
Uma rodada antes, a vítima tinha sido o Corinthians: 2x0, em Campinas. Evandro Roman errou tanto que, no pênalti cavado por Leo Moura, o corintiano Felipe simplesmente não foi na bola – em protesto contra o absurdo da marcação. Cinco anos depois, em 2014, já no Flamengo, o mesmo goleiro foi o autor da frase “Roubado é mais gostoso” após a final roubada do Campeonato Carioca daquele ano.
2009. CAIXA REGISTRADORA
Estatal patrocina clube, mas a escolha é questionável. O Flamengo desde sempre tem o apoio de diferentes esferas de governo e da FLAPRESS... Ao ser bancado por empresas públicas (Petrobras, de 1984 a 2009, Caixa Econômica Federal, de 2013 e 2019 e o Banco Regional de Brasília (BRB) de 2020 a 2026) obteve por 40 anos um fluxo constante de caixa que para outros se revelou impossível.
2009.
NARRATIVA OFICIAL
O Flamengo questiona a recuperação judicial do
Vasco, mas usou disso para sanear dívidas. Em 2009, graças ao Tribunal Regional
do Trabalho (TRT), descontava 15% das receitas aos credores. Por R$ 130
milhões, mais de 650 ações. Em 2013, Bandeira de Mello se deparou com a dívida
de R$ 750 milhões. Em 2015, o Governo federal lançou o PROFUT para renegociar os débitos fiscais: parcelas longa,
descontos e redução de multas e juros. Eis que em 2018 – cinco anos -
Bandeira anunciou: ficamos ricaços! – e deixa o acordo com TRT.
2010. JUÍZES 3x0
Na semifinal da Taça Rio, João Batista de Arruda anula um gol legal de Helton, dá pênalti em Leo Moura, não expulsa Toró e ignora dois para o Vasco, um deles escandaloso, quando Williams desvia com a mão. Placar: Flamengo 2x1. No jogo anterior, Péricles Bassols já tinha entrado em ação com um pênalti fantasma, como Gutemberg de Paula no 1x1 pelo Brasileirão: estava Vasco 1x0 quando Williams entrou na maldade em Dedé, mas quem acabou expulso foi o zagueiro vascaíno.
2010. KARMA RUIM
Podia ser o camisa 1 de qualquer time, mas foi o do Flamengo: Bruno é preso como mandante do assassinato da amante, Elisa Salmodio, e em 2013 condenado a 22 anos de prisão. Outros do clube flertaram com o crime - Adriano repassou R$ 60 mil a um traficante do Comando Vermelho e posou para fotos com fuzil e fazendo com as mãos o símbolo da facção criminosa. No Vasco, é impossível.
2011. SABOTAGEM
O Flamengo implodiu o Clube dos Treze, fundado em 1987, para negociar sozinho com a TV Globo os direitos de transmissão dos seus jogos e não mais em grupo. O Vasco, que recebia a maior quota com o Fla, Corinthians, Palmeiras e São Paulo, pula para o 5º lugar. O rival se aproveitou da ausência de Eurico Miranda. Na presidência, Dinamite aceitou numa boa o modelo de negociação individual.
2011. BASSOLS
O Vasco perdeu a chance de ser campeão brasileiro superando o Corinthians na classificação, não tivesse sido prejudicado duas vezes pelo juiz Péricles Bassols em dois empates com o Flamengo. No primeiro, Diego Souza levou um puxão escandaloso de Williams na grande área e ele, em cima do lance, disse não ter visto. No outro, Leo Moura derrubou Bernardo com um carrinho na grande área aos 47 minutos do segundo tempo.
2011. OS ESTÚPIDOS
Vasco e Flamengo mediam forças no Engenhão quando o técnico Ricardo Gomes sofreu um derrame cerebral à beira do gramado. Enquanto a ambulância chegava, parte dos flamenguistas no estádio passou a gritar: “Huuu, vai morrer”...
2012. TRT NÃO VÊ
Ronaldinho Gaúcho rescinde seu contrato com o Flamengo por estar devendo a ele vários meses de salário e direito de imagem - também a outros atletas - condição exigida para se manter no regime de recuperação judicial do TRT, de 2009. Algo aconteceu?
2012. “FLAR PLAY”
A SKY – cujo CEO era Luiz Eduardo Baptista (BAP), então presidente do Conselho de Administração e vice de Marketing do Flamengo – se torna, graças à CBF, a patrocinadora dos juízes e bandeirinhas do futebol brasileiro. O contrato entre a SKY e a CBF, presidida pelo sócio benemérito do Flamengo Ricardo Teixeira (banido pela FIFA por corrupção), foi intermediado pela Klefer, de Kleber Leite. A operadora de TV também investiu uma fortuna no basquete do rival, ainda que conselheiros do clube tivessem denunciado um conflito de interesse.
2012.
O JUIZ FEDERAL (1)
Por uma dívida de R$ 60 milhões com a Receita, a
Justiça sufoca o Vasco: o juiz federal Vladimir Santos Vitovski, da 9ª Vara de Execução Fiscal
do RJ, nega o segundo pedido de redução da penhora de 100% dos patrocínios, do direito de transmissão da
TV e dos licenciamentos. Vitovski voltou
a ser rigoroso com o Vasco em 2019, e agiu como uma mãe zelosa com Flamengo, em
2024, quando reduzir sua dívida de R$ 127 milhões para R$ 10 milhões numa só
canetada.
2012.
OS CALHAMBEQUES
Ex-gerente executivo do BNDES, onde trabalhou
por décadas, Bandeira de Mello se aposenta e é eleito presidente do Flamengo.
Após 49 dias o clube tinha novo patrocinador: a Peugeot Citroën do Brasil. Luiz Eduardo Baptista
(BAP) era seu vice de marketing e adorou o fair-play: R$ 27,4 milhões
por três temporadas. Eis que, subitamente, o BNDES liberou financiamento de R$ 154 milhões à Peugeot.
Ao fim deste contrato, a
Jeep (Fiat Chrysler Automobiles) resolveu patrocinar o rival e, também por
acaso, foi contemplada com o empréstimo de R$ 3 bilhões do BNDES. Só coincidências!
Bandeira nem do banco era mais.
2013. TURMA DA PESADA
Para estufar o peito e dizer que o Flamengo ficou rico só porque tem boa gestão, Bandeira de Mello (2013 – 2018) foi ajudado por um time que abre portas: Carlos Langoni, ex-presidente do Banco Central e representante do Brasil no FMI, Valim Vasconcellos, ex-diretor executivo do BNDES, Rodolfo Landim, ex-presidente da Petrobras Distribuidora e de empresas de Eike Batista e outros da cepa. Ricaços, assim como desembargadores, juízes e certos políticos sempre frequentam os mesmos restaurantes...
2013. O 1º ‘FAIR PLAY’
O primeiro “fair play” foi o nome da operação da Polícia Civil que desbaratou a quadrilha que matou um vascaíno. Prendeu 11 da Jovem Fla, alguns condenados por homicídio qualificado. Mas o que chamou a atenção dos policiais foi a aparição dos dirigentes do Flamengo Michel Levy, vice de finanças e Cacau Cotta, o gestor da Gávea, que segundo a ESPN foram à cadeia oferecer ajuda financeira e jurídica aos desgraçados.
2013. CHUMBO NO DADO
Após a reforma que custou aos cofres públicos R$ 1,2 bilhão para demolir o estádio velho e construir uma arena de 70.000 lugares mantendo a fachada, o Maracanã passa por uma licitação de cartas marcadas. Todos sabiam que a proposta vitoriosa seria a do Consórcio Maracanã S\A, que imediatamente repassou a gestão à dupla Fla-Flu. Missão cumprida: de uma vez e por 35 anos ganharam uma arena moderna e prejudicam o Vasco, excluindo-o. A começar pela prioridade dos vascaínos do lado à direita da tribuna, adquirida em 1950.
2013.
A MUTRETA
O Consórcio
Maracanã S\A (Odebrecht: 90%, IMX Holding S/A: 5% e AEG: 5%) ao restituir aos cofres
públicos R$ 5,5 milhões\ano por 33 anos — isento nos
primeiros —, totaliza R$ 181,5 milhões, uma fração do R$ 1,2 bilhão
investido. Previsão de lucro líquido até 2048: R$ 1,4 bilhão! A IMX Holding é
uma das empesas de Eike Batista, nas quais o então presidente do Flamengo,
Rodolfo Landim, foi executivo-chefe por vários anos. Eike (doador da campanha
de Sérgio Cabral a governador) já esteve preso. Cabral também. Landim é réu
desde 2021 na 10ª Vara Criminal, em Brasília, por gestão fraudulenta.
2013. ESTÁDIO MUNICIPAL (1950)
Público
e municipal após uma ampla consulta à sociedade, que, à época, rejeitou que
particular fosse – rejeitaria se pudesse, em 2013 -, o Maracanã é de 1950, mas
as obras terminaram em 1965. Muitas reformas. As últimas em 1999 (R$ 110
milhões), 2007 (R$304 milhões) e 2013 orçada em R$720 milhões e superfaturada
em R$ 1,3 bilhão - grana do BNDES para a Odebrecht e a Andrade Gutierrez. Tudo, tudo mesmo, em nome da dupla
Fla-Flu. Altos lucros! Interagiram na mamata os governantes, o capital e a
FLAPRESS, como uma teia.
2013. ALGO ESTRANHO
Segundo a BBC Brasil, o título do Flamengo da Copa do Brasil é suspeito. Às vésperas da final (2x0, após empate em 1x1 em Curitiba), cartolas do Atlético-PR se encontraram com representantes da Caixa Econômica Federal, que teriam proposto o título por vantagens financeiras. A conquista demorou a ser homologada pela CBF porque Grêmio e Goiás entraram com recursos no STJD pela suspensão dos finalistas.
2013. ESGOTO A CÉU ABERTO
Flamengo ou Fluminense não caíram para a Serie B do Brasileirão, no ano em que usurparam o Maracanã, graças a um dos episódios mais tristes do futebol brasileiro. Quase nunca um jogador suspenso é escalado. Pois na última rodada aconteceu duas vezes (o Flu estava no Z-4). Antes de Flamengo x Cruzeiro, sábado, a imprensa noticiou que André Santos não poderia ser escalado. Pois bem: ele jogou. Como o regulamento diz que tal infração resulta na perda quatro pontos, o Fla entrou na Z-4 e tirou Flu. O pânico flamenguista só acabou na tarde do dia seguinte, domingo, quando no Portuguesa x Grêmio a Lusa – só cumpria tabela –, aos 33 minutos do segundo tempo botou em campo um atleta irregular, indo para a Série B no lugar do Flamengo.
Para o Ministério Público-SP alguém foi subornado, com de R$ 4 milhões a R$ 20 milhões segundo noticiou O Estado de S. Paulo, mas a polícia não achou provas. Podia ter partido do Flamengo, o beneficiado, ou do Fluminense, antes da última rodada sem saber que o rival pudesse cometer um erro tão primário. Como a FLAPRESS silenciou (ainda sem saber o que ocorrera em São Paulo), na segunda-feira os rebaixados no Jornal Nacional, da TV Globo, eram Fluminense, Vasco, Náutico e Ponte Preta. No seguinte já não era assim...
2014. PEGA LADRÃO! PEGA LADRÃO!
O Vasco é prejudicado contra o Flamengo na Taça Guanabara e perde por 2x1 – o gol de Douglas de falta foi anulado por Eduardo Guimarães porque o auxiliar de linha Rodrigo Castanheira não viu a bola entrar 33 centímetros. Final do Campeonato Carioca: no primeiro jogo, Everton Costa foi expulso injustamente por Rodrigo Nunes Sá. No outro, Marcio Araújo empatou (1x1) quase nos acréscimos em claro impedimento, infração ignorada pelo bandeirinha Muniz de Oliveira e pelo juiz Marcelo de Lima Henrique. Eles, literalmente, trocaram o campeão.
2015.
DOIS COROINHAS
Dono
de inúmeros contratos com a CBF, o ex-presidente do Flamengo Kleber Leite foi
visitado pela Polícia Federal, a pedido da Justiça do EUA após delação premiada
do ex-sócio J. Hawilla de que paga propina por bons contratos. “Jamais fiz isso!”,
disse ele, não indiciado no Estados Unidos. Já o grande benemérito do Flamengo Ricardo
Teixeira, amigo de Kleber Leite, está banido desde 2019, quando foi provado
pelo Departamento de Justiça do EUA e pela FIFA ter ele embolsado US$ 7,7
milhões de propinas como presidente na CBF (1989 - 2012), em contratos de TV, de
marketing e direitos de transmissão da Libertadores, da Copa América e da Copa
do Brasil. Ele permanece em liberdade.
2015. KUNG FU
Na semifinal do Campeonato Carioca, Vasco 0x0 Flamengo, Jonas acerta um golpe de artes marciais no peito de Gilberto diante de João Batista Arruda e em vez de expulso é agraciado com o amarelo. Uma falta tão dura que Luxemburgo o substituiu. No dia seguinte pediu desculpas públicas ao colega de profissão vascaíno.
Na Copa do Brasil, o Vasco eliminou o Fla nas oitavas-de-final com o 1x1, mas quase deu errado porque Wilton Pereira Sampaio deixou de marcar um pênalti quando Emerson agarrou Anderson Salles.
2015. 22 BOCEJADAS
O técnico Vanderlei Luxemburgo, do Flamengo,
diz que a FERJ deveria “levar porrada”
no rádio e é suspenso dois jogos pelo TJD, inclusive de um Fla-Flu. O
Fluminense, solidário (sempre), se une em protesto contra as arbitragens. Eis
que antes do jogo dá-se uma cena surreal: perfilados diante na tribuna do
Maracanã, um atleta do Fla, um do Flu, um do Fla... E os 11 do time mais
favorecido do Brasil e os 11 do coirmão com suas bocas cobertas pelas mãos, como se estivesem bocejando coletivamente.
2016. DESCARGA DE CORDA
A torcida do Flamengo não costuma ir a São Januário, mas quando aparece é um problema. No Vasco 1x0, pelo Campeonato Carioca, 15 são capturados destruindo o banheiro: portas, torneiras, vasos sanitários. O rival pagou. Outra vez entupiram de cimento uma privada. Não são gente fina. Também levaram sprays de gás pimenta enquanto usavam mascaras de proteção brincando de terroristas.
2016. NEM CRIANÇA RESPEITAM
No Vasco 2x0 Flamengo, em Manaus, jogadores e mascotes do Vasco e os mascotes do Flamengo estavam dentro do túnel aguardando os jogadores do rival - os times entrariam juntos - mas eles surgiram correndo e deixaram todos para trás, inclusive seus frustrados mascotes. Um total desrespeito punido com a derrota.
2016. COAÇÃO SAFADA
Carioca de basquete: final em três jogos com portões fechados devido à ultraviolência da torcida rival. No primeiro (Gávea, sem torcida), Fla 89 x 87. No segundo (São Januário, sem torcida), Vasco 104 x 98. Tira-teima na Gávea, sem torcida, porém, na véspera, o rival obteve uma liminar pela qual seria no Tijuca T.C., só com flamenguistas. No turno, nessas condições (Vasco 82 x 77), os atletas vascaínos foram intimidados e agredidos. Eurico Miranda alertou que assim (com safadeza) não teria jogo, o rival ganhou por W.O. e arrastou o troféu.
2017. DUPLO VACILO
No Vasco 2x2 Flamengo, o juiz Luís Antônio Silva dos Santos, o Índio, fingiu ter sido agredido por Luiz Fabiano e o expulsou sem motivo, quando o correto era ele (o juiz) ser expulso por simulação debochada. Para compensar, no final marcou um pênalti inexistente a favor do Vasco e isso lhe custou a carreira: sumiu da escala da FERJ.
2017. EM NOME DE DEUS
Por R$ 112 milhões, o Flamengo vendeu o prédio de 22 andares que possuía no Morro da Viúva, na Zona Sul, a uma imobiliária. O negócio só ocorreu depois que o prefeito Marcelo Crivella sancionou lei permitindo que se tornasse um “empreendimento comercial”. Inaugurado em 1953, com a ajuda de Getúlio Vargas, o terreno público fora doado em 1935 para fins esportivos graças ao interventor do Distrito Federal, Pedro Ernesto. O rival mantém apartamentos lá.
2017. LA FAMIGLIA
Na gestão Bandeira de Mello
(2013 – 2018), o vice de futebol Flavio Godinho é preso em Bangu IV por ocultar
e lavar US$ 16,5 milhões em propinas ao
ex-governador Sérgio Cabral, como executivo de
Eike Batista. O presidente do Conselho Fiscal, Mario Esteves Filho, é forçado
a ir à Polícia Federal se explicar sobre fraudes no BNDES, enquanto o vice de
Gabinete da presidência, Plinio Serpa Pinto, era investigado por transações não
contabilizadas da Odebrecht.
2017. O ESPERTALHÃO
Com a Odebrecht na Lava Jato e a gestão do Consórcio Maracanã S\A questionada pela dupla Fla-Flu, a ALERJ promoveu uma audiência pública. Lado a lado, os presidentes dos coirmãos Bandeira de Mello e Pedro Abad. Eurico Miranda chegou quando De Mello discursava e pode ouvi-lo tentar ser o espertalhão. Rebateu: “O que não pode é ter condições de permitir a mutreta, a sacanagem, como nesse tempo todo [desde 2013]. Não pode é um clube gerindo o Maracanã. O estádio é do povo! Os quatro clubes têm que ter tratamento isonômico”.
2018. FOLHA CORRIDA
Rodolfo Landim (ex-parceiro de Eike Batista) foi delatado pelo corrupto Ricardo Duque na Operação Lava-Jato. A folha corrida dele vai além: é réu em ações e uma delas tramita na 10ª Vara Federal Criminal de Brasília. Por crimes de gestão cometidos entre 2011 e 2016 ele e outros quatro teriam gerado prejuízo de R$ 100 milhões nos fundos de pensão Funcef, Petros e Previ.
2019. LAGARDENE
Condenado por corrupção na Operação Lava Jato, Marcelo Odebrecht, o dono do Consócio Maracanã S\A, pretendia devolver o estádio ao Governo do Rio, mas foi impedido pela Justiça e forçado a escolher para quem repassar a gestão. Decide vendê-lo à Lagardère\ BWA - a que ofereceu a melhor proposta, mas sem compromisso com o Flamengo. Pane no sistema! A pressão no ex-governador Luiz Pezão (ladrão) vinha do presidente Bandeira de Mello, da secretária municipal Patrícia Amorim e de outros no poder. De outras frentes também.
Até a venda ser cancelada no tapetão do Tribunal de Justiça e a gestão retomada pelo Governo do Rio, para - graças ao governador e flamenguista Wilson Witzel – docilmente repassá-la à dupla Fla-Flu (sete concessões provisórias até a licitação de 2024).
2019. TRAGÉDIA ANUNCIADA
Um incêndio em containers improvisados como dormitório na concentração do Flamengo, o “Ninho do Urubu”, tira a vida de dez adolescentes e causa lesões graves em três. Os sobreviventes conhecem o horror. Funcionários e cartolas foram julgados em 2025, ninguém preso e nem o clube sofreu punição – os flamenguistas (presidentes: Bandeira de Mello e Rodolfo Landim) sabiam do risco, pois o clube foi multado inúmeras vezes pelo Corpo de Bombeiros e instado a resolver problemas como o da fiação elétrica.
2019. A CRUELDADE
O Flamengo torra R$ 250 milhões no futebol e se nega a pagar indenizações justas às famílias das vítimas. O documento estava pronto quando o clube recuou. Rodolfo Landim: “É um valor estratosférico”... A reunião no Ministério Público-RJ, para Marilia Barros, foi mais triste que o enterro do filho. Os parentes esperavam Landim, ele tinha o que fazer. Um socou o ar. Mães choravam. A maioria das famílias foi vencida pela dor e pelo cansaço e aceitou – meses depois - a barganha que um advogado tinha largado sobre a mesa.
2019. O JUIZ FEDERAL (2)
O juiz federal Vladimir Santos Vitovski, da 9ª Vara de Execução Fiscal
do RJ – o de 2012, ele mesmo – volta a prejudicar o Vasco. A Fazenda cobra
dívida de pouco mais de R$ 50 milhões e o magistrado manda penhorar São
Januário. Daí o clube se comprometeu a repassar à União as cotas da TV Globo pela transmissão de seus jogos
até 2024. Misteriosamente, Vitovski é bondoso
com o Flamengo: em 2024, reduziu uma dívida de R$ 127 milhões para R$ 10
milhões numa só canetada.
2019.
RECAÍDA
A torcida do Flamengo entoa “festa
na favela”, mas a diretoria a orientou nas redes sociais a evitar “favela” por
relação com violência. Ou seja: o espírito dos pioneiros reincorporado. Nos 55
anos do golpe militar (1964), torcedores nas redes cobraram um posição, mas só
Vasco, Corinthians e Bahia – de origem popular – publicaram algo a respeito. O
Flamengo, beneficiado pela ditadura, lançou uma nota, pela qual “não se
pronuncia sobre assuntos políticos”.
2019. FLAPRESS: BULLYING, NÃO
O goleiro Sidão, do Vasco, foi humilhado ao vivo na TV Globo em rede nacional. Após a derrota por 3x0 para o Santos, ele ganhou de uma repórter o infame troféu “Craque do Jogo”. Teve péssima atuação. Era deboche: eleição online. Em 2023, Sidão ganhou na Justiça uma indenização de R$ 60 mil.
2019.
PÊNALTI CASEIRO
A conquista da Libertadores talvez fosse inviável
se nas oitavas-de-final o juiz argentino Nestor Pitanga tivesse
cumprido a lei e não marcasse um pênalti cavado por Rafinha, no primeiro gol do
2x0 sobre o Emelec, do Equador, no Maracanã. Foi para os pênaltis e o rival
levou a melhor. Até os comentaristas da TV
Globo admiraram o erro.
2019. OS SAQUEADORES
Depois que a torcida vascaína abraçou o time no título da Copa do Brasil de 2011 num gigantesco desfile do Aeroporto Santos Dumont a São Januário, os flamenguistas esperaram oito anos para fazer parecido, no título da Libertadores ao estilo deles: saquearam a Lojas Americanas e outras, depredaram prédios públicos. Cada título do rival costuma ser sinônimo de assalto, briga, tumulto e morte.
2019. UM BOM GAROTO
O ex-juiz Jorge Rabelo é preso pela Polícia Civil, acusado de integrar uma quadrilha que desvia e lava dinheiro público. Ele era o diretor de arbitragem da FERJ desde 2009 (período em que o Vasco foi escalpelado pelos juízes), na gestão de Rubens Lopes – um preposto dos clubes racistas AMEA, de 1924.
2020. O TIME DA CORTE
Em Brasília, Rodolfo Landim persuadiu Jair Bolsonaro a aceitar a “Lei do Mandante”, sancionada em três meses graças à “bancada rubro-negra” para prejudicar a TV Globo – ironicamente, a vanguarda da FLAPRESS -, a nova lei muda a forma como os mandantes negociam seus jogos com a TV. Landim tinha ido à posse do flamenguista Fabio Faria como ministro das Comunicações. Parente de Silvio Santos, Faria garantiu que o SBT pagasse alto pela exclusividade no Fla-Flu final do Campeonato Carioca e outros jogos do rival.
Bolsonaro também ajudou na aquisição do terreno do Gasômetro, da Caixa Econômica Federal, para a suposta construção de um estádio de futebol repleta de irregularidades.
2020. PALPITE FURADO
O juiz Flavio Rodrigues de Souza resolveu ceder a vitória ao Flamengo por 2x1 contra o Vasco quando anulou por impedimento um gol de German Cano no final do jogo, induzido por colegas do VAR.
2020. BARBARIDADE, TCHÊ
O Internacional perdeu o Brasileirão-20 para
o Flamengo por um ponto, e Abel
Braga foi certeiro: “O título nos foi tirado no apito”. Dois jogos chamaram a
atenção dele, o Fla 2x1 Inter, no Maracanã, quando Rodnei foi expulso por Raphael
Klaus – juiz questionado até pelo selvagem Donald Trump - e o empate em 0x0 com
o Corinthians na última rodada, pelo pênalti de Fagner não dado por Wilton
Pereira Sampaio de Fagner e um gol anulado por falta em Cássio.
2021. CLOROQUINA
Devido à Covid-19, o futebol brasileiro parou de 16 de março e 18 junho de 2020, com Flamengo x Bangu – o rival não se conformava e foi o primeiro a voltar - sem torcida. O presidente Rodolfo Landim exigiu que os atletas treinassem em segredo porque as atividades coletivas estavam proibidas. Em 2021, o Fla liderou o movimento pela a volta da torcida, com a epidemia ainda matando por atacado. Oficialmente 716 mil brasileiros morreram, o vice-campeão mundial em óbitos, atrás do Estados Unidos e, incrivelmente, à frente da India e da China.
2021. TRIBUNA DE HONRA
Como Médici nos anos 70, Jair Bolsonaro era figurinha carimbada no Maracanã ou em Brasília com Rodolfo Landim, que prometeu ajudá-lo na sua campanha à reeleição. Enquanto isso, a “bancada rubro-negra” faz lobby distribuindo camisas aos montes. Um mimo. Para o ministro Sérgio Moro, para o vice Hamilton Mourão (ganhou o título de sócio honorário), para os deputados Rodrigo Amorim - esse tem problemas com a lei –, Hélio Negão etc.
2021. O VASCO, NÃO
O Vasco quer participar da gestão do Maracanã com a
dupla Fla-Flu mas não é aceito na turma. Desculpa fiada: o gramado será
danificado pelo excesso de jogos. Para os governadores flamenguistas Wilson
Witzel e Claudio Castro não fazia sentido abrir uma licitação para as gestões
provisórias como pretendia o Vasco. Eis a cara-de-pau do presidente Rodolfo
Landim: “Ninguém aqui está privilegiando ninguém. O Vasco teve chance de se
associar ao Flamengo e ao Fluminense, mas no início de todo esse processo
preferiu não se juntar”.
2022. JOGO DOS CINCO ERROS
Após a derrota por 2x1 para o Flamengo na Taça Rio, o Vasco protestou na FERJ contra o juiz Rafael de Sá. 1) Pereira acertou uma cotovelada em Pec e não foi expulso; 2) impedimento errado de Nenê em lance perigoso; 3) no segundo gol do rival Andrey sofreu falta; 4) no minuto final, erro do VAR; e 5) o acréscimo (só três minutos) para dez substituições e duas comemorações demoradas.
2022.
OS HIPÓCRITAS
Antes da eleição para o governador, os cartolas do
Flamengo se reuniram com os principais candidatos – os flamenguistas doentes
Claudio Castro e Marcello Freixo - para se certificarem sobre o futuro do
Maracanã. Quando Castro ganhou, as cartas estavam marcadas sobre a licitação.
Freixo se tornaria ministro do Turismo no governo Lula, produziu um guia dos
estádios de futebol chamado “Rota do turismo do futebol na América do Sul” e simplesmente ignorou São Januário.
2022. PODER JUDICIÁRIO
Relatório do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) mostra intensa movimentação de desembargadores a favor do Flamengo em questões judiciais e comerciais. Penhoras evitadas enquanto o Vasco é penalizado e pareceres obscuros usados em fechamentos de negócios. Estudos e pareceres jurídicos estavam no computador do desembargador Guaraci de Campos Vianna, um membro do Conselho Deliberativo do Flamengo, entre eles o contrato do Maracanã e os de patrocínio com a Adidas, a MRV Engenharia, a Ambev e a Caixa Econômica Federal.
Afastado por desvio de conduta pelo CNJ, Guaraci passou a ser investigado pela Polícia Federal na Operação Sem Refino em 2025, por irregularidades em decisões sobre a recuperação judicial da Refinaria de Manguinhos (REFIT) e outras ações estranhas.
2022. O JUIZ FEDERAL (3)
O juiz federal Vladimir Santos Vitovski, da 9ª Vara de Execução Fiscal
do RJ – inflexível com o Vasco em 2012 e em 2019 – conclui: a dívida de R$ 127
milhões do Flamengo com a Refeita Federal (adquirida entre 1993 e 1998 e nem um
tostão paga) é alta para um clube pobre (sic) e no limite entre cara-de-pau e
desonestidade a reduz para R$ 10 milhões! A justificativa para a desavergonhada
doação de R$ 117 milhões na canetada: “Os impactos da COVID 19 na receita dos
clubes”.
2022. O SUPER TRAMBIQUE
O dia da tão esperada licitação do Maracanã - para administrá-lo por 20 anos -, havia chegado: 27 de outubro. Com tudo armado pelo governador flamenguista Claudio Castro para a vitória incontestável do “Consórcio Fla-Flu”, o Vasco, com o “Consórcio Maracanã para Todos”, entra na briga. Mas comete um erro: anuncia UM DIA e não UM MINUTO antes do prazo de entrega das propostas. Em 24 horas, agentes do sistema identificaram ser ela – mais inclusiva, em parceria com WTorre e a Legends - bem melhor. Dá-se o golpe: o conselheiro do TCE e flamenguista Marcio Pacheco impede a licitação. Para ele e outros do órgão, itens do edital, subitamente, tornaram-se inadmissíveis. Os estadunidenses da 777 Partners, ex-donos da SAF, vieram ao Rio e até hoje não entenderam o que aconteceu.
2022. SEM PRESSA
O Vasco defendia que outra licitação fosse marcada o quanto antes. Os flamenguistas não tinham tanta pressa – demorou quase dois anos. Motivo: a conselheira do TCE e flamenguista Mariana Willeman pediu vista e a manutenção da tutela provisória para Fla-Flu, rejeitando o pedido do Vasco de gestão. Mariana é mulher do ex-vice-presidente Jurídico do Flamengo na diretoria (barra pesada) de Bandeira de Mello, Flavio Willeman, atualmente um subprocurador do Estado.
2022. QI FORTE
Sobre o conselheiro que travou a licitação, Marcio Pacheco foi para o TCE graças à articulação de Claudio Castro, contra o vascaíno Rosenberg Reis. Castro era o chefe de gabinete de Pacheco, na ALERJ, enquanto este, ex-deputado, era o líder do governo de Wilson Witzel - o governador cassado que deu início às concessões provisórias do Maracanã. Pacheco já foi réu em processos por peculato, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
2023. BRAX
Desde os primórdios das transmissões de TV do Campeonato Carioca, os “grandes” recebiam cotas iguais por seus jogos. Até que a FERJ contrata a BRAX e essa empresa de marketing, cujo dono é filho do radialista Washington Rodrigues, resolve que o Flamengo merece mais dinheiro. O Vasco resiste dois anos, mas acaba cedendo.
2023. A FARSA
Como a dupla Fla-Flu não
aceita partilhar com o Vasco, o
governador flamenguista Claudio Castro, enfim, promove
uma licitação “fake” para a gestão provisória do
Maracanã até que a definitiva ocorra, mas impõe exigências impossíveis aos consórcios “Maracanã Para Todos”, do Vasco e “Arena 360” e estes desistem abrindo o
caminho para a dupla Fla-Flu continuar numa boa, nadando em dinheiro público.
2023.
FUMAÇA NO GASÔMETRO
O prefeito Eduardo Paes desapropria o terreno do
Gasômetro, em Bonsucesso, e o Flamengo arremata em leilão por R$ 138 milhões,
teoricamente para a construção do seu estádio. Era da Caixa Econômica Federal
(o presidente Lula participou das negociações). Apesar de caro, não passa de
cortina de fumaça para esconder o real objetivo: pressionar o Governo do Rio (e
a ALERJ) a vender o Maracanã – esta fase se desenrola hoje na ALERJ. É
impossível existir no Gasômetro um estádio por razões de ordem
financeira, estrutural, ambiental, legal, jurídica, moral, arqueológica e
cultural.
2023. FLA-VAR
De péssima lembrança, o ex-juiz flamenguista Péricles Bassols – um dos piores da história – atua como funcionário da CBF (!). Em 2011, ele tirou do Vasco o título brasileiro. Por louvor (sic) esse indivíduo foi promovido a “gerente técnico do VAR” e, a partir de 2026, “instrutor de VAR”. Parece que explica o motivo de esta tecnologia, benvinda no mundo, gerar tanta polêmica no Brasil.
2023. A NOVA GERAÇÃO
Bruno Arleu de Araújo – seguidor de Péricles Bassols, Marcelo de Lima Henrique e outros da FERJ – doou ao Flamengo a vitória por 3x2 sobre o Vasco pelo Campeonato Carioca. No segundo gol do rival houve falta em Rodrigo e no terceiro permitiu que a falta fosse cobrada com rapidez, mas em lance igual para o Vasco no primeiro tempo mandou voltar.
2024. CALOTE DA MALA BRANCA
O presidente do Flamengo, Rodolfo Landim, prometeu ao Nova Iguaçu metade da renda do jogo decisivo, caso o time da Baixada conseguisse eliminar o Vasco na semifinal do Campeonato Carioca. Isso aconteceu. Aí Landim disse que não era bem assim.
2024. CANDIDATO LARANJA
Além
de se acertar com Claudio Castro e Marcelo Freixo, candidatos ao governo do Rio
(2022), o Flamengo usou um laranja na licitação do Maracanã: participaram o
“Fla-Flu S\A”, o “Maracanã para Todos” (Vasco) e a “Arena 360”, gestora
do Mané Garrincha, em Brasília – sociedade anônima cujo maior acionista é o
Banco Regional de Brasília (BRB) – por incrível “coincidência”... O patrocinador
máster do Flamengo!
2024. A ARAPUCA
No edital de licitação proposto pelo doente flamenguista e governador Claudio Castro, nota máxima na “proposta técnica” (maior peso) só com 70 datas de jogos por ano. Ao desconsiderar Santos e Brusque, inviabiliza outra proposta que não a dos coirmãos da Zona Sul. Uma arapuca, porque o Vasco não podia ter apoio de Bangu ou América porque só os das séries A e B do Brasileirão eram credenciáveis. Nem jogos de Fla e Flu - a proposta do “Consórcio Maracanã para Todos” é de isonomia, sem discriminação (ao Vasco) e sem os privilégios que, desde 2019, favorecem os gestores provisórios (Fla-Flu).
2024. O CIRCO DA LICITAÇÃO
Ao transformar o cidadão – em particular os vascaínos – em palhaço por acreditar em uma licitação de cartas marcadas, o Governo do Rio anunciou o “Consórcio Fla-Flu” para administrar o Maracanã até 2044. A licitação está repleta de indícios de fraude – adiamentos, vazamentos, conchavos, coincidências etc. -, o “Consórcio Maracanã Para Todos” não aceitou o desfecho e fez constar seu protesto em ata.
Não há boa fé: o Vasco procurou mais de uma vez os rivais em busca de uma gestão compartilhada e foi repudiado. O propósito é sabotar, como há exatamente um século no preconceito aos Camisas Negras. Desde 2019, quase todos os jogos do Vasco no Maracanã só ocorreram porque o clube buscou seus direitos na Justiça.
2024. LULA, O DISTRAÍDO
Mal ganha licitação (fraudulenta)
do Maracanã, o Flamengo investe em outro bem público, o Gasômetro - para a
suposta construção de um estádio. A trama começa na gestão de Jair Bolsonaro e se
desenrola com Lula, com a alienação do terreno da União dias antes da eleição
municipal na qual Eduardo Paes foi reeleito. Lula mal sabe que o Fla é da Zona
Sul, sem identidade com Bonsucesso, vizinho a São Januário, na Zona Norte. E
nem que firmou contrato de 20 anos para jogar 35 vezes\ano no Maracanã e não
pode (ao menos sem mamata) ter um estádio próprio antes de rescindir esse
contrato.
2025. O APOSTADOR
Bruno Henrique, do Flamengo, forçou o cartão amarelo e a expulsão contra o Santos, pelo Brasileirão-23, para encher o bolso de apostadores das BETS a começar pelo irmão. É estelionato, crime pelo qual está sendo julgado em Brasília-DF. No STJD (no Rio!), barra limpa da acusação de “manipulação de resultado” (pagou R$ 100 mil de multa). Outros que se venderam por um amarelo foram punidos, em 2023, pelo mesmo STJD: Diego Porfírio (Coritiba) - multa de R$ 60 mil e eliminação do futebol; Alex Manga (Coritiba) - R$ 50 mil e um ano fora; Sávio (Goiás) – R$ 30 mil de multa e um ano fora; Nino Paraíba, do Ceará - R$ 100 mil e dois anos fora; Igor Carius (Sport) - R$ 50 mil de multa e um ano longe dos gramados.
2025. A BET DO FAIR PLAY
A empresa grega de apostas BETANO, responsável pela desgraça de milhares de brasileiros com suas finanças e vidas destruídas, é a patrocinadora master do Flamengo e do Campeonato Brasileiro e da Copa do Brasil, promovidos pela CBF. No ambiente promiscuo das apostas online (exemplo: Bruno Henrique) é inexplicável não haver debate sobre a ausência de fair play em casos como esse. Gregos de índole suspeita bancam a CBF desde 2024 e o Fla desde 2025.
2025. COINCIDÊNCIA... OUTRA VEZ
O Vasco é garfado contra o
Flamengo e perde por 2x1, gol irregular de Bruno Henrique. Impedido, só que Wagner do Nascimento Magalhaes (longo histórico
negativo) botou na cabeça que não. A TV
Globo mostrou rapidamente a linha do VAR com o Apostador à frente, Grafite
comentou sobre um possível erro. Mas... E daí?
2025. SANGUE NA CANELA
Nos primeiros minutos da final da Libertadores,
Flamengo 1x0 Palmeiras, Pulgar atinge com as travas da chuteira a canela de
Bruno Fuchs, agredindo-o com a partida interrompida: cartão vermelho sem
conversa. Mas o juiz argentino Nicolás Ramirez dá o amarelo evitando que o time
rubro-negro ficasse com dez. Manchete do diário AS, da Espanha: “Flamengo e Filipe Luís,
campeões com escândalo”.
2025. LINGUA DE TRAPO
O Vasco pegou empréstimo com a Crefisa, cuja dona é a presidenta do Palmeiras, Leila Pereira, e foi goleado pelo time paulista por 3x0 no Allianz Park. Luiz Eduardo Baptista, o BAP, atacou a honestidade dos jogadores vascaínos insinuando que teriam entregado o jogo em troca da vantagem financeira. Na sequência, o Flamengo deu o golpe na LIBRA com apoio secreto do Grêmio (irá receber R$ 24 milhões). Após este acordo imoral, o rival derrotou o Grêmio por 1x0, em Porto Alegre. Os gaúcho se venderam? Não! O cartola flamenguista não devia medir os outros com sua própria régua moral...
2025. IMPUNIDADE
O juiz Tiago Fernandes de Barros, a 36ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça, livrou a cara dos 11 acusados de “incêndio culposo qualificado” (homicídio) no Ninho do Urubu. Dupla traição, às vítimas e seus familiares. Pesquisa de IA mostra que na Alemanha, França, Inglaterra e China a punição seria rigorosa. Na China, prisões preventivas. Em qualquer lugar perderia o patrocínio. No caso do Flamengo, um crime sem criminosos porque envolve o “mais querido”, acima da ética e das regras. O magistrado justificou o disparate alegando que a Polícia Civil reuniu provas ruins e o Ministério Público formulou errado a denúncia.
Por muitíssimo menos, a japonesa Nissan rescindiu contrato com o Vasco em 2013, devido a uma briga de torcida sem mortes na qual os vascaínos eram os visitantes, em minoria e se defenderam.
2025. QUASE UMA QUADRILHA
O plano de assalto ao Maracanã, usurpando-o dos cidadãos (especialmente dos vascaínos) seguiu quando o doente flamenguista e governador Claudio Castro remeteu à ALERJ projeto-de-lei para alienar bens estatais a serem vendidos para quitar uma pequena parte da bilionária dívida do Governo do Rio com a União. Então, Luiz Eduardo Baptista, o BAP, o flamenguista e presidente da ALERJ Rodrigo Bacellar, e o flamenguista e deputado Rodrigo Amorim se reuniram, eles estão na vanguarda: Amorim conseguiu aprovar, por maioria de votos, o adendo para a inclusão do Maracanã na lista de Castro.
Amorim é réu por violência de gênero. Já foi condenado a 16 meses de prisão (convertido a 70 salários mínimos). É ele o troglodita que quebrou uma placa com o nome de Marielle Franco; Bacellar (afilhado de Castro) mora em Bangu-8, por envolvimento com o Comando Vermelho; Castro teve seus bens bloqueados, é inelegível (até 2030) e responde por corrupção e desvio de dinheiro para a REFIT. Foi visitado pela Policia Federal: Banco Master-BNB; BAP é ficha limpa, mas a União Brasileira de Mulheres o odeia por ter ofendido uma jornalista.
2025. MARACANÃ: ALERTA DE GOLPE
A prova de que um estádio no Gasômetro é fumaça para esconder a real intenção do Flamengo de tomar para sempre o Maracanã é a inclusão do estádio pela ALERJ na lista de imóveis do Governo do Rio alienáveis para leilão. O flamenguista doente e deputado Rodrigo Amorim diz que é porque o Governo do Rio gasta R$ 1 milhão cada vez que o estádio abre: É MENTIRA. Ou os presidentes de Flamengo e Fluminense, Rodolfo Landim (e BAP) e Mario Bittencourt, estão cometendo um crime premeditado: na licitação (fraudulenta) de 2024 a dupla Fla-Flu assumiu a obrigação legal de pagar R$ 20 milhões\ano pela outorga (em quatro parcelas) e investir R$ 186 milhões até 2048.
2025. PROMISCUIDADE
A relação entre o doente flamenguista Claudio Castro, o Flamengo e o Banco Master está longe de se limitar a dinheiro. Na final da Libertadores, o político benfeitor voou para Lima num jatinho da Prime, firma de aviação cujo dono é o banqueiro-bandido Daniel Vorcaro. só o “conhecia de vista”, apesar dos milhões da Rio Previdência investidos de forma temerária no seu Banco Master.
2026. PATROCÍNIO IMORAL
A Justiça congelou o patrocínio de R$ 42,6 milhões\ano entre o Banco Regional de Brasília (BRB) e o Flamengo por burlar a moralidade, a impessoalidade e lesar os cofres públicos (depois liberou). Na renovação, em abril, o Fla tinha conseguido embolsar 50% por caminhos nebulosos. Paulo Henrique Costa, que avalizava os contratos, está na cadeia. Vorcaro, o dono do Banco Master, também. O BRB, envolvido na fraude financeira do Banco Master, repassava dinheiro ao “Mengo” (sic) do coração do governador Ibaneis Rocha (DF) desde 2020.
2026. OS CALOTEIROS
O patrocínio do BRB existe graças ao flamenguista e ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha. Em 2020 foi lançado um banco digital, o “Nação BRB Fla”. Quatro anos depois, a inadimplência entre flamenguistas por grana emprestada ou cartão de crédito já era de R$ 455 milhões (25% dos correntistas), um brutal prejuízo para o banco.
2026. POR BAIXO DOS PANOS
Tudo ia legal na LIBRA (Liga do Futebol Brasileiro) até que o Flamengo concluiu ser merecedor de embolsar da TV Globo R$ 140 milhões a mais que os outros até 2029. Insatisfeito, o Palmeiras deixou a liga. Depois se descobriu que o Fla tinha acertado o repasse de R$ 24 milhões ao Grêmio (em três parcelas) em troca do apoio político.
2026. BICUDÃO NA LEI
O terreno da sede da Gávea, às margens da Lagoa, foi invadido em 1926. Graças ao prefeito do Distrito Federal, Pedro Ernesto, em 1933 o Flamengo obteve o aforamento (permissão de uso) - não é o dono: é do Governo Rio – em certas condições, e uma é o uso exclusivo para os esportes. Claudio Castro, em seus últimos atos, liberou a construção de um hotel e um pequeno shopping. Em 2000, o flamenguista e ex-governador Anthony Garotinho tentou algo parecido e foi impedido na Justiça.
2026.
O MILAGRE
Para ser campeão carioca o Flamengo se valeu de um
milagre: 12 resultados favoráveis de outros times em 12 jogos, ou seja, a
chance classificação à fase decisiva era de uma por 531.441. Foi aí que Madureira,
Nova Iguaçu, Boavista e Maricá entraram em crise técnica simultaneamente. Moral
da história: nem disfarçam mais.
2026. BARRA PESADA
Este ano, o Vasco foi discretamente prejudicado. No primeiro, Fla 1x0, Barros expulso em lance que o amarelo servia e mudou as coisas. No 2x2, não marcado pênalti em David (cama-de-gato) e em Pedro foi cavado. Isso não é nada diante da tragédia após o jogo, quando um vascaíno foi assassinado por flamenguistas e outro ficou cego de um olho, atingido pela bala de borrada que saiu da arma de um PM.
A polícia não prendeu ninguém. O mais bárbaro: a Jovem Fla, que cumpria suspensão de dois anos desde 2025 teve anulada a sentença pela desembargadora Cintia Santarém Cardinali (essa tem sangue nas mãos). O Maracanã não foi interditado e nem o Flamengo – o mandante - punido. Por menos, São Januário foi duas vezes fechado três meses.
2026. LOBBY EM BRASÍLIA
O Flamengo ataca no Congresso Nacional com a “bancada rubro-negra”, deputados que se articulam a começar por Bandeira de Mello. Até Zico participa. Cantam o hino do clube no plenário. Enfim, derrubaram o veto de Lula à parte do projeto-de-lei que equipara a carga tributária dos clubes associativos à das SAFs. Estas (VASCO SAF) têm outras obrigações, podem falir, enquanto os associativos são isentos dos impostos (5% da bilheteria ao INSS e só).
A pendenga está no Senado. A “bancada rubro-negra” e os cartolas têm acesso à Esplanada dos Ministérios – De Mello, estrategicamente, aproximou-se de Lula (“Tratei diretamente com ele”), o que facilita a marcação de reuniões para a negociação de isenções fiscais, patrocínios de estatais e outros pulos. Para os economistas do governo, essa equiparação é inconstitucional.
