FLA E TV GLOBO SABOTARAM O FUTEBOL BRASILEIRO
Até 1986 quase não existia transmissão de futebol ao vivo no Brasil. Um ou outro jogo, no máximo.
Era proibido, mas tudo mudou em 1987.
Para transmitir o Campeonato Brasileiro – a Copa União, com seus módulos
verde e amarelo – daquele ano com exclusividade a TV Globo e o recém-fundado Clube dos Treze negociaram. A emissora,
a partir de então, passou a dar as cartas no futebol brasileiro, tornando-se
rapidamente a principal fonte de receita dos clubes.
(O uso de publicidade nas camisas havia sido liberado pelo CND em 1982,
mas ainda não era uma fonte robusta de dinheiro com exceção do Flamengo,
bancado com o dinheiro público da estatal Petrobras).
A TV Globo se curvou ao Clube
dos Treze – o precursor das “ligas” –, forçada a engolir a divisão em quatro
níveis para o repasse do seu dinheiro: 1)
Vasco, Flamengo, Palmeiras, Corinthians e São Paulo passaram a ganhar,
anualmente, R$ 21 milhões. 2) O
Santos, R$ 18,5 milhões. 3) Botafogo,
Fluminense, Internacional, Grêmio, Cruzeiro e Atlético-MG, R$ 18 milhões, e 4) Bahia, Atlhetico-PR, Goiás e Sport,
R$ 11 milhões.
Assim foi enquanto durou o Clube dos Treze,
extinto em 2011. O Flamengo implodiu o clube aproveitando-se da saída de cena de Eurico Miranda em 2008, depois de ter perdido a eleição à presidência do Vasco para Roberto Dinamite.
Imediatamente, Flamengo e Corinthians começaram a receber mais que Vasco,
São Paulo e Palmeiras, que ainda ficaram à frente de Santos, Cruzeiro,
Atlético-MG, Grêmio, Internacional, Botafogo e Fluminense e Bahia, mas as
diferenças não eram tão grandes como atualmente.
O Vasco de Dinamite aceitou sem contestação o modelo de negociação individual com a TV Globo porque o clube, endividado, passou a receber o dobro.
Em 2024, em uma entrevista para o GloboEsporte.com,
o bravateiro Marcio Braga culpou o então falecido Eurico Miranda pelo fim do Clube dos Treze, quando
aconteceu o oposto, sendo o Vasco o maior prejudicado.
O Flamengo sabotou o sindicato dos clubes até destruí-lo. A partir de
então, com as negociações individuais e não mais coletivamente com a TV Globo (a vanguarda da FlaPress),
naturalmente a diferença entre o “mais querido” da família Marinho para os
demais disparou.
Em 2019, alguns clubes romperam a exclusividade da TV Globo e fecharam com emissoras de TV a cabo. Outros seguiram o
caminho tortuoso, insatisfeitos com a avalanche de dinheiro que sempre cai nos cofres do
Flamengo e, em menor volume, nos do Corinthians.
Hoje, os clubes se dividem: a Liga Forte União (LFU), com Vasco,
Botafogo, Fluminense, Corinthians, Internacional, Cruzeiro, e a Liga do Futebol
Brasileiro (Libra), com Flamengo, Palmeiras, Santos, São Paulo.
Para resolver o impasse unindo-as a partir de 2030, o presidente da CBF,
Samir Xaud, promoveu um encontro na sede da entidade, na Barra da Tijuca, no ultimo dia 6 de abril.
Na Libra, a divisão do dinheiro não é mais em taxa única, mas em três
vertentes: 1) uma parte fixa (40%); 2) uma por mérito esportivo (30%); e
outra 3) por audiência na TV aberta e
pay-per view (30% - muito acima do justo, que não poderia
superar 10% se o propósito da CBF é o fair
play financeiro).
O Flamengo julga merecer mais dinheiro (baseado em pesquisas de
opinião publica de firmas particulares contratadas por ele, como o IBOPE),
desprezando o passado de isonomia do Clube dos Treze. Sem nenhum espírito
esportivo (com apoio da TV Globo),
impede a unificação do futebol brasileiro.
O Vasco perdeu o status da
época do Clube dos Treze.
Por isso mesmo, o presidente Pedrinho – omisso na tramoia da Arena Maracanã,
cuja licitação AINDA PRECISA ser alvo de ação judicial – nas negociações sobre cotas
de TV tem a obrigação de vascaíno de
se inspirar em Eurico Miranda e não aceitar menos que o máximo possível.