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19 de dezembro de 2025

FLAPRESS NUNCA PERDE SEU VENENO

Surgida na década de 1930 com a missão primordial de combater o Vasco, a FlaPress está venenosa porque a presença do Vasco no Maracanã e a chance de ser campeão de uma competição nacional a perturba. Não?! Bastou o time se classificar para a final da Copa do Brasil que o site de O Globo anuncia: Robert Renan prefere enfrentar o Corinthians em São Januário. O Lance fez o mesmo com Rayan. A suposta pergunta feita aos jogadores tenta naturalizar o absurdo, ao sugerir que a grande final, entre dois clubes de massa, tivesse 19.000 espectadores num estádio pequeno isso é desejar o mal dos vascaínos. 

Os coirmãos da zona sul Fla-Flu se favoreceram da licitação decidida de véspera para usurpar o Maracanã e causar danos ao Vasco. A exclusão de um clube da zona norte de raízes populares da maior praça esportiva da cidade, em 2024, é só mais um capítulo de uma longa historia de ações elitistas naturalizadas na FlaPress.   

“Lugar de vascaíno é em São Januário”. Com este jargão, o tricolor e radialista Deni Menezes, então repórter da Rádio Globo, induziu mais de uma geração de vascaínos a crer que o velho estádio era o “único” legítimo, raiz, afinal o mesmo jamais teve a preocupação de ampliar o jargão: “Lugar de vascaíno é no Maracanã ou qualquer estádio”... 

No final da década de 1980 e início dos anos 90, o público sumiu do Maracanã, obrigando os times a atuarem em estádios menores: o Flamengo na Gávea, o Fluminense em Laranjeiras e o Botafogo no Caio Martins, em Niterói. Quando houve um retorno gradual ao templo – mesmo com jogos deficitários – o Vasco de Eurico Miranda resolveu ficar em São Januário, transformando-o no palco dos melhores jogos. talvez, o maior erro do ex-presidente.

5 de dezembro de 2025

 



DESEMBARGADOR QUE LIBEROU REFIT ENVOLVIDO NA TRAMOIA DO MARACANà


Interditada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), a REFIT, antiga Refinaria de Manguinhos a maior sonegadora de impostos do Brasil foi liberada no dia 27 de novembro pelo desembargador Guaraci de Campos Vianna (FOTO), a mando do governador Claudio Castro. Além do apreço por postos de gasolina, os dois têm em comum a paixão pelo Flamengo: Guaraci participou da licitação (fraudulenta) do Maracanã. No primeiro caso, a farra deles acabou no dia seguinte (28-11), com a deflagração da Operação Poço de Lobato, pela Receita Federal: a refinaria suja como pau de galinheiro lava dinheiro, finge que refina e comete outros crimes.

Sócio proprietário e ex-membro do Conselho Deliberativo do Flamengo, Guaraci foi acusado em 2023 de desvio de conduta pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ao favorecer interesses privados, especialmente do Flamengo e da Fetranspor. No HD do computador dele havia uma lista de pareceres jurídicos favoráveis ao clube, em relação à licitação do Maracanã e a contratos com Adidas, Ambev, Caixa Econômica Federal e outros.

Prestar consultoria para entidades privadas com demandas na Justiça é proibido pela Lei Orgânica da Magistratura Nacional (LOMAN) e pelo Código de Ética da Magistratura. Guaraci não precisou ser afastado, ao contrário do que houve em 2019, quando o CNJ o investigou por corrupção, incluindo a concessão de seis liminares em plantões judiciais. Entre os casos, a prisão domiciliar a dois acusados de exploração sexual procurados pela Interpol, que estavam foragidos. O magistrado se voluntariou para julgar este caso, algo que jamais fizera em sua longa carreira.

Desembargadores temem pouco, afinal, a pena mais grave num processo disciplinar do CNJ é a aposentadoria, sem prejuízo financeiro. Outras são advertência ou transferência para outro fórum. Enquanto Guaraci agia em favor da REFIT Claudio Castro se divertia em Lima, Peru, vendo seu time, da arquibancada, ser favorecido pelo juiz escalado pela CONMEBOL na final da Copa Libertadores da América.

BOMBA DE GASOLINA

A REFIT deve mais de R$ 30 bilhões em impostos, especialmente para os Estados do Rio de Janeiro e de São Paulo. De acordo com a Operação Poço de Lobato, ela e empresas associadas usam importadoras, distribuidoras, postos de gasolina, fintechs e paraísos fiscais para limpar dinheiro sujo, possivelmente originário do Comando Vermelho, do PCC ou outras organizações criminosas.

Segundo o ex-governador Anthony Garotinho, a REFIT não refina gasolina há 15 anos. A tramoia abrange toda a cadeia de combustíveis, da importação à comercialização no varejo. Para movimentar (e ocultar) o dinheiro das fraudes, utilizava uma rede com mais de 50 fundos de investimentos sediados em paraísos fiscais, como Delaware (EUA), para mascarar a origem da grana e dificultar o rastreamento.

Dono da REFIT desde 2008, Ricardo Magro foi advogado de Eduardo Cunha quando este era o líder do PMDB na Câmara dos Deputados, tendo deixado a função em 2013 para se dedicar apenas à refinaria “fake” de Manguinhos – nunca passou uma gota de combustível refinado em sua torre de operação – usa a planta exclusivamente para lavar combustível importado, que chega ao país ilegalmente e é distribuído a postos de “bandeira branca” sem pagamento de impostos nem nos portos, nem nos postos.

Magro foi flagrado almoçando num restaurante em Nova York com Claudio Castro e o secretário de Fazenda do Rio de Janeiro, Juliano Pasqual, o qual teria sido indicado por ele (e outros na gestão de Castro) segundo Garotinho. Estranhíssimo, em se tratando do maior sonegador do Estado e do Brasil. 

Em 2016, o dono da REFIT chegou a ser preso na Operação Recomeço, da Polícia Federal, quando esta investigava desvios de recursos em fundos de pensão. Foragido, na lista da Interpol, se entregou. Hoje ele reside em Miami (EUA), numa mansão de milhões de dólares e usa o Brasil para dar seus pulos.

9 de maio de 2024

CUIDADO COM O VENENO DA FLAPRESS

Com o propósito de desqualificar o ‘Consórcio Maracanã Para Todos’, o site globoesporte.com lançou, na tarde desta quinta-feira (9-5), uma fake News. Manchete: Proposta de Vasco e WTorre pela licitação do Maracanã previa até 10 shows por ano e venda de naming right. O antídoto contra o veneno está no oitavo parágrafo: a previsão é de DOIS shows e 75 jogos nos primeiros CINCO anos de contrato, ou seja, até o final de 2029.

EXATAMENTE DOIS SHOWS aconteceram em 2023 na gestão provisória dos coirmãos Fla-Flu, que, assim, puderam encher os seus cofres graças a Paul McCartney e Ivete Sangalo. Os clubes da zona sul defendem, com toda razão, que o excesso de espetáculos musicais pode causar danos no gramado.

O ‘Consórcio Maracanã Para Todos’ propõe DEZ shows só a partir de 2030 – isso, considerando a redução do número de jogos de 75 para 40 - no caso de Flamengo e Fluminense – por razões, hoje, inexistentes - desistirem de usar o estádio - porque o contrato diz que o futebol é prioritário.

O agente da FlaPress tem o disparate de cravar uma “média” (sic) de oito shows por temporada, entre 2024 e 2044 ao preço de R$ 1 milhão cada um, sem variação alguma em vinte anos. Para contar vantagem em nome dos queridinhos do sistema, ressalta que a previsão do ‘Consórcio Fla-Flu’ é de um único show a cada ano.

A reportagem tentou encontrar na proposta do ‘Consórcio Maracanã Para Todos’ alguma referência à possível implantação da amaldiçoada grama sintética e nada. O jeito foi o contorcionismo: o gramado, diz o texto, irá receber um “preparo” para encarar os shows... da próxima década.

A comissão de licitação da Casa Civil do Governo do Rio de Janeiro, cujos membros – QUEM SÃO? - foram indicados pelo flamenguista e governador Claudio Castro, rasgou o edital bolado por eles próprios ao vetar Santos e Brusque no consórcio que reúne WTorre e Vasco.

Para a FlaPress, isso é pura bobagem.

Sobre a paridade entre as “propostas financeiras” – a do ‘Consórcio Maracanã Para Todos’ foi de R$ 20.000.777,28\ano e a do ‘Consórcio Fla-Flu’, de R$ 20.060.874,12\ano -, o globoesporte.com não desconfia de vazamento de informação. Aposta que foi só coincidência. Coisas do destino...



FRAUDE NO MARACANÃ: OS CANALHAS (I)

Ao fazer o cidadão – especialmente os vascaínos – de palhaço – por crer em uma licitação de cartas marcadas – o Governo do Rio de Janeiro anunciou, na última quarta-feira (8\5) a vitória do ‘Consórcio Fla-Flu’, para administrar o Maracanã até 2044. Com tantos indícios de fraude – adiamentos, vazamentos, conchavos, coincidências etc. - o ‘Consórcio Maracanã Para Todos’ deve ir à Justiça para reverter a decisão em seu favor.

Representantes do Vasco e da empresa WTorre no Palácio Guanabara, em nome do consórcio derrotado (de véspera), não aceitaram o desfecho e fizeram constar o protesto em ata.  

Questionado sobre a disponibilidade do Maracanã para outros clubes, o vice-presidente Jurídico do Flamengo, Rodrigo Dunshee de Abrantes, expressou, com a sua fala, o perfil dos que planejam usurpar o estádio público:

“Deve haver intervalos de ao menos 48 horas e o ideal são 72 horas entre os jogos. Questões que continuarão debatidas, de boa fé (1). Flamengo e Fluminense não vão impedir ninguém de jogar no Maracanã (2), mas tem que ser de forma que preserve o gramado (3), o interesse da população (4) e o do torcedor (5)”.

1. “Boa fé” não há. O Vasco procurou mais de uma vez os rivais em busca de negociações por uma gestão compartilhada e foi repudiado. O propósito é sabotar – isso a partir de 1923 – o clube da zona norte, de perfil mais popular.

2. Desde 2019 os coirmãos administram (provisoriamente) o Maracanã. Neste período, quase todos os jogos do Vasco no estádio só aconteceram porque o clube buscou seus direitos na Justiça.  

3. Flamengo e Fluminense disputam a cada ano 60 jogos e os cartolas desses clubes culpam os cinco ou seis jogos do Vasco por danos no gramado...

4. Ao citar “população”, ele se refere aos adeptos dos clubes que carregam no passado a mancha suja do racismo – Fla e Flu.  

5. Não para o torcedor vascaíno, há anos sendo maltratado em um estádio público. Caso o resultado da licitação seja mesmo confirmado na Justiça, a sina continua.

SOCO NA MESA

Em 2019, o Flamengo gastou mais de R$ 250 milhões no seu futebol – recorde – mas se negou a pagar indenizações justas às famílias dos dez jovens que, vítimas de um incêndio por negligência, morreram na concentração do clube, o Ninho do Urubu. Esta ação de extrema avareza teve um mentor: Dunshee, o vice jurídico.

“O Flamengo não barganha com a vida dos meninos”, bradavam os cartolas nos dias seguintes à tragédia (8\2).

Segundo a defensora pública Cíntia Guedes, o Flamengo pretendia resolver a questão pagando um valor fixo às família. O documento estava pronto, bastavam as assinaturas quando o clube recuou. O presidente Rodolfo Landim coçou a testa: “O que a gente não pode é pagar um valor estratosférico que iria afetar tremendamente”...

Uma nova reunião no Ministério Público-RJ foi marcada para acertar os valores. Para a mãe de Arthur Vinícius, Marilia Barros, tal encontro foi mais triste do que o próprio enterro do filho.

Os parentes esperavam Rodolfo Landim – até imaginaram que lhes pediria desculpas -, mas ele tinha mais o que fazer. Dunshee surgiu repentinamente e sem proposta alguma: “Não fico mais de 15 minutos”.

Foi quando Cristiano Esmério, o pai do falecido Christian, socou a mesa.

Mães passaram a chorar no corredor. Então Dunshee virou as costas e foi embora com a sua turma, enterrando de vez a negociação coletiva. Sobre quem é o responsável pelas mortes: “Eu não me sinto”.  

A maioria das famílias foi vencida pelo sofrimento e pelo cansaço, ao aceitar – meses depois - a barganha que Dunshee tinha largado sobre a mesa.

+ Oito pessoas respondem na Justiça por dez homicídios culposos e três crimes de lesão corporal. Por enquanto, a culpa é do raio.   

8 de maio de 2024



VASCO x FLA-FLU: QUESTÃO DE BERÇO

A origem dos clubes – na virada entre o século XIX e o século XX - que disputam a licitação do Maracanã (até 2044) explica a posição de cada um: a proposta do ‘Consórcio Maracanã Para Todos’ – do Vasco e da WTorre – é includente, popular; a do ‘Consórcio Fla-Flu’ elitizada, por contemplar os coirmãos da zona sul e só. Os vascaínos, desde 2013 – quando o estádio passou a ser gerido pelos rivais, na época, em parceria com a Odebrecht – são covardemente discriminados.

Querem separar a população em dois grupos.

Um com cidadania plena – os rubro-negros e tricolores - pode frequentar o Maracanã - o palco mais simbólico do futebol. O outro, o da torcida do Vasco – mais popular e muito superior em tamanho à torcida do Fluminense – é condenado a ser visitante em sua própria casa porque os usurpadores não tratam o estádio como bem público.

IDENTIDADES

O Flamengo é fundado a 17 de novembro de 1985. Logo, troca a “fundação oficial” para 15 de novembro, junto ao feriado da Proclamação da República. As cores mudam, em 1896, de azul e ouro – tecidos difíceis de encontrar - para preto e vermelho. O Vasco sempre foi de 21 de agosto de 1898. Na bandeira, o preto representa os mares nunca antes navegados, o fim do mundo e as mortes no caminho. A faixa branca é a rota do navegador, e a cruz a fé do povo português (o Flu imita o Fla: surge, em 1902, cinza e branco, e só depois adota o tricolor).

FUNDAÇÃO

Em 1895 numa reunião de jovens da burguesia – estudavam e se divertiam – no Largo do Machado, nasce o C.R. Flamengo, tendo como garagem um casarão na Praia do Russel, 22 (Praia do Flamengo), área nobre, vizinho ao Palácio do Catete, a residência do presidente da República. Um dos motivos é que, em 1894, o C.R. Botafogo tinha sido fundado e seus remadores cortejavam as moças do bairro Flamengo. Já o Vasco surge em 1898, em um sobrado alugado na Rua da Saúde, 127 (Gamboa), fundado por portugueses e descendentes, alguns donos de pequenos comércios e a grande maioria de assalariados em lojas no Centro, zona norte e subúrbios.

REALIDADES

Remadores do Flamengo viviam da mesada dos pais e, às vezes, usavam o píer da presidência da República para lançar os seus barcos na Baía de Guanabara. Já o primeiro presidente do Vasco renunciou em 1899, levando quase todos os barcos para fundar o C.R. Guanabara, em Botafogo.  

Enquanto nos clubes dos ricos da zona sul não era admissível o convívio com pobres, no Vasco, eles formavam a maioria. A elite também mantinha forte rejeição aos portugueses. Esses clubes faziam questão de se apresentarem como os que “reuniam os filhos das melhores famílias”, e cobravam altas mensalidades. O Vasco, não. Daí os associados terem recusado a transferência da sede para Botafogo, preferindo se reinventar na região portuária. 

VASCO: ORIGEM

Nei Lopes: “O Vasco nasceu no lugar e no momento em que se gestava o melhor da cultura carioca, com sua música, sua dança e sua religiosidade. Morava perto Hilário Jovino, o fundador do rancho carnavalesco, célula-mãe das escolas de samba; os pais de santo João Alabá e Cipriano Abedé, a partir dos quais se estabeleceram no Rio os candomblés da Bahia; Tia Perciliana, mãe de João da Baiana, um dos pais da MPB. (...) a convivência entre europeus e descendentes de africanos naquela região se deu sem maiores conflitos. Vem-nos daí a ideia de que por isso que a Cruz-de-malta pulsou e pulsa no peito de tantos sambistas, e a relação é enorme”.

FLA: ORIGEM

O jornalista João do Rio, em 1916, escreveu a respeito da representatividade social do rival: “Fazer sport há vinte anos ainda era uma extravagância. (...) Rapaz sem um pince-nez, sem discutir literatura dos outros, sem cursar as academias era um estragado. E o Club de Regatas do Flamengo foi o núcleo de onde irradiou a avassaladora paixão pelos sports”.

FLU: ORIGEM

O Fluminense inaugura o foot-ball no Rio de Janeiro em 1902, dando ao esporte um perfil elitizado. O fundador e primeiro presidente foi Oscar Cox, filho de diplomata inglês, mas quem forjou a identidade tricolor foi o milionário Arnaldo Guinle, o presidente de 1916 a 1931 e de 1941 a 1943. Também presidiu a CBD de 1916 a 1920 e a AMEA em toda sua existência, entre 1924 e 1933. A Família Guinle lucrava com o Porto de Santos - era a dona do terreno do clube, do vizinho Palácio Guanabara e muito mais.

PIONEIRISMO

A partir dos clubes de remo nascem todos os outros. O pioneiro é o Grupo dos Mareantes, de 1851. A prefeitura do Distrito Federal, em 1905, inaugurou um pavilhão de ferro na Enseada de Botafogo, na recém-construída Avenida Beira-Mar. Apogeu: inglês como o foot-ball e acessível ao povo e à elite.

BOTA-ABAIXO

A multimilionária Família Guinle se beneficiou da Reforma Passos adquirindo terrenos antes ocupados por cortiços e casebres no Centro da cidade, conta Darcy Ribeiro. Revolta popular. Um projeto de cidade perverso era gestado. A nova zona sul recebe as melhorias que beneficiarão moradores dos palacetes de Laranjeiras, Flamengo e Botafogo. À população pobre, restaram os bairros da zona norte e subúrbios. Os clubes náuticos, como o Vasco, são despejados, e suas praias desaparecem aterradas: do Russel, da Ajuda, de Santa Luzia, de Dom Manuel, do Peixe, da Prainha, da Gamboa etc.

CARTOLA

O Vasco é o único dos “grandes” do Rio de Janeiro que já teve um presidente preto: Cândido José de Araújo, o Candinho, em 1904, antes da implantação do futebol, e 16 anos após a Abolição da Escravatura. O Fluminense – e o coirmão, o Flamengo – jamais tiveram. 

UNIDOS PARA SEMPRE

Por não praticarem os mesmos esportes, até 1911 havia sócios de ambos os clubes (Fla-Flu). Em 1902, flamenguistas - inclusive o seu presidente - assinaram a ata de fundação do Fluminense, na Rua Marquês de Abrantes, bairro Flamengo. De 1905 a 1906, tiveram o mesmo presidente: o inglês Francis Henry Walter. O Flu repassou ao Fla o terreno do Morro da Viúva, em 1935. O futebol rubro-negro nasceu na Rua Paysandu, terreno da família Guinle, tricolor. Ou seja, flamenguistas ajudaram a fundar o rival e tricolores criaram o futebol do Flamengo, capitaneados pelo traidor Alberto Borgerth, remador do Fla e player do Flu.

DEMOLIÇÕES

O Flamengo tinha sede e garagem num casarão em área nobre (hoje, Praia do Flamengo, 66) e sempre obteve favores públicos. O Vasco passou sufoco até a inauguração de São Januário, em 1927. A sede pioneira era um barracão na Ilha das Moças, na Gamboa. As primeiras sumiram: Ilha das Moças, aterrada; as do Largo da Imperatriz e Travessa Maia, demolidas na construção do Palácio Monroe. Por fim – com o estádio já de pé - a da Rua Santa Luzia caiu em 1942.

BACANAS

Sobre as condições de mobilidade urbana em 1917, João do Rio explicou: “A gente de Botafogo tem só de se dar com a gente de Botafogo [Laranjeiras\Flamengo] e a gente do subúrbio com a gente do subúrbio. As estações de trem da Central do Brasil têm contexto amplo, constatou Olavo Bilac, em A Notícia: “Cada uma tem o seu teatro, o seu parque, o seu cinematógrafo e o seu club”.

TORCIDA RIVAL: TEORIAS FAKE

A torcida do Flamengo cresceu com a FlaPress, com o profissionalismo em meados da década de 1930, pela visão de marketing do seu presidente Bastos Padilha. Antes, não. Há teorias sobre a origem da popularidade que camuflam o DNA elitizado. Ruy Castro: o rival já nasceu popular e a rivalidade com o Vasco – “time dos portugueses” – no remo a alavancou. Ocorre que o rubro-negro não tinha apelo popular e nem tampouco rivalidade com o Vasco no remo, dada a imensa superioridade dos vascaínos. Outra teoria delirante é da FlaPress, baseada em Mario Filho: os treinos na Rua Paysandu – área nobre - eram franqueados e os players corriam nas ruas... Ora, a torcida era a fina flor da sociedade, segundo A Gazeta de Notícias etc.

RACISMO INTIMIDA

Caso emblemático é o de Carlos Alberto, que em 1914 trocou o América pelo Fluminense (as maiores torcidas): num jogo em Campos Sales, ele passou tanto pó de arroz que ficou quase cinza. Da geral, os rubros o acusaram de fazê-lo para embranquecer a pele. Zombavam: “Pó de arroz! Pó de arroz!”. A acusação alastrou-se como insulto até virar, muito depois, motivo de orgulho dos tricolores, que reagiam chamando os americanos de “pó de mico” e os vascaínos na década seguinte de “pó da pérsia” (vermífugo). Carlos Alberto logo foi mandado embora: justa causa. Mario Filho: “O Fluminense (...) queria ser mais do que os outros, mais chique, mais elegante, mais aristocrático. O pó-de-arroz pegou feito visgo”.

TIME DOS MÉDICOS

Dos onze titulares do Flamengo em 1914, nove estudavam Medicina, um Direito e outro não estudava nada, mas era rico, do contrário não teria sido aceito no Fluminense e nem estaria em meio aos atletas rubro-negros. O futebol refletia a ordem social. Daí ser inconcebível a um pobre, semianalfabeto, competir esportivamente – ou mesmo conviver - com um futuro doutor.

ESPÍRITO DO TEMPO

Em 1916, um artigo na revista Sport retrata o sentimento dos rivais do Vasco, nas primeiras décadas do século XX: “(...) Frequentamos uma academia, temos uma posição na sociedade, fazemos a barba no Salão Naval, jantamos no Rotisserie, visitamos as conferências literárias, vamos ao Five O’clock; mas quando nós resolvemos a praticar esporte às vezes somos obrigados a jogar com um operário, limador, mecânico, chofer e profissões que absolutamente não estão em relação ao meio onde vivemos. Nesse caso a prática torna-se um suplício, um sacrifício, mas nunca uma diversão”.

LEI HOUR CONCOURS

Até meados da década de 1910, o futebol era aos sábados para não competir com as regatas. Na era dourada, de 1989 a 1914, dos 17 campeonatos os clubes do Centro levaram vantagem, com cinco títulos do Vasco (1905/06/12/13/14), quatro do Natação e Regatas (1902/07/10/11), dois do Boqueirão (1901/03) e um do Internacional (1909). O Gragoatá, de Niterói, ganhou quatro (1898/00/04/08) e o Botafogo, da zona sul, um, em 1899.

Na impossibilidade de serem campeões de remo, em 1915 Flamengo, Botafogo e Guanabara aprovam, na FBSR, uma das leis mais antiesportivas do mundo, a “Lei Hour Concours”, segundo a qual são excluídos da prova que decide o campeonato (yole-8) quaisquer remadores com dois ou mais títulos. Só afetou os vitoriosos, particularmente o Vasco, tricampeão.

GENTE FINA

No futebol, o Vasco estreou na terceira divisão da LMSA (futura LMDT, LCF e, atualmente, é a FERJ) e só chegou à primeira divisão em 1923. Diferente do Flamengo, que estreou no futebol - quatro anos antes, em 1912 - na mesma LMSA, diretamente na primeira divisão - graças à intervenção do poderoso (na época) coirmão Fluminense.


IMAGEM - berço do Fluminense

7 de maio de 2024


MARACANÃ: UMA TRAPAÇA ANUNCIADA 

Passado para trás pelo governador e flamenguista Claudio Castro e seus comparsas, o Vasco – em nome do ‘Consórcio Maracanã Para Todos’ – ingressou no Tribunal de Justiça-RJ, nesta terça-feira (7\5) à noite, com um mandado de segurança pela impugnação da licitação, cujo fim estaria previsto para quarta-feira (8\5), HOJE, em uma cerimônia no Palácio Guanabara: a encenação do repasse da gestão – e dos lucros – por vinte anos a Flamengo e Fluminense, os amiguinhos da zona sul.

Como parte do golpe, a comissão de licitação da Casa Civil – indicada por Claudio Castro – até acatou uma parte das solicitações contidas no pedido de impugnação que o ‘Consórcio Maracanã Para Todos’ fizera em abril, aumentando em quatro pontos a sua nota – de 81 para 85 - na “proposta técnica”, o que, de forma alguma, mudaria o resultado, pois o ‘Consórcio Fla-Flu’ obteve inalcançáveis 116 pontos neste quesito.

O ‘Consórcio RNGD’ – encabeçado pela Arena 360, gestora do Estádio Mané Garrincha, em Brasília – e a Associação Brasileira de Combate à Falsificação (ABCF) também pediram a impugnação, sendo ignorados pelos comissários.

O advogado Rodolpho Heck Ramazzini, da ABCF, explicou:

“O processo está 100% viciado e direcionado de maneira muito clara a um dos concorrentes, o ‘Consórcio Fla-Flu’, em detrimento da isonomia de tratamento e da lisura (...). Se tais vícios não forem sanados, iremos às últimas instâncias, seja na Justiça Comum, ou em tribunais superiores para que o interesse público seja atendido e a moralidade esteja presente na concessão desse patrimônio do futebol mundial”.  

LAMBUJA

Os quatro pontos que aumentaram a nota para 85 - como se houvesse boa vontade dos indicados por Claudio Castro - não se relacionam a Santos e Brusque, cujas presenças na proposta do ‘Consórcio Maracanã para Todos’ esses mesmos comissários rejeitaram.

Caso a participação de Santos e Brusque seja acolhida – como prega a lei - a proposta do ‘Consórcio Maracanã Para Todos’ terá a sua nota acrescida de trinta pontos – de 85 para 115. Neste caso, considerando a diferença de um ponto apenas (116 x 115) na "proposta técnica" (60%), ganharia a concorrência porque a “proposta financeira” (40%) é muito superior à do ‘Consórcio Fla-Flu’.

O edital é burlado quando há uma única proposta viável – a dos favorecidos de sempre.

CONDIÇÕES DE PARTICIPAÇÃO NO CERTAME – 8.1 - Poderão participar da licitação pessoas jurídicas nacionais ou estrangeiras, isoladamente ou reunidas em consócio, cuja natureza e objeto sejam compatíveis com sua participação na licitação.

Era impossível incluir jogos de Flamengo e Fluminense - o que seria natural, afinal a proposta do ‘Consórcio Maracanã para Todos’ é o estádio aberto a qualquer um, com isonomia, sem discriminação (ao Vasco) e sem os privilégios que, desde 2013 – fortalecidos em 2019 - favorecem os gestores provisórios (Fla-Flu).

15 de abril de 2024


TRAPAÇA NA LICITAÇÃO DO MARACANÃ

O edital de licitação do Maracanã é uma arapuca. No documento proposto pelo flamenguista e governador Claudio Castro, para obter a nota máxima na “proposta técnica” – a de maior peso - seria necessário apresentar 70 datas de jogos por temporada. Os números (vazados na FlaPress) indicam a vitória do ‘Consórcio Fla-Flu’ por 117 x 81 sobre o ‘Consórcio Maracanã Para Todos’, que inclui o Vasco, já que a comissão de licitação – escolhida por Castro – desconsiderou possíveis jogos de Santos e Brusque, sob a alegação de que eles não estão sediados no Rio de Janeiro.

Este veto contraria o próprio edital, e inviabiliza qualquer outra proposta que não seja a dos coirmãos da zona sul - ou seja: uma trapaça.

Para completar 70 jogos, ou perto disso, o Vasco não poderia ter como aliados Bangu, Olaria ou América – times cariocas - porque somente os clubes das séries A e B do Brasileirão têm direito a se credenciar à licitação.

Também era impossível incluir jogos de Flamengo e Fluminense, o que seria algo natural – a proposta do ‘Consórcio Maracanã para Todos’ é o estádio aberto a qualquer um, com isonomia, sem discriminação (ao Vasco) e sem os privilégios que, desde 2019, favorecem os gestores provisórios (Fla-Flu).

Em qual estádio eles jogariam, além do Maracanã, no caso de uma – mais que provável – vitória da proposta do ‘Consórcio Maracanã Para Todos’?

... Rua Bariri? Luso-Brasileiro? Laranjeiras? Brasília? Juiz de Fora?!

Sobre quem pode participar da concorrência, consta no idem 8 do edital – CONDIÇÕES DE PARTICIPAÇÃO NO CERTAME – 8.1 - Poderão participar da licitação pessoas jurídicas nacionais ou estrangeiras, isoladamente ou reunidas em consócio, cuja natureza e objeto sejam compatíveis com sua participação na licitação.

A justificativa da comissão de licitação é absurda:

“O licitante (Vasco) (...) No que se refere às datas pertencentes a Santos e Brusque, é forçoso reconhecido que as mesmas não se prestam a cumprir às exigências do edital, uma vez que se trata de entidades sediadas em outros Estados da federação”.

O contorcionismo prossegue, tomando por base normas da CBF e ignorando que a Vila Belmiro, o estádio do Santos, será fechada para reforma. O clube paulista tem tradição (e glórias) no Maracanã desde o tempo de Pelé.

“(...) que tal condição impõe aplicação de restrições prescritas em regimentos da CBF, notadamente o Regimento Geral de Competições (RGC), que textualmente reconhece como excepcional a transferência de uma partida de futebol, da união federativa que tal clube está vinculado”.

CHANTAGEM

Sempre que é contrariado sobre o Maracanã, o Flamengo responde que vai abandoná-lo e construir um estádio próprio – na Barra da Tijuca, Duque de Caxias, Nova Iguaçu, Ilha do Governador, Gávea ou Caju – nunca o faz – é jogo de cena para encobrir a real intenção de apoderar-se eternamente do patrimônio público.

A primeira vez em 1957: contrariado com o preço dos ingressos no Maracanã, que era definido pelos deputados do então Distrito Federal, Hilton Santos, o presidente, ameaçou reformar a Gávea.

Com a situação do Maracanã indefinida após a desistência da Odebrecht, em 2017, começou a chantagem (arma de covardões): o prefeito Marcelo Crivella autoriza o Flamengo a construir um estádio para 25 mil torcedores, na Gávea. Em setembro, o rival assina a opção de compra de um terreno entre a Avenida Brasil e a Linha Vermelha.

A mensagem é clara: sem nós, o que será do Maracanã?

Sobre o coirmão Fluminense, em 2000, o governador Anthony Garotinho propôs financiar um estádio para 45 mil na Barra da Tijuca, a ser dividido com o Botafogo – pronto em 2002. Recusaram.

PROPOSTA FINANCEIRA

Três princípios norteiam as ações do Estado nas licitações públicas, e nenhum deles foi cumprido: 1) impessoalidade (todos iguais) – espantoso favorecimento ao Flamengo; 2) publicidade (transparência) – não há. Atos da comissão de licitação vazados para a imprensa, duas vezes; e 3) economicidade (vantagem financeira) – Maracanã, equipamento público, deve gerar dinheiro.

O vice-presidente Jurídico do Flamengo, Rodrigo Dunshee, quase teve um ataque de pânico ao saber – por  vazamento de informação – que a proposta técnica do ‘Consórcio Maracanã Para Todos’ tinha a participação de Santos e Brusque, além do Vasco.                                            

Dunshee – um advogado repudiado por famílias das vítimas da Tragédia do Ninho do Urubu, em 2019 - passou a bradar que o Vasco estaria burlando o edital: uma grande mentira.

Mas esta versão, fake, reverberou na FlaPress e deu certo.

Eis que se descobriu - em outro vazamento seletivo - que a comissão de licitação já tinha decidido o ganhador, ao impugnar Santos e Brusque e, assim, fazendo abrir 36 pontos (117 x 81) em favor do ‘Consórcio Fla-Flu’.

Diferença impossível de ser revertida com a proposta financeira – a última fase, que está por vir.

As propostas “técnicas” e “financeiras” costumam ser proporcionais.  Nada justifica o Governo abrir mão de arrecadar mais dinheiro – poderia investi-lo em saúde, educação, qualquer área – em favor dos de sempre.  

A surpresa de Dunshee com a presença de Santos e Brusque foi porque ele acreditava que o trambique no edital de licitação já estivesse consolidado desde 2022, com a furtiva intervenção do flamenguista e conselheiro Marcio Pacheco e do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ).

O  Vasco não podia ter chance...    

GOLPE DE 2022

O ‘Consórcio Maracanã Para Todos’ apostava na superioridade da sua proposta financeira para ganhar a licitação - a entrega dos envelopes estava prevista: dia 27 de outubro de 2022. Com o palco armado para a vitória do ‘Consórcio Fla-Flu’, o Vasco, através do ‘Consórcio Maracanã para Todos’, entrou na briga.

Mas cometeu um erro: anuncia UM DIA antes, e não UM MINUTO antes do prazo de entrega dos envelopes.

Em 24 horas, agentes do sistema identificaram ser ela – em parceria com WTorre - a melhor. O responsável por travar o processo licitatório foi Marcio Pacheco, conselheiro do TCE-RJ. Segundo ele e outros do órgão, itens do edital, subitamente, se tornavam inconcebíveis.

Um ano e meio depois - abril de 2024 - a licitação voltaria à cena, mas, dessa vez, com uma diferença fundamental: a “proposta técnica” passa e ter bem mais valor em relação à “proposta financeira”.

Durante um ano e meio, o processo licitatório esteve no TCE-RJ. Um dia, a conselheira e flamenguista Mariana Willeman pediu vista - para estudar o caso. Solicitou a manutenção da tutela provisória que tinha suspendido a licitação de outubro de 2022, seguida pelos seus pares.

Negou o pedido do Vasco sobre a gestão provisória.

De imparcial Mariana nada tem: é esposa do ex-vice-presidente Jurídico do Flamengo na gestão Bandeira de Mello, Flavio Willeman (hoje, um subprocurador do Estado). O relator Cristiano Lacerda Ghuerren defendeu a não renovação do Termo Provisório de Uso (TPU), mas foi voto vencido.

ENSAIO

Sucessor do ladrão Luiz Fernando Pezão, Wilson Witzel ofereceu a gestão provisória a Flamengo e Fluminense em 2019 por uma bagatela. Preso, o seu sucessor Claudio Castro prometeu concluir a licitação até novembro de 2021. Mentira. Enquanto isso, eles renovaram nove concessões provisórias (semestrais) para a dupla Fla-Flu.

Nos últimos anos, ignorando os apelos do Vasco – que questionava a renovação provisória sem que houvesse um chamamento público por ela. Em novembro de 2023, enfim, aconteceu o “chamamento público”, mas, na verdade, era ensaio para o trambique que, agora, se desenrola.

Em jogo, a cessão do Maracanã até 31 de dezembro de 2024 - ou até a licitação. O Vasco, impedido de participar: foi vetada a participação de empresas internacionais (a sócia, WTorre); 2) atestado de capacidade técnica em gestão de operação e manutenção de estádio de futebol com capacidade mínima de 30 mil lugares; e 3) o mesmo em ginásio esportivo com capacidade mínima de cinco mil lugares. 

O Vasco não os tem. Os rivais muito menos. Porém, se dizem “donos” do Maracanã e do Maracanãzinho – bens públicos.  

Sem concorrência, levaram a melhor, com a pechincha de R$ 234 mil\mês de outorga. Os cartolas dos coirmãos da zona sul – míopes de caráter quando o papo é isonomia – ainda emitiram um nota criticando a ausência do Vasco nesta licitação fajuta.  

PERSONAGENS

Graças à articulação política do governador Claudio Castro que Marcio Pacheco foi eleito conselheiro do TCE-RJ. Castro era o chefe de gabinete de Pacheco, na ALERJ. Pacheco – ex-deputado líder do governo de Wilson Witzel - é acusado pelo Ministério Público-RJ de peculato, organização criminosa e lavagem de dinheiro que teriam ocorrido em seu gabinete quando ainda era um deputado estadual.

Witzel, Castro e Pacheco são entusiasmados torcedores do Flamengo e frequentam os jogos de camisa e bandeira.

Em breve, Claudio Castro pode ser outro governador preso.

Na última quinzena de 2023, seus sigilos bancário, fiscal e telefônico foram quebrados, na Operação Sétimo Mandamento: apura DESVIOS E FRAUDE EM LICITAÇÕES EM CONTRATOS SOCIAIS ENTRE 2017 E 2020, CORRUPÇÃO ATIVA E PASSIVA, LAVAGEM DE DINHEIRO E PECULATO.

O irmão dele teve a casa visitada: busca e apreensão.

Delatores: Marcus Azevedo da Silva diz que Castro recebeu propina em contratos da prefeitura, como vereador, em 2017. Já Bruno Campos Selem, ex-Servlog, tinha contrato com a Fundação Leão XIII, e disse ao MP que, num encontro, em 2019, Castro, então vice-governador, teria recebido R$ 100 mil em espécie de Flavio Chadud, o dono da Servlog, em um shopping na zona oeste – o encontro está registrado por câmeras de segurança.


FOTO - O governador Claudio Castro, o presidente do Flamengo, Rodolfo Landim e seus amigos.


10 de abril de 2024

RIVAL SEMPRE MAMOU NAS TETAS DO ESTADO

No final do século XIX, os remadores rubro-negros, às vezes, usavam o píer da presidência da República para lançar os barcos na Baía de Guanabara, tirando proveito da vizinhança entre o Palácio do Catete e o casarão que servia de sede\garagem do clube, cujos atletas eram todos estudantes ricos, brancos, os legítimos filhos da burguesia.

Desde então, parece que o Flamengo se considera no direito de obter benefícios públicos.

De Pedro Ernesto a Witzel e Claudio Castro, são muitos os favorecimentos. Ao usurpar o Maracanã, o Flamengo - junto ao Fluminense – ignora o disparate que é discriminar a imensa torcida do Vasco em um estádio público, que custou R$ 1,2 bilhão – sem contar os sacos de dinheiro utilizados desde 1950 em manutenção e incontáveis reformas, de todos os contribuintes cariocas, inclusive muitos milhões de vascaínos, vivos e mortos.

Em 1921, segundo o Correio da Manhã, deputados tramaram para que o Flamengo recebesse do Governo federal um empréstimo para a construção do seu estádio. “O stadium da Praia Vermelha, com piscina monumental, será muito em breve uma esplêndida realidade”. O jornal considerava a iniciativa de interesse nacional: “Os poderes públicos o desoneraria (...), permitindo-lhe iniciar entre nós a cultura física”. Deu errado porque o local é área militar e o Ministério da Guerra detonou a investida.

O Flamengo – que, antes, sonhava com a Praia Vermelha - em 1926 ocupou 34.120m quadrados na Gávea, às margens da Lagoa Rodrigo de Freitas. Uma invasão. Na época, havia nas proximidades uma favela, aniquilada por incêndio criminoso nos anos 60, durante a gestão do flamenguista e governador da Guanabara, Carlos Lacerda.

Hoje, as margens da Lagoa Rodrigo de Freitas são uma das localidades mais valorizadas pelo mercado imobiliário no Brasil.

Neste mesmo ano de 1926, a prefeitura do Distrito Federal também doou ao Botafogo o terreno para que este construísse a sua sede – o palacete de General Severiano. O Vasco não teve boa vida: precisou comprar um terreno em São Cristóvão, zona norte, para levantar o seu monumental estádio.

No ano seguinte, é negado ao Vasco pelo presidente da República, Washington Luís, a importação de cimento belga, sabendo que o país não dispunha de quantidade para uma obra da envergadura de São Januário. Pouco antes, havia liberado o produto para a construção do Jockey Club Brasileiro - espaço da elite (Fla-Flu) -, no Jardim Botânico.

O último jogo do Flamengo na Rua Paysandu foi em 1932. Depois, peregrinou em Laranjeiras e General Severiano. Enquanto isso, o interventor Pedro Ernesto, prefeito do Distrito Federal (1931-1936) nomeado por Getúlio Vargas, oferecia ao rival inúmeras vantagens: em 1933, o aforamento do terreno invadido em 1926, e a liberação de empréstimos para a construção, no local, do Estádio da Gávea – inaugurado em 1938 (Fla 0x2 Vasco).

No Natal de 1935, Pedro Ernesto articula para que o Flu repasse ao Fla o terreno próximo ao Morro da Viúva, para a construção de um ginásio. Grato por tanta gentileza, em troca, o presidente Bastos Padilha concedeu a Getúlio o título de “presidente do honra” do Flamengo.

O terreno fora doado em 1916 pela Marinha de Guerra ao Fluminense, e lá deveria ter sido construída a sede náutica do fidalgo.

Desde sempre o Flamengo forja a associação de si ao conceito de “nação” – fundado a 17 de novembro, os pioneiros acharam por bem mudar para 15 de novembro, coincidindo, assim, com a Proclamação de República.

A partir de meados da década de 1930, ações de marketing partiam do Jornal dos Sports: por civismo, antes de um Fla-Flu, em Laranjeiras, a torcida cantou o hino nacional, fazendo valer recente lei do Estado Novo. Nas páginas do periódico, era comum a relação entre Brasil e Flamengo.

Em 1936, o clube promove um concurso de fotografia, chamado “Uma vez Flamengo, sempre... tudo pelo Brasil”, com patrocínio do Jornal dos Sports. Roberto Marinho concorre, mas o clique vencedor é o de Hans Peter Lange: dois operários na construção do Estádio da Gávea – o “novo” perfil para as novas gerações de flamenguistas. Em 1937, a vencedora foi a de um torcedor com as bandeiras do Brasil e do Flamengo às mãos.

Getúlio Vargas e Eurico Dutra colaboraram com o Flamengo. Vargas concedeu um generoso empréstimo, a juros baixos. Dutra, ao assumir a presidência da República, não custou a doar ao clube de coração – do qual era associado - um valioso terreno no Centro da cidade. Também foi parcial na comemoração do 1º de maio no primeiro ano de governo: em um amistoso Flamengo x São Paulo, disputado em São Januário.

No terreno próximo ao Morro da Viúva foi construída a nova sede social do Flamengo nos quatro primeiros andares de um prédio enorme. O rival teve o apoio de Dutra para a liberação de um empréstimo de Cr$ 40 milhões da Companhia SulAmérica de Seguros. Em 1953, foi inaugurado. Vinte andares, 148 apartamentos para alugar na zona sul – nada mal em se tratando de um clube esportivo. Em 2017, o vendeu a uma imobiliária por R$ 112 milhões.

O negócio foi possível graças à intervenção do prefeito Marcelo Crivella, ao aprovar lei permitindo que o imóvel se tornasse um “empreendimento comercial”. O queridinho do sistema ainda mantém 44 apartamentos por lá.

Das poucas derrotas do Flamengo na queda de braço com governantes – em qualquer esfera – foi na década de 1950, quando os deputados do Distrito Federal e, depois, da Guanabara - e não os clubes! - decidiam sobre os preços dos ingressos no Maracanã. O impasse atravessou as gestões de Negrão de Lima (PSD) e Carlos Lacerda (UDN) na prefeitura, ao ponto de o presidente Juscelino Kubitschek (PSD) sugerir a federalização.

PONTA DIREITA

Em 1945, com a queda do Estado Novo e a redemocratização do Brasil, flamenguistas ilustres – Ary Barroso, Bastos Padilha, Zé Lins do Rego –, se filiam à UDN – o grande partido conservador da direita. Ary Barroso foi correligionário do golpista Carlos Lacerda. No entanto, muitos associados do Flamengo ficaram com Getúlio Vargas (PTB) devido ao seu apoio a Eurico Dutra, benemérito do clube, para a presidência da República.

O jornalista Sebastião Nery, no livro Folclore Político, relatou:

“Na crise que corroía o governo de Getúlio Vargas e que antecedeu ao suicídio (1954), o flamenguista Carlos Lacerda solicitou ao general Canrobert, torcedor do São Cristóvão, que depusesse Vargas. Canrobert: “Não ajudo a botar tanque na rua (...) só se vier para o Exército tudo quanto é moção. Todo mundo pedindo, até o Clube de Regatas do Flamengo”. Lacerda levou ao pé da letra e, para surpresa do general, obteve do seu clube de coração uma moção solicitando a renúncia do presidente”...

Em 1959, o flamenguista Carlinhos Niemeyer, dono do ótimo Canal 100, é contratado pelo Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (IPES) – de caráter privado - para exibir curtas-metragens de futebol antes dos filmes em todos os cinemas do Rio, em 35mm, em qualquer circunstância pró-Flamengo e anti-Vasco. O IPES era bancado pelo Estados Unidos para combater o “comunismo”. Agiu em favor do golpe de 1964: conspirou, pesquisou, fez documentários, filmes publicitários etc. contra o ex-presidente João Goulart.

Nos anos 70, a torcida do Flamengo adotaria uma versão da música de campanha do Governo federal, em tempos de ditadura militar: “Ó, meu Brasil\ eu gosto de você\ quero cantar ao mundo inteiro\ a alegria de ser brasileiro”... O presidente Emilio Garrastazu Médici, como Dutra, foi sócio do rival.

Os cartolas de hoje, como o presidente Rodolfo Landim e o vice de futebol Marcos Brás – ambos envolvidos em questões policiais e com a Justiça -  apreciavam a presença do amigo deles e ex-presidente da República, Jair Bolsonaro (FOTO), nos jogos.

O SISTEMA

O poder do Flamengo se manifesta nas autarquias. Como em 1979, quando atropelou uma determinação do Conselho Nacional de Desportos (CND) para se sagrar tricampeão carioca em dois anos.

Milagre? Claro não...

Embora a Guanabara e o Rio de Janeiro tenham se unido em 1975, a Federação Carioca de Futebol (FCF) e a Federação Fluminense de Futebol (FFF) continuaram separadas até 1978. Em 1976 e 1977, três do interior (Americano, Goytacaz e Volta Redonda) jogaram o Campeonato Carioca, convidados, e um acordo foi costurado para que aumentasse para seis em 78. Isto não caiu bem e gerou a exclusão de Americano, Goytacaz e Volta Redonda do campeonato de 1978 (no segundo semestre). A FFF apelou à Justiça e paralisou a competição. A pendenga acabou com a intervenção do CND, que fundiu a FCF e a FFF, fazendo surgir a Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (FERJ), obrigada – em 1978! – a organizar a competição unificada: o I Campeonato do Estado do Rio de Janeiro, com fase final em fevereiro de 1979: seis da capital e quatro do interior. Esta fase, porém, iria se transformar em campeonato à parte (“Especial”), já que o Flamengo propôs à FERJ – ignorando o CND - que o campeonato unificado ficasse para 1979. Motivo: o risco de ver o título da fase classificatória de 78 – 1x0 sobre o Vasco, gol de Rondinelli – varrido da história. O impasse acaba no Conselho Arbitral de 23 de janeiro de 1979, no qual o Flamengo perde por 9x8, não aceita, provoca no grito a suspensão do mesmo e a marcação de nova reunião para o dia seguinte, quando - de forma esquisita - convence o Madureira a mudar o seu voto, ganha por 9x8 e transforma a ex-fase final de 1978 num campeonato à parte em 1979. 

O Flamengo voltaria a ser favorecido pelo Governo federal em 1984. Com a publicidade, enfim, liberada pelo CND, o Vasco fechou com a “Bandeirante Seguros” um contrato curto, pontual, enquanto o rival passou a ser patrocinado pela “Petrobras” (LUBRAX). Companhia estatal – por longos 25 anos (até 2009) inundando-o com dinheiro público. O seu. O dos vascaínos. O de todos. Em 2013, outra estatal – a Caixa Econômica Federal – passou a patrociná-lo, até 2019. A atual mamata pública vem do Banco de Brasília.

Ex-executivo do BNDES, o então presidente do Flamengo, Bandeira de Mello, fechou com um patrocinador: a Peugeot. Eis que o BNDES liberou financiamento de R$ 154 milhões à Peugeot Citroën do Brasil. Em 2015, com o fim deste contrato, a Jeep (Fiat Chrysler Automobiles) passou a patrocinar o rival. Logo, foi contemplada com empréstimo de R$ 3 bilhões. Coincidência. Inclusive, porque Bandeira não era do setor comercial e nem sequer participou das negociações. 

Na Justiça e nas delegacias o Flamengo também é poderoso. Há incontáveis exemplos – como esses:

Em 1986, o Caso das Papeletas Amarelas - o presidente do clube, George Helal, admitiu que Cz$ 300 mil do clube foram parar na conta do diretor de arbitragem da FERJ, Paulo Antunes. Segundo a revista Placar tratava-se de suborno para ser favorecido contra os times “pequenos”. O Ministério Público-RJ e a policia investigaram (!), sem conclusão de que houve crime. O caixa-dois envolvia Cz$ 4 milhões e houve desdobramentos jurídicos.

Em 2019, o Assassinato do Ninho do Urubu - incêndio em containers usados como dormitório resultou na morte de dez jovens das categorias de base. Ninguém foi preso, e nem sequer o clube – os cartolas estavam cientes do risco - foi punido.

O caso tramita a passos de tartaruga na 36ª Vara Criminal.

O “ninho” se chama Centro de Treinamento George Helal.