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15 de maio de 2026

                                             


ATLETAS DO FLU: 100 ANOS DO PRECONCEITO

A covardia de André, o Soberbo, contra Rayan, reverberada pelo “rival” em suas redes sociais um ano depois, não é novidade: outro jogador branco do Fluminense já tentou humilhar jogadores vascaínos pretos e\ou pobres um século antes do episódio “Valkimar”, tendo em 1923 como protagonista o meio-campo Fortes.

Na época a Seleção Brasileira só tinha jogador branco e endinheirado (classe social era importante). Botafogo, Flamengo e Fluminense também. Até o presidente da República, Epitácio Pessoa, recomendou que a CBD evitasse a convocação de players mestiços ou pretos porque segundo ele pegava mal no exterior.

Racismo institucional.

O problema é que o Brasil só dos brancos entrava pelo cano e a CDB exigiu do técnico Chico Neto (também do Fluminense) a convocação de jogadores pobres e não brancos para o Campeonato Sul Americano de 1923 – três do Vasco na lista: Nelson Chofer, Torterolli e Paschoal. A AMEA (racista, controlada por Fla\Flu, precursora da atual FERJ) era explicitamente favorável à discriminação.

Quem relata é o jornalista Mario Filho, no livro O negro no futebol brasileiro:

“Durante a viagem no luxuoso navio até Montevidéu, Nelson, Torteroli, Paschoal, e outros desacostumados a ocasiões sociais mais refinadas, como Soda, Nesi e Amaro, observam como se comporta o elegante Fortes, do Fluminense, durante as refeições, e procuram imita-lo. Então, ao fim do jantar chega a lavanda e Fortes, de brincadeira, finge que vai bebê-la e todos bebem até não restar uma gota de lavanda. Este fato repercutiu e serviu de arma para a AMEA. Para ela, ficava claro que a relação entre jogadores como Fortes, do Fluminense e os do Vasco era conflituosa, e que estes não eram qualificados a representar o Brasil no exterior. A CBD acabou influenciada pela propaganda feita pela AMEA”.

Nelson Chofer (FOTO) foi o primeiro goleiro negro da Seleção Brasileira. Também o primeiro atleta negro garoto-propaganda. Segundo O Paiz, ele teve ótimo desempenho apesar de mais um fracasso do time no Sul Americano. Nunca mais foi convocado.

Tricampeão da Liga Suburbana pelo Engenho de Dentro, Nelson Chofer foi para o Vasco em 1919 e teve que mudar de profissão. A AMEA considerava chofer de praça uma profissão indigna para a prática do foot-ball – o esporte era amador – e ele, então, passou a trabalhar como balconista na chapelaria de um vascaíno.

Pelo clube jogou até 1927 (192 partidas). Em 1925, quando o Vasco não tinha estádio, jogava de aluguel em Laranjeiras ou na Rua Paysandu, Nelson Chofer passava sufoco: os sócios do Fluminense e do Flamengo (brancos e ricos consumidores de lavandas) iam para trás da baliza insultá-lo com racismo e atirar-lhe pedrinhas. Só foi ter paz quando o time passou a mandar seus jogos no Andaraí.

5 de outubro de 2023


DANILO, O PRÍNCIPE 

O ótimo livro-reportagem “SUA ALTEZA, PRÍNCIPE DANILO PRIMEIRO E ÚNICO”, de André Felipe de Lima, narra a história de Danilo Alvim, ídolo do América, do Vasco e da Seleção Brasileira. Com o Expresso da Vitória, ele colecionou títulos, inclusive o I Campeonato Sul-Americano de Clubes, em 1948, que antecedeu a Libertadores. Titular absoluto na Copa do Mundo de 1950, para quem o viu em ação ele está entre os melhores de todos os tempos. Fora dos gramados, teve uma vida humilde. Casou-se em 1948 com Zelinda, com quem teve um filho. Tornou-se treinador, e dos bons: comandou a Bolívia no título do campeonato sul-americano de 1963 e foi o artífice de um dos grandes times do América, o de 1974. Na década de 1990, a sua saúde começou a deteriorar-se. Os seus últimos dias foram em uma casa de repouso, no Rio Comprido. Morreu em 1996, sem as reverências que sempre o acompanharam quando brilhava nos gramados.


LEITURA INDISPENSÁVEL PARA VASCAÍNOS

À venda no site da Editora Multifoco por R$ 49,90 no link abaixo:  

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4 de outubro de 2023


RUSSINHO - O INIGUALÁVEL ÊXTASE DO GOL  


Excluído pela AMEA, abraçado pelos vascaínos. Uma história de luta dentro e fora dos gramados. A Parte 1 da biografia de Russinho conta a trajetória esportiva do primeiro grande artilheiro do Vasco, um destruidor de recordes. São 230 gols em 253 jogos para o máximo goleador dos Camisas Negras. Muitos títulos e conquistas individuais. 

Mas não só isso.

Na segunda parte do livro, falamos sobre a Propaganda no Esporte atravessando o episódio do Concurso Monroe, eleição que fez de Russinho, em 1930, o maior jogador do Brasil, escolhido com quase 3 milhões de votos.

Na parte 3 do livro, falamos sobre a figura de Russinho como agente político e seu protagonismo na luta pela Profissionalização do Futebol, que o transformou num grande ídolo também fora das canchas.

Tudo isso ilustrado pelo Acervo Moacyr de Siqueira Queiroz, um acervo que foi guardado pela família do ex-jogador, oferecido para ilustrar o livro, doado ao Centro de Memória do Vasco e exposto no Museu do Clube!

São 288 páginas que constroem muito mais que uma biografia. Histórias esquecidas, uma linda trajetória esportiva desvendada, todo o rigor acadêmico pra tratar das questões do chamado Campo Esportivo e mais de 100 imagens exclusivas do Vasco e de Russinho, inéditas aos olhares do nosso tempo!

Uma história que encarna a nobre e distinta tradição vascaína de mostrar que os maiores valores do futebol não estão somente nas batalhas travadas de dentro do campo, mas principalmente nas lutas que escolhemos travar fora dele.


LEITURA INDISPENSÁVEL - À VENDA NO "MERCADO LIVRE": R$ 70. 


O RESGATE DE UM CRAQUE

A biografia Russinho – O inigualável êxtase do gol, do historiador Bruno Pagano, lançado este ano pela Editora Livros de Futebol, reabilita a memória de um grande craque dos primórdios do futebol brasileiro: Moacyr Siqueira Queiroz, o Russinho. Nesta obra, rica em detalhes, o autor destaca a importância do ídolo dos vascaínos no combate ao amadorismo, iniciativa esta que influenciaria os cartolas dos clubes para que, em 1933, instituíssem o regime profissional no futebol brasileiro.

Nascido em 1902 no Rio de Janeiro, Russinho iniciou a carreia em 1920, no Andarahy. Entre 1924 e 1934 defendeu o Vasco, logo se transformando no goleador dos Camisas Negras. Quinto maior artilheiro da história do clube, com 254 gols – 44 em clássicos –, foi campeão carioca em 1924, 1929, 1934 e 1935 (este, pelo Botafogo), do Torneio Início em 1926, 1929, 1930, 1931 e 1932, da Copa Myrurgia (Espanha) em 1931, e campeão brasileiro em 1927, 1928 e 1931 pela Seleção Carioca.

Em 1930, ano em que defendeu a Seleção Brasileira na primeira Copa do Mundo, Russinho foi eleito no voto popular o melhor jogador do Brasil, no "Grande Concurso Nacional Monroe" [veja abaixo]. O craque vascaíno também brilhou na final do Campeonato Carioca de 1929  Vasco 5x0 América (três gols)  e no sapeca de 7x0 no Flamengo (quatro gols), em 1931. 


58.012.980 CIGARROS PARA RUSSINHO


Antes da chegada das multinacionais, o mercado brasileiro de cigarros era abastecido por três empresas – a Grande Manufatura de Fumos e Cigarros Veado*, a Companhia Leite & Alves e a Souza Cruz, única sobrevivente, como subsidiária da British American Tobacco. O bicho silvestre não simbolizava homossexualismo. E coube ao Veado (cujo slogan era “Para chique ou pé-rapado”), em 1930, promover uma pioneira ação de marketing esportivo: o “Grande Concurso Nacional Monroe” para apontar o jogador mais popular do Brasil. Havia diversas urnas – uma delas, na Rua da Assembleia – e a cédula era um maço vazio de alguma marca da empresa (“Monroe” era o mais consumido). Todos concorriam a prêmios de até sete contos de réis. Mais de seis milhões de maços vendidos graças ao concurso, com Russinho sendo eleito por 2.900.649 votos (maços), deixando Fortes, do Flamengo, no cheirinho.

Como prêmio, o artilheiro ganhou um carro – uma “baratinha” da Chrysler –, o que inspirou o vascaíno Noel Rosa a citá-lo na canção “Quem dá mais?”, na qual o compositor brinca com o prêmio luxuoso e a dificuldade do clube para renovar o seu contrato – “(...) o Vasco paga o lote na batata /E, em vez de barata, /oferece ao Russinho uma mulata”...

Numa época em que não existia instituto de pesquisa de opinião pública, um concurso com mais de seis milhões votos – o maior de todos – é, sem dúvida, parâmetro para a avaliação da popularidade dos times de futebol.

* A Grande Manufatura de Fumos e Cigarros Veado, do Rio de Janeiro, é herdeira da Imperial Estabelecimento de Fumo, a primeira fábrica de cigarros do Brasil.

1 de outubro de 2023

OS CAMISAS NEGRAS - O ponta-direita Paschoal (o sexto, a partir da esquerda), cujo apelido era "Trem de luxo", defendeu o Vasco entre 1922 e 1932. Depois que pendurou as chuteiras, continuou a trabalhar como funcionário do clube até a morte, aos 87 anos, em 1987. Nos seus tempos de jogador os rivais (América, Botafogo, Flamengo, Fluminense), elitistas, se recusavam a enfrentar analfabetos e isso era um problema para os players vascaínos. Paschoal, inclusive, teve de trocar em cartório o sobrenome, "Cinelli" para "Silva", de caligrafia mais fácil para o filho de italianos.