4 de maio de 2026


VASCO ESTRAGOU A FESTA DA FLAPRESS

O Vasco tropeçou no Flamengo e os dois ficaram no 2x2, no Clássico dos Milhões de domingo passado (3\5). Para a TV Globo, que transmitiu ao vivo, parece ter sido um desgosto profundo, especialmente para o narrador Everaldo Marques e os cinegrafistas (ou editores de imagem) da empresa.

A TV Globo ignorou o Vasco na cerimônia do hino nacional. Se não foi algo inédito, é no mínimo raro. Na certa, desrespeito aos vascaínos, patriotas ou não. 

Com os times e o trio de arbitragem perfilados, nos primeiros acordes do hino a imagem na tela passou a ser a torcida do Flamengo e,  em seguida, seus jogadores, um a um. Subitamente veio a censura. O corte: o trio de arbitragem e os jogadores vascaínos sumiram de vista, com a emissora da FlaPress focando de novo a torcida do Clube da Mutreta.

Tal prática é uma imitação fajuta da explorada por Mario Filho com o seu Jornal dos Sports nos distantes anos 30, quando o renomado diário esportivo tentava ligar a imagem do Flamengo – então elitizado, de viés racista – com a do povo brasileiro, numa campanha de popularização.

Além de Everaldo Marques, o time da TV Globo tinha os comentaristas Júnior, ex-craque do Fla e Roger Flores, ex-Fla-Flu e dois repórteres.

Com a bola rolando, o Vasco estava bem quando Pedro ganhou de Cuesta e Robert Renan: Flamengo 1x0. Everaldo Marques gritou “gol!!!”. E o seu jargão “VAMOS Flamengo!!!”. No 2x0, de Jorginho cobrando um pênalti maroto, o mesmo “VAMOS Flamengo!!!” cheio de empolgação. Mas, quando o Vasco diminuiu para 2x1, flexionou o jargão para... “VAI, Vasco!!!”.

Como ele próprio seria capaz de dizer: "Ridículo!".

Pênalti maroto porque o atacante Pedro já tinha perdido a jogada, atrasou a passada e teve seu pé pisado por Paulo Henrique. Assim sentenciou o VAR. “Não foi intencional, mas, mesmo assim, pisão no pé de vez em quando é pênalti”, constatou Roger. 

O apoio ao Flamengo era claro. Everaldo Marques cismou de chamar o rival de “Mengão”. Entre uma jogada e outra, anunciou o lançamento de um filme sobre Zico, em cartaz nos cinemas e produzido pela Globoplay com apoio do SporTV. 

Era “Mengão” para lá e “Vasco” para cá. Até que aos 37 minutos do segundo tempo algum chefe deve ter notado o disparate e reclamado pelo ponto eletrônico, na orelha, porque o narrador deixou de rasgar seda... “Flamengo”, dizia, quase tristonho, enquanto o Vasco passou a ser, por alguns minutos de compensação, o “Gigante da Colina”.

Quando o Vasco fez o primeiro gol, no final do segundo tempo, a vinheta na tela da TV Globo simplesmente errou o placar: “Flamengo 3x0”. Depois, corrigida para 2x1.

No gol de empate,  Hugo Moura nos acréscimos, o narrador fez um breve hiato antes da explosão vocal do “Gol!!!”. Já não havia bambu para confeccionar flechas nem tempo para o “VAI, Vasco” porque o juiz Wilton Pereira Sampaio apitou o fim.

Então o cinegrafista mirou a torcida do Vasco. Roger: “Isso é o Vasco da Gama, que não desiste, que luta, encontra soluções (...)”. Pedro viu do banco seu time entregar o ouro e foi legal: “Em se tratando de clássico não pode ter cochilo”... Hugo Moura – o “Craque Betano (patrocinador do Flamengo e do Brasileirão-26)” – botou na conta de Deus.

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