3 de maio de 2026


FLA E TV GLOBO SABOTARAM O FUTEBOL BRASILEIRO 

Até 1986 quase não existia transmissão de futebol ao vivo no Brasil. Um ou outro jogo, no máximo.

Era proibido, mas tudo mudou em 1987.

Para transmitir o Campeonato Brasileiro – a Copa União, com seus módulos verde e amarelo – daquele ano com exclusividade a TV Globo e o recém-fundado Clube dos Treze negociaram. A emissora, a partir de então, passou a dar as cartas no futebol brasileiro, tornando-se rapidamente a principal fonte de receita dos clubes.

(O uso de publicidade nas camisas havia sido liberado pelo CND em 1982, mas ainda não era uma fonte robusta de dinheiro com exceção do Flamengo, bancado com o dinheiro público da estatal Petrobras).

A TV Globo se curvou ao Clube dos Treze – o precursor das “ligas” –, forçada a engolir a divisão em quatro níveis para o repasse do seu dinheiro: 1) Vasco, Flamengo, Palmeiras, Corinthians e São Paulo passaram a ganhar, anualmente, R$ 21 milhões. 2) O Santos, R$ 18,5 milhões. 3) Botafogo, Fluminense, Internacional, Grêmio, Cruzeiro e Atlético-MG, R$ 18 milhões, e 4) Bahia, Atlhetico-PR, Goiás e Sport, R$ 11 milhões.

Assim foi enquanto durou o Clube dos Treze, extinto em 2011.

Imediatamente, Flamengo e Corinthians começaram a receber mais que Vasco, São Paulo e Palmeiras, que ainda ficaram à frente de Santos, Cruzeiro, Atlético-MG, Grêmio, Internacional, Botafogo e Fluminense e Bahia, mas as diferenças não eram tão grandes como atualmente.

Em 2024, em uma entrevista para o GloboEsporte.com, o bravateiro Marcio Braga culpou o já falecido Eurico Miranda pelo fim do Clube dos Treze, quando aconteceu o oposto, sendo o Vasco o maior prejudicado.

O Flamengo sabotou o sindicato dos clubes até destruí-lo. A partir de então, com as negociações individuais e não mais coletivamente com a TV Globo (a vanguarda da FlaPress), naturalmente a diferença entre o “mais querido” da família Marinho para os demais disparou.

Em 2019, alguns clubes romperam a exclusividade da TV Globo e fecharam com emissoras de TV a cabo. Outros seguiram o caminho tortuoso, insatisfeitos com a avalanche de dinheiro que sempre cai nos cofres do Flamengo e, em menor volume, nos do Corinthians.

Hoje, os clubes se dividem: a Liga Forte União (LFU), com Vasco, Botafogo, Fluminense, Corinthians, Internacional, Cruzeiro, e a Liga do Futebol Brasileiro (Libra), com Flamengo, Palmeiras, Santos, São Paulo.

Para resolver o impasse unindo-as a partir de 2030, o presidente da CBF, Samir Xaud, promoveu um encontro na sede da entidade, na Barra da Tijuca, no ultimo dia 6 de abril.

Na Libra, a divisão do dinheiro não é mais em taxa única, mas em três vertentes: 1) uma parte fixa (40%); 2) uma por mérito esportivo (30%); e outra 3) por audiência na TV aberta e pay-per view (30% - muito acima do justo, que não poderia superar 10% se o propósito da CBF é o fair play financeiro). 

O Clube da Mutreta julga merecer mais dinheiro (baseado em pesquisas de opinião publica de firmas particulares contratadas por ele, como o IBOPE), desprezando o passado de isonomia do Clube dos Treze. Sem nenhum espírito esportivo (com apoio da TV Globo), impede a unificação do futebol brasileiro.

O Vasco perdeu o status da época do Clube dos Treze.

Por isso mesmo, o presidente Pedrinho – omisso na tramoia da Arena Maracanã, cuja licitação AINDA PRECISA ser alvo de ação judicial – nas negociações sobre cotas de TV tem a obrigação de vascaíno de se inspirar em Eurico Miranda e não aceitar menos que o máximo possível.

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