6 de maio de 2026

ARENA MARACANÃ: INTERDIÇÃO JÁ! 

São Januário foi interditado duas vezes nos últimos oito anos devido a tumultos e confrontos de torcedores com a polícia. Com o Vasco, o Ministério Público é implacável. Domingo (4-5), no Clássico dos Milhões, o caos foi criado especialmente pela torcida flamenguista (o rival tinha o mando de campo) e pela polícia. Os advogados do Ministério Público-RJ serão valentes com Flamengo e Fluminense - usurpadores da Arena Maracanã - interditando-a? 

No Campeonato Brasileiro de 2023, ao fim de Vasco 0x1 Goiás, os torcedores atiraram morteiros, xingavam o time e a 777 quando o BEPE interveio, gerando desespero e mais revolta. A confusão prosseguiu nas ruas com muita correria. Por isso, o Juizado Especial do Torcedor acatou o pedido do Ministério Público para a interdição do estádio.

Depois liberou sem público – porque um juiz, Marcello Rubioli, alegou que a “vizinhança (a Barreira) é perigosa”. Só foi reaberto para valer com a instalação das máquinas de reconhecimento facial nas roletas, tecnologia que nem o Maracanã possuía.

Ao mesmo tempo em que o Tribunal de Justiça-RJ proibia o Vasco de atuar em casa por três meses, o governador Cláudio Castro, Flamengo e Fluminense não aceitaram que o time jogasse no Maracanã. Recuaram sobre São Januário quando a aberração, passada ao ministro Gilmar Mendes, estava prestes a ser encaminhada ao Superior Tribunal Federal, em Brasília.

Em 2017, o Vasco também foi impedido de jogar em São Januário por três meses. A torcida se indignou na derrota por 1x0 para o Flamengo, contra o juiz (Anderson Daronco), e passou 15 minutos atirando morteiros. Ninguém se machucou, mas os jogadores do rival não conseguiam chegar ao vestiário, daí a reação da Polícia Militar, com cacetadas e gás num ambiente repleto de crianças e mulheres (se refugiaram nas cabines de imprensa).

Nas ruas, a maior vítima foi Davi Rocha Lopes, de 26 anos, assassinado por um PM com um tiro no peito, enquanto pessoas arremessavam pedras e garrafas em uma viatura policial. Testemunhas disseram que o ex-gari da COMLURB buscava refúgio, mas, por enxergar apenas do olho esquerdo, não viu o policial sacar a pistola calibre. 380 e disparar três vezes – dois baleados sobreviveram. No inquérito, a delegada se iluminou: Foi legítima defesa!

Com a Força Jovem outra vez proibida, os componentes se reuniram na sede, em frente a São Januário, para assistir o Vasco 0x0 Flamengo pelo Brasileirão-17 num telão, quando o major PM Silvio Luiz (tricolor), do GEPE, numa blitz “capturou” 77 pessoas (sete menores de idade), incluindo mulheres, um botafoguense e até flamenguista.

Ocorre que na antevéspera a Força Jovem havia comunicado sobre a reunião à polícia, tendo recebido sinal verde. Que armadilha! O GEPE alegou que o MP-RJ proibia aglomerações a menos de cinco quilômetros dos estádios e eles estavam a dois quilômetros e meio do Maracanã. “Além de planejarem uma emboscada”, chutou o major PM Silvio Luiz.

Foram de ônibus até o JECRIM, no Maracanã, e de lá os adultos seguiram para a cadeia em Benfica por “desobediência à ordem judicial”. Tiveram negado o habeas corpus, o que ocorreu 15 dias depois. Que situação bizarra: um cidadão brasileiro sai da sua casa com a melhor das intenções, para ver o jogo do Vasco com seus amigos num telão comendo carne, e dorme no xilindró por duas semanas.

Nota da Força Jovem: “Um soco inglês, um protetor bucal e um canivete para setenta pessoas? Mulheres, crianças. Que guerra é essa? O que fazem é racismo!”.

No Rio de Janeiro, só 3% das ações violentas de policiais contra os torcedores vão à Justiça.

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