6 de maio de 2026

BEPE: INICIATIVA DE BRIZOLA DEU ERRADO

A existência do Batalhão Especializado de Policiamento em Estádios (BEPE) perde o sentido quando os policiais responsáveis pela contenção da violência inúmeras vezes são os causadores. Após o Flamengo 2x2 Vasco, o caos nas imediações da UERJ com muita correria, brigas de torcedores e das duas torcidas contra os policiais, escancarou o óbvio: o BEPE é incapaz de oferecer segurança à população. Literalmente perdeu a razão, de ser.  

Em 1991, uma violenta pancadaria entre vascaínos e flamenguistas no Maracanazinho, durante um jogo de basquete, foi a gota d’água para a criação do Grupo Especializado de Policiamento em Estádios (GEPE), com 120 soldados do 6º Batalhão da Polícia Militar (Tijuca), sob o comando do major PM Siqueira. Iniciativa do recém-eleito governador Leonel Brizola (PDT) e do seu vice e secretário de Segurança, Nilo Batista, para combater a crescente violência com ações preventivas.

Desativado em 1995 por Marcello Alencar (PSDB), voltou em 2002 com Anthony Garotinho (PDT). No século XXI virou batalhão (BEPE), em Deodoro, libertando-se da tutela do 6º BPM, na Tijuca, para ter seu quartel, em Deodoro.

Nas décadas de 1970 e 1980, a relação entre as torcidas organizadas – bem menores – e policiais era mais estreita. Quando a violência aumentou, o Batalhão de Choque, no Centro, também entrou no jogo. 

Os soldados do GEPE, que tinham aulas de sociologia e boas relações humanas, iam às palestras na UERJ sobre violência, mas faziam (e fazem) o contrário nas suas ações. 

Há quem pregue que os policiais militares são os primeiros a estimular o caos, e por dinheiro: fardados, dão cassetadas e abocanham as propinas de camelôs e infratores em geral; em roupas civis, sargentos e oficiais são os proprietários das empresas de segurança contratadas para oferecer proteção, aluguel de grades nos eventos etc.

O segundo comandante do GEPE foi o major PM Marcelo Pessoa. Major Busnello e os tenentes-coronéis Luís Otávio e Fiorentini vieram depois. Busnello era linha dura, ex-BOPE: os cânticos com incitação à violência ficaram na mira ao ponto de os líderes da Força Jovem, da Jovem Fla, da Jovem Fogo, da Young Flu e outras se encontraram na Cinelândia para avaliar a situação.

A partir de 2014, com a criminalização judicial de qualquer um envolvido em tumultos perto de um estádio (para conter os hooligans ingleses na Copa do Mundo, mas eles não vieram), a “torcida organizada” mais violenta passou a ser... O BEPE! Com o monopólio da violência, muito torcedor (inocente, inclusive) foi autuado ou preso. Nas brigas o policial - protegido pela lei – muitas vezes apela ao coração na distribuição das cacetadas.

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