19 de dezembro de 2025


 VASCO x CORINTHIANS, UM GRANDE CLÁSSICO DO FUTEBOL BRASILEIRO

O Corinthians presta homenagem ao Vasco na primeira estrofe do seu hino: ao se autodeclarar “o campeão dos campeões” refere-se ao Troféu APEA, levantado em 1930, no duelo entre o campeão do Rio de Janeiro e o de São Paulo [o clube de São Januário ganharia em 1935]. Dos grandes cariocas, o Vasco é o único de origem popular – os demais surgiram da elite e carregam a mancha do racismo. Na capital paulista, o Corinthians também nasceu fundado por operários. 

Além do mais, é o único clássico do futebol brasileiro que decidiu um Mundial de Clubes da FIFA, em 2000. Havia equilíbrio até 2001, com o mesmo número de vitórias para ambos. Porém, a partir de 2002, em 51 jogos o Corinthians disparou ganhando 25 contra apenas quatro, e 22 empates. Ou seja, em 23 anos, abriu a vantagem de 21 jogos. No total – do primeiro (Vasco 2x1, em 1926) ao último (0x0, em 2025) – foram 130 confrontos, com 57 vitórias dos paulistas, 36 vascaínas e 37 empates.

Os jogos entre Vasco e Corinthians costumam arrastar grandes públicos, especialmente no Maracanã. A rivalidade aumentou a partir de 1980, quando o presidente do Flamengo Marcio Braga, por despeito a Eurico Miranda, que passou a perna nele ao repatriar Roberto Dinamite do Barcelona, resolveu inventar (com apoio da TV Globo) a Fla-Fiel – fazendo crescer a violência entre as torcidas a partir de um sistema de alianças. Brigaram muitas vezes, com mortes, porque a Força Jovem e a Gaviões da Fiel tornaram-se “inimigas”.

Em 1971, para o Corinthians 1x0 Vasco, no Parque Antarctica, reuniu-se uma das maiores caravanas, com dezenas de automóveis e “mais de cem ônibus” como relatou o Diário de Notícias: “Na saída, lotavam a Avenida Rio Branco, do Edificio Cineac à Praça Mauá”. Os corintianos resolveram brigar dentro e fora do estádio – porém, bem diferente da violência mortal a partir da década de 1990 – neste que foi o maior combate entre torcidas de estados diferentes até então (na época, as organizadas cariocas conviviam em paz). 

ARBITRAGENS 

Segundo periódicos, na final de 1930 o Corinthians foi beneficiado pela arbitragem paulista para triunfar por 3x2. Nada tão familiar... Nos últimos anos, a mesma história se repetiu com frequência, causando graves danos ao Vasco. Exemplos: no segundo tempo da final do Mundial de Clubes da FIFA de 2000, o juiz holandês Dick Jol aceitou a indicação do bandeirinha e deu um impedimento de Edmundo, que estava em condição regular e avançava cara a cara com o goleiro. Não existia VAR, terminou 0x0 e o título foi pelos ares. 

Na semifinal da Copa do Brasil de 2009, mais uma vez o juiz teve influência no destino. No caso, Heber Roberto Lopes (PR), que no jogo de ida, no Maracanã, ignorou um pênalti escandaloso em Helton. Mais um empate, no Pacaembu, e o Corinthians seguiu adiante. Em 2011, chegou ao titulo brasileiro um ponto na frente do Vasco na tabela de classificação graças aos dois jogos (0x0 e 1x1) em que o time da Colina foi brutalmente prejudicado contra o Flamengo do juiz Péricles Bassols (RJ).

Na Copa Libertadores de 2012, o Corinthians voltou a receber ajuda, quando Sandro Meira Ricci (RS) anulou um gol de Alexsandro alegando um impedimento que não existia. Enfim, favorecer o rival havia se tornado uma coisa normal, corriqueira. Em 2017, foi a vez de Elmo Resende da Cunha (GO) dar um gol de mão de Jô (derrota de 1x0). 


Alguns jogos:

Vasco 2x1 - O primeiro confronto foi um amistoso a 14 de março de 1926, no campo da Rua Paysandu, do Flamengo, por 10% da renda e taxas. São Januário estava em construção e o Maracanã não existia nem em sonho.  

Vasco 3x1 – Graças a esta vitória na semifinal, no Maracanã, o time cruzmaltino se credenciou para jogar a decisão do Torneio Rivadavia Correa Meyer de 1953 – uma nova versão da então falida Copa Rio – contra o São Paulo. 

Vasco 1x0 – Com 68.725 pagantes no Maracanã, era a final antecipada do Rio-São Paulo de 1953. Porém, na última rodada, o Vasco – um ponto na frente – perdeu para o Santos e assim o Corinthians se sagraria campeão. Neste jogo aconteceu a primeira grande caravana. Jornal dos Sports: “Invasão corintiana”  cinco mil carros já passaram na barreira interestadual e ônibus farão o mesmo de madrugada. O pau cantou em brigas. O corintianos se vingaram no mês seguinte, atacando os vascaínos na estrada após o jogo com o Santos, no Pacaembu. 

Vasco 5x2 – O retorno de Roberto Dinamite, após passagem no Barcelona, é apoteótico: faz cinco gols, diante de 107.474 pagantes. Surge a “Fla-Fiel” — na preliminar, Flamengo 3x0 Bangu. O Jornal dos Sports destaca o convívio em paz das três maiores torcidas do Brasil na época. O primeiro coro é “Roberto!”. No segundo gol, “frangueiro” para Jairo. No terceiro, João de Deus joga as calças para cima e é preso por atentado ao pudor. Noite de paz, mas, na dúvida, o placar explica: “O torcedor adversário não é seu inimigo. Ele apenas gosta de outro clube”. No quinto, os rubro-negros tinham ido embora. Dinamite jogou sua camisa para a geral, dois fãs a agarraram e coube a um PM indicar o dono. 

Corinthians 4x3 (0x0) – No mais importante jogo entre clubes brasileiros, o Vasco perde a final do I Mundial de Clubes da FIFA nos pênaltis, após o rival segurar o empate. O Corinthians chegou à decisão, no Maracanã, com um gol ilegal contra o Raja Casablanca. Deveria ser Vasco x Real Madrid. Contra os vascaínos, outro mistério: aos 34min do segundo tempo, Edmundo recebeu livre, prestes a fazer, talvez, o gol do título, Dida saiu desesperado quando o juiz holandês seguiu o bandeira uruguaio Fernando Cresci e marcou impedimento que, absolutamente, não houve.

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