Alguns da Força Jovem carregam o status de herói pela ousadia, e este é o caso de Serginho Niterói. No Corinthians 0x0 (4x3, nos pênaltis) Vasco, em 1988, com o Pacaembu superlotado, antes de a bola rolar uma bandeira da Gaviões da Fiel foi fincada no centro do gramado, Serginho pulou o alambrado e atravessou meio campo até chegar até ela, a retirou do chão e voltou segurando-a, na velocidade máxima. Uma ação tão inesperada que custaram a entender. No rabo do olho notou na cola policiais, seguranças, gandulas e corintianos. Ouvia gritos, latidos, apitos – pareciam estar bem irritados – e, ao iniciar a escalada para o outro lado, foi agarrado.
“Viajei no ônibus número um, cercado de lendas: Mula Manca, os Metralha, André, Jorge, Pança, Rogério Manteiga, Marcelo He-Man, Roberto Monteiro, Marcondes, Arlindo, Girafa, Japão, Assis Negão, Fusca, Foca...”, comenta Serginho Niterói, que viajava pela primeira vez. Uma aventura digna de filme de ação: “Os caras fazendo a festa, cinquenta mil pessoas, de repente pulou um da Gaviões com a bandeira e ficou tremulando, fincou ela, voltou correndo para a torcida e os caras vibrando. Encontrei o Metralha e o Japão, disse a eles que iria pegar e nem me deram confiança”.
Hoje taxista em Niterói, Serginho tinha 19 anos, vestia a camisa da Força Jovem (ao invadir ela ficou dentro da cueca), bermuda preta, três cordões de prata (estava na moda) e uma touca. No “tobogã” havia três mil vascaínos, mas a caravana da Força Jovem contava com dois ônibus. “Joguei a bandeira pra torcida e fui pular de volta, só que tinham seis PMs me esperando”. Acabou sendo conduzido à delegacia do Pacaembu, atrás do gol do lado oposto ao tobogã. “A torcida me hostilizando, que eu ia morrer, que tinha desonrado o Timão, os policiais falando que iam juntar a gente, iam me deixar sozinho e eu, doidão, dizia pelo amor de Deus me levem daqui”.
Instalado numa cela minúscula, o pior estava por vir: “Surgiu um cara entrando na porrada, ria, encostaram ele na parede, o cara tomando cassetete nas costelas e mesmo assim olhou pra mim e falou: Vou te matar! Aí jogaram ele na minha cela, simplesmente era um grande da Gaviões que tinha ficado cego de um olho em São Januário: Carioca FDP, eu vou comer seus olhos!”. Dois policiais conseguiram separar a briga. Dez minutos depois Rogério Alves, dinossauro da Força Jovem e advogado do Vasco, foi salvar Serginho Niterói a mando de Eurico Miranda.
“O cara ficou esbravejando e fui embora com o advogado, ele de terno e eu de bermuda e sem camisa, por dentro do gramado até a Força Jovem, de ponta a ponta. Fui reconhecido : ‘Ê-ê-ê-ê, está chegando a hora\O carioca vai morrer’. Pensei que eles fossem pular, dar ruim... Na frente da Força Jovem eu tirei a camisa da cueca, a sacudi, pulei o alambrado de volta e nego começou a cantar: Força Jovem-ê-ê-ê-ê-ê\É a Força Jovem, ê-ê-ê\Dá porrada na Jovem e na Fiel, Força Jovem é cruel-el-el”.
Foi o presidente Ely Mendes quem apelou a Eurico: “Coitado, era coroa, né? Meu filho você é maluco, blá-blá-blá, pode pedir o que quiser no bar”, diverte-se Serginho Niterói. O gramado, por sorte, não foi invadido, lembra Japão: “Os caras nos apedrejavam daquele terreno baldio, tinha gente caindo, e de repente a PM jogou gás de pimenta! Demos sorte. A partir dali passaram a nos respeitar mais ainda”.
A Força Jovem – com palmeirenses infiltrados – já tinha botado a Gaviões da Fiel para correr na Praça Roberto Gomes Pedrosa, em frente ao Pacaembu. “Muita gente de camisa preta, nós éramos uns 150, de repente um nosso foi pra dentro, na bilheteria, saímos pegando geral de porrada, aí chegou a polícia e nos botou dentro do estádio. Com dois ônibus brincamos legal”, se orgulha Pança.
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