11 de dezembro de 2025


TRICOLOR ENGANA SOBRE AS GAROTAS


O site oficial do Fluminense e outras mídias (Museu do Maracanã, site do Lance) andam contando mentira: que a Flu Mulher, de 2006, teria sido a primeira torcida organizada do Brasil exclusiva de mulheres, quando, na realidade, esta foi a Feminina Camisa 12 do Vasco (FOTO), fundada em 1973 por Iara Barros, após ter saído da Força Jovem, com outras 50 vascaínas – pioneirismo registrado nas páginas do Jornal dos Sports. Elas não tinham bateria nem banda, mas tocavam castanholas. A inovação das tricolores, talvez, é ser a pioneira só para garotas brancas.

A Torcida Feminina Camisa 12 foi atuante nos anos 70 e 80. Bela e carismática, Iara Barros, sua principal liderança, sacodia a poeira na arquibancada e, fora dela, nas passarelas: em 1977, ela promoveu o I Concurso da Rainha das Torcidas Organizadas do Vasco, na Casa do Espinho, em Braz de Pina. Em 1978, repetiu a dose na sede da Associação dos Empregados do Comércio, no Centro, com júri de tirar o chapéu: os vascaínos Danuza Leão, Sônia Braga, Elke Maravilha e Paulinho da Viola avaliaram as candidatas. Três trajes: camisa da torcida, maiô e vestido de gala.

O concurso ocorreu nos anos seguintes, até deixar de existir. No ano do Centenário (1998) foi reeditado (“Rainha do Centenário”), no ginásio de São Januário, coordenado por Iara Barros.

Em 1976, as gatas da Força Jovem também lançariam a Família Feminina da FJV. As vascaínas sempre são a vanguarda quando o assunto é torcer – de quando iam às regatas ou jogar foot-ball, no alvorecer do século XX, passando por Dulce Rosalina, que, em 1956, aos 22 anos, tornou-se a primeira mulher (e negra) líder de torcida (TOV). Em 1961, foi eleita a “torcedora número um do Brasil”, superando no voto popular Jayme de Carvalho, da Charanga do Flamengo e outros, no concurso promovido pela Revista do Esporte.

Décadas atrás, as tias eram respeitadas num cenário machista refletido na perseguição às mulheres que andavam na parte de baixo da arquibancada do Maracanã, sob o coro de “piranha”. Tia Georgina era da Força Jovem, Dulce Rosalina, da Renovascão, as tias Adélia e Aida, da TOV, Tia Lea, da Pequenos Vascaínos, e Tia Helena, da Jovem Fla, Toninha, da Flamante, Verinha, da Flamor, Tia Carmélia e Tia Cora, da Jovem do Botafogo, Tia Helena Lacerda, da Fiel Tricolor, a americana Tia Ruth e outras.




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